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Centenas de operacionais de equipas de salvamento, polícias e unidades cinotécnicas estão nesta quinta-feira mobilizados para as operações de busca e resgate após os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela. Considerados os mais fortes registados no país em cerca de um século, os abalos deixaram edifícios destruídos, milhares de desalojados e um número ainda indeterminado de pessoas desaparecidas sob os escombros.
As operações centram-se, sobretudo, em Caracas, onde pelo menos cinco edifícios colapsaram completamente. No município de Chacao, no leste da capital e onde reside uma importante comunidade portuguesa, quatro edifícios ruíram e outros seis sofreram danos estruturais significativos nas zonas de Los Palos Grandes, Altamira e Bello Campo.
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“Temos mais de 500 funcionários a realizar os trabalhos de resgate nas quatro estruturas que ruíram neste município”, afirmou o presidente da Câmara de Chacao, Gustavo Duque. Segundo o autarca, citado pela imprensa local, foram retiradas com vida, até às 13h00 (hora de Lisboa), 18 pessoas dos edifícios colapsados.
As primeiras horas após um sismo desta magnitude são consideradas decisivas para encontrar sobreviventes. Jorge Silva, presidente da Associação Nacional dos Técnicos de Segurança e Proteção Civil, explica ao Observador que a prioridade inicial consiste em “chegar rapidamente às zonas mais afetadas” e identificar sinais de vida sob os escombros.
“As primeiras horas são [marcadas pela] tentativa de chegar a todas as zonas colapsadas e conseguir identificar se existe ou não vida debaixo dos escombros. É isso que agora se está a fazer: levar o máximo de agentes aos locais e perceber se conseguem detetar sobreviventes“, afirmou. Após essa primeira avaliação começa uma remoção manual dos destroços mais ligeiros para criar acesso às possíveis vítimas. Só numa fase posterior, explica Jorge Silva, é que entram em ação as equipas especializadas e maquinaria pesada.
Em simultâneo, decorre um trabalho de desobstrução das vias de circulação para permitir que meios de socorro e máquinas cheguem aos locais mais afetados. “Tem de haver uma circulação eficaz dos meios para que as equipas consigam acudir rapidamente às zonas que colapsaram”, acrescentou.
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“É importante que todos os socorristas trabalhem coordenados com as autoridades”
Nas primeiras horas após o desastre, a ausência de maquinaria pesada obrigou muitos moradores a participarem diretamente nos resgates. Em bairros como Maripérez, El Paraíso e San Bernardino, vizinhos e voluntários escavaram montanhas de escombros com pás, carrinhos de mão e as próprias mãos.
“Foi tudo feito à força dos braços“, relatou à agência EFE Maikel Rincón, um dos moradores que participou nas operações de socorro em Maripérez. “Quando chegámos, aquilo já estava o caos. Começámos a ouvir gritos e percebemos que havia pessoas soterradas. Retirámos os escombros e conseguimos salvar o Fabián, um rapaz de cerca de 17 anos. Infelizmente, toda a família morreu soterrada”, contou.
À medida que as horas passaram, começaram a chegar escavadoras e outros equipamentos especializados, reforçando as operações de busca em vários pontos da cidade. Além dos bombeiros e das forças de segurança venezuelanas, as equipas cinotécnicas estão a ser mobilizadas para localizar sobreviventes em áreas onde o acesso é particularmente difícil.
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Jorge Silva destacou também o papel dos cães de busca na deteção de sinais de vida e na identificação de vítimas. “Depois chegam as equipas cinotécnicas para identificar com maior profundidade se existe vida ou fatalidades registadas nesses escombros e iniciar todo o trabalho de remoção de materiais”, explicou.
O especialista alertou, porém, para a curta janela temporal disponível para localizar sobreviventes. “Passado algum tempo começa a haver necessidade de água e alimentação. Depois surgem os efeitos das temperaturas, sejam de frio ou calor. É preciso levar a busca e salvamento o mais rapidamente possível a toda a gente”, disse.
Também Alejandro Méndez, elemento da Brigada RIT, com experiência em operações de resgate após os sismos que atingiram o México em 2017, considera que as próximas horas serão determinantes. “O que as equipas vão encontrar é muito caos e muita desorganização. É importante que todos os socorristas trabalhem coordenados com as autoridades e mantenham um objetivo claro: resgatar pessoas com vida”, afirmou à Telemundo.
Segundo o socorrista, as primeiras 72 horas são normalmente consideradas críticas para encontrar sobreviventes, embora o tempo real dependa das condições em que cada pessoa ficou soterrada. Méndez apelou ainda à população para evitar edifícios visivelmente danificados e colaborar com as autoridades. “Vivemos algo semelhante no México. O mais importante é a organização das pessoas juntamente com as autoridades e evitar permanecer perto de estruturas que possam colapsar”, disse.
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“Há ainda a probabilidade de ocorrerem réplicas de magnitude mais elevada”
A preocupação com o perigo de novas réplicas continua a marcar as operações. As autoridades venezuelanas registaram já mais de duas dezenas de réplicas desde os dois abalos principais, de acordo com o El Espectador.
O chefe da Divisão de Sismologia do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Fernando Carrilho, alertou para a possibilidade de novos sismos de magnitude elevada. “Há ainda a probabilidade de ocorrerem réplicas de magnitude mais elevada, o que pode gerar danos ainda maiores“, afirmou à RTP.
O especialista defende que as autoridades devem identificar rapidamente as infraestruturas comprometidas. “Tem de haver um trabalho das autoridades no terreno para tentarem identificar quais as infraestruturas que foram afetadas e que não oferecem condições de segurança. As pessoas devem permanecer no exterior e seguir as recomendações oficiais”, disse.
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O receio de novos abalos levou milhares de venezuelanos a passarem a madrugada nas ruas, dentro de automóveis ou em colchões e colchonetes improvisados em praças, avenidas e zonas abertas. Muitas famílias que regressaram a casa após os primeiros sismos voltaram a sair depois de serem sentidas novas réplicas, segundo o Infobae.
Em Los Palos Grandes, uma das áreas mais afetadas da capital, a jornalista Nicole Kolster descreveu momentos de pânico. “Foi o sismo mais forte que senti na minha vida“, afirmou. Residente no sétimo andar de um edifício, contou ter procurado abrigo junto à estrutura da entrada do apartamento enquanto via as janelas a oscilar violentamente.
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Nas ruas, acrescentou ao Infobae, multiplica-se o desespero: “Há pessoas a chorar, outras preocupadas porque não conseguiram retirar os animais de estimação. Algumas tentaram tirar os carros das garagens por receio de uma réplica mais forte”.
Outra residente da zona, Maria Elise, relatou danos visíveis em vários edifícios. “O nosso apartamento tem paredes rachadas. Há postes caídos, não temos eletricidade nem sinal de comunicações”, disse.
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As autoridades proibiram o acesso de residentes e jornalistas a várias áreas por razões de segurança, sobretudo na zona dos edifícios com danos estruturais. Além dos colapsos registados em Chacao, ruiu também o edifício Marován, em San Bernardino. Em Las Delícias, parte do revestimento exterior da padaria portuguesa La Rosita desprendeu-se durante os abalos, enquanto num edifício em frente caíram paredes de um apartamento, deixando o interior totalmente exposto.
No terreno, porém, a prioridade mantém-se inalterada. Enquanto algumas equipas internacionais começam a preparar a deslocação para a Venezuela, os operacionais prosseguem uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes.