O secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, criticou esta quinta-feira a intenção do Governo de criar um fundo soberano para intervir em “setores estratégicos”, considerando que o que está em causa é “injetar dinheiro dos trabalhadores” no privado.
“O Governo anunciou a intenção de criar um fundo soberano para garantir a representação do Estado em empresas e setores estratégicos para o país, quando foi o próprio Governo PSD-CDS um dos principais responsáveis por ter abdicado e entregue ao privado setores que estratégicos do país no passado”, criticou Tiago Oliveira, em declarações aos jornalistas, em Lisboa.
O sindicalista falava à margem de um plenário organizado por trabalhadores do Arsenal do Alfeite, que decorreu em frente às instalações da Presidência do Conselho de Ministros, no Campus XXI, em Lisboa.
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Em causa está o anúncio, este fim de semana, pelo primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, de criar um fundo soberano de Portugal para o Estado poder intervir “em setores estratégicos”, como a energia, a banca, as comunicações ou a gestão de infraestruturas aeroportuárias.
“Entregámos ao desbarato aos privados setores importantíssimos para o país. E agora vamos injetar novamente no privado milhões de euros, que são dinheiro dos trabalhadores, para adquirir uma pequena parte, que não vai transformar em nada aquilo que é a decisão do Governo e o peso do Governo nessas empresas, mas vai, sim, permitir contribuir com mais milhões de euros para o setor privado”, criticou.
Tiago Oliveira considerou que o país está a seguir “um rumo de engano e mentiras” e, perante os trabalhadores do Arsenal do Alfeite presentes no plenário, cerca de 160, considerou que este fundo tenciona “gozar com quem trabalha”.
Interrogado sobre o facto de a ministra do Trabalho ter afirmado que acredita que o Governo pode insistir na reforma laboral — chumbada na semana passada no parlamento — Tiago Oliveira sublinhou que “este pacote laboral morreu” devido à “enorme participação dos trabalhadores”.
“Agora, nós sabemos o Governo que temos, qual é a sua ambição e o que quer. Mas já fica aqui uma palavra ao Governo: a CGTP e os trabalhadores demonstraram o que querem para si, para o seu futuro e para o país. E não passa pelo retrocesso nem pela degradação das condições de vida e de trabalho. Passa pela evolução, passa pela melhoria das condições de trabalho”, afirmou.
Tiago Oliveira realçou que o executivo pode contar “com a luta dos trabalhadores” se quiser persistir numa política “de braço dado com as entidades patronais”.