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O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, apelou esta quinta-feira para que polacos e ucranianos construam o seu futuro comum com base na verdade e no respeito mútuo, de forma a pôr fim às tensões entre os dois países em relação à memória da II Guerra Mundial.
“Lembrai-vos, todos vós, sem exceção, (…) na Polónia, (…) na Ucrânia e entre os nossos amigos na Europa: só podemos construir o futuro sobre a verdade, o respeito mútuo e a compreensão da História”, afirmou Tusk na abertura da conferência anual para a reconstrução da Ucrânia, que teve início esta quinta-feira em Gdansk, na Polónia, sem a presença do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
A primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, enviada à conferência para substituir Zelensky, cuja presença era esperada antes dos recentes atritos diplomáticos, elogiou o desejo do povo polaco de “construir um futuro comum”.
As relações diplomáticas entre a Ucrânia e a Polónia têm estado muito tensas desde que Zelensky batizou uma unidade das forças especiais do exército ucraniano com o nome de “Heróis do Exército Insurgente Ucraniano” (UPA).
O UPA foi um movimento da época da II Guerra Mundial (1939-1945) que lutou contra diversas frentes que ocupavam ou ameaçavam o território ucraniano, incluindo a Alemanha nazi, embora alguns elementos tenham tido uma cooperação tática inicial com os nazis.
Este movimento entrou em confrontos violentos com o Estado Subterrâneo Polaco (a resistência clandestina que operou na Polónia ocupada pelos nazis e soviéticos), tendo sido responsável pelos massacres de polacos na Volínia e na Galiza Oriental (regiões que hoje pertencem à Ucrânia), oficialmente reconhecidos pela Polónia como genocídio.
Em retaliação, o Presidente polaco, Karol Nawrocki, retirou a Zelensky a prestigiada Ordem da Águia Branca, que lhe tinha sido concedida em 2023 e, em solidariedade, vários responsáveis ucranianos, como o ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha, anunciaram a devolução das suas próprias condecorações polacas.
Em maio, Nawrocki tinha criticado a Ucrânia pelo repatriamento dos restos mortais do histórico líder ultranacionalista e colaborador nazi Andriy Melnik, pondo em causa as aspirações de Kiev à entrada na União Europeia.
“Infelizmente, o Presidente Zelensky demonstrou que a Ucrânia tem uma mentalidade de glorificação de bandidos e assassinos do Exército Insurgente Ucraniano e não está pronta para fazer parte da família europeia”, disse Nawrocki na altura, defendendo que “não há lugar na família europeia para bandidos e assassinos que mataram mulheres e crianças, que assassinaram polacos”.
A Conferência sobre a Reconstrução da Ucrânia reúne anualmente governos, instituições financeiras e setor privado para mobilizar apoio político e económico para a estabilização e recuperação do país em guerra com a Rússia.
Zelensky participou e liderou as Conferências sobre a Reconstrução da Ucrânia que se realizaram em Berlim e Roma nos últimos dois anos.