A ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, anunciou esta quarta-feira que cinco pessoas que viajavam no mesmo avião que o médico diagnosticado com Ébola foram identificadas e colocadas em isolamento por precaução.
“Há cinco pessoas que são consideradas eventuais contactos e, por precaução, foram identificadas e colocadas em isolamento”, afirmou a ministra numa entrevista citada pelo Le Monde, horas depois de as autoridades terem confirmado o primeiro caso da doença em França.
https://observador.pt/2026/06/24/franca-regista-primeiro-caso-de-ebola-e-um-medico-que-esteve-em-missao-na-republica-democratica-do-congo/
O médico, que trabalha para a ONG Alima, apresenta uma carga viral “muito baixa”, anunciou o ministério francês, acrescentando que o homem “embarcou num voo comercial a partir de Kinshasa praticamente assintomático, apresentando apenas dores de cabeça” e o seu estado “deteriorou-se ligeiramente durante o voo”, tendo recebido cuidados médicos imediatos assim que aterrou em Paris.
O profissional de saúde está a ser acompanhado pelas entidades competentes, que ativaram os protocolos previstos para este tipo de situação, tendo sido isolado logo após a chegada ao país, antes mesmo de a doença ser oficialmente identificada.
Todas as medidas de precaução, incluindo o isolamento do paciente, foram tomadas assim que ele chegou, com uma transferência para o hospital em condições seguras, a fim de evitar qualquer risco de contaminação”, afirmou o ministério tutelado por Stéphanie Rist.
Este é o primeiro caso identificado fora do continente africano relacionado com o atual surto, que afeta a República Democrática do Congo e também o Uganda.
Esta epidemia de Ébola, causada pelo raro vírus Bundibugyo, para o qual não existem vacinas nem tratamento, foi a pior alguma vez registada no seu primeiro mês na República Democrática do Congo. O Governo deste país elevou o número de mortes para 291, estando incluídas nos 1.118 casos confirmados.
A organização não governamental Alima, para a qual o médico trabalha, afirmou estar a tentar perceber “como ocorreu a contaminação”. Em comunicado, a organização sublinhou que os trabalhadores humanitários são normalmente sujeitos a um período de quarentena de três semanas após contacto com casos infetados e garantiu que foram implementadas “medidas de prevenção desde o início da intervenção no terreno”.
O Ministério da Saúde francês recordou, ainda, que o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças considera baixo o risco de infeção para residentes europeus e para viajantes que se desloquem a zonas afetadas pelo surto.
Também o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, considerou que o risco global continua baixo. “Não penso que uma reação excessiva seja justificada nem necessária. Não há razão para entrar em pânico”, afirmou.