A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) desmentiu esta quinta-feira uma alegada tentativa de suborno a membros da mais recente missão oficial à Guiné-Bissau, considerando as alegações “falsas, infundadas e desprovidas de qualquer base factual”.
Uma delegação de chefes de Estado-Maior da Defesa (CCDS) da organização esteve na Guiné-Bissau, entre 19 e 23 de junho, para se inteirar da implementação do mandato revisto da Missão de Apoio à Estabilização naquele país, segundo esclareceu esta quinta-feira em comunicado.
O documento publicado esta quinta-feira nos canais oficiais faz o balanço do “êxito” da missão sobre o contingente militar que se encontra em Bissau para assegurar a estabilidade, mas começa com um desmentido sobre um alegado caso de suborno que marcou a visita da delegação.
No comunicado final, o Comité dos Chefes de Estado-Maior da CEDEAO refere que “tomou conhecimento de reportagens veiculadas pelos órgãos de comunicação social e de publicações nas redes sociais que alegam que membros da delegação estiveram envolvidos ou foram alvo de uma tentativa de suborno”.
O Comité “rejeita categoricamente estas alegações, considerando-as inteiramente falsas, infundadas e desprovidas de qualquer base factual”, e assegura que “em nenhum momento durante a missão qualquer membro da delegação foi abordado, recebeu qualquer oferta ou esteve envolvido em qualquer ato de suborno ou incentivo indevido”.
Acrescenta que “nenhuma queixa, denúncia ou prova relacionada com tais alegações foi apresentada à delegação, à Missão de Apoio à Estabilização da CEDEAO na Guiné-Bissau” ou ao hotel onde os chefes militares estiveram hospedados.
Em causa estão publicações nas redes sociais e uma notícia da RDP-África replicada por vários órgãos de comunicação social que referiam que alguém ligado ao Governo de transição guineense terá colocado 15 milhões de francos CFA (cerca de 22 mil euros) no quarto de hotel de um dos membros da missão da CEDEAO.
O Conselho Nacional de Transição, órgão que substitui o parlamento guineense depois do golpe militar de 26 de novembro de 2025, reagiu de imediato à notícia da rádio pública portuguesa considerando que “as afirmações não passam de um exercício grosseiro de pura especulação”.
Em comunicado, o Conselho de Transição classifica a notícia como “baixo jornalismo militante e mercenário idêntico ao que no passado já justificou a expulsão e o encerramento da RTP no país”.
O comunicado visa a jornalista portuguesa que assinou a peça, Paula Borges, e refere que o Estado guineense vai avançar com um processo judicial contra a mesma.
Questionado pela Lusa, o CNT esclareceu que o processo judicial será acionado no “país onde o crime foi materializado”.
A Lusa contactou, também, a profissional em causa e a Direção de Informação da rádio pública portuguesa, que não quiseram reagir à tomada de posição do Conselho de Transição.
A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses.