Maria Krivopishina, uma dirigente desportiva ucraniana que foi diretora da Academia do Benfica em Kiev, foi esta semana detida pela Interpol em Montenegro, na sequência da investigação à morte de uma criança (em 2023) num campo de férias desportivo.
A notícia foi confirmada pelo procurador-geral ucraniano, Ruslan Kravchenko, através de uma mensagem divulgadas nas redes sociais, na qual frisou o seu empenho pessoal na investigação deste caso.
O caso remonta a 2023, quando um menino de 10 anos morreu durante o campo de férias para jovens futebolistas “Olympic Village”, associado à Academia do Benfica, nas proximidades de Kiev. A morte do pequeno Ivan Goncharuk aconteceu durante um tempo de lazer nesse acampamento, quando o treinador levou as crianças a nadar num lago com elevada profundidade. A dada altura, o responsável terá deixado várias crianças sozinhas, sem a presença de um adulto, e terá sido nesse momento que Ivan, que não sabia nadar, se afogou.
Além do treinador, acusado de ter deixado as crianças sem supervisão, também Maria Krivopishina, que era na altura a diretora do “Olympic Village”, é visada no processo que investiga a morte da criança. As autoridades ucranianas consideram que Krivopishina violou as normas de segurança no trabalho — e que também tem responsabilidades no caso que conduziu à morte de Ivan.
De acordo com o jornal desportivo A Bola, a Academia do Benfica foi, no verão de 2023, a escolha de Vyacheslav e Svetlana Goncharuk para o seu filho Ivan, de 10 anos de idade, apaixonado por futebol. A família, que vivia em Balta, na região de Odessa, viajou para a capital no dia 30 de julho de 2023, para deixar Ivan no campo de férias no dia seguinte.
Quando souberam que o programa daquele campo de férias desportivo incluía, além dos treinos de futebol, momentos de lazer numa piscina, os pais de Ivan avisaram o treinador que o seu filho não sabia nadar. O treinador ter-lhes-á garantido que a criança ficaria apenas na piscina pequena. Contudo, a história viria a ter um desfecho trágico, com a morte de Ivan, afogado, num lago.
Os pais da criança souberam da morte do filho apenas pela polícia, já que, no dia 3 de agosto — o dia em que Ivan morreu —, tentaram telefonar várias vezes para o filho (que lhes ligava todos os dias) e para o campo de férias, mas sem sucesso. O treinador terá dito aos pais de Ivan, por mensagem escrita, que estava tudo bem. Porém, a criança tinha sido dada como desaparecida pelo menos uma hora antes dessa mensagem.
A investigação policial concluiu que o treinador se terá afastado pelo menos 300 metros do lago profundo onde oito crianças do campo estavam a nadar. O treinador foi acusado e preso preventivamente em prisão domiciliária.
Recentemente, a família da criança foi informada pela polícia de que a antiga diretora da academia, Maria Krivopishina, foi incluída na lista de acusados do caso. Krivopishina encontrava-se fora da Ucrânia e, por isso, foi colocada na lista de procurados internacionais da Interpol, tendo sido detetada em Montenegro, onde foi detida no dia 21 de junho.
“A acusação está neste momento a completar os procedimentos necessários para assegurar o regresso dela à Ucrânia”, confirmou Ruslan Kravchenko nas redes sociais. “Este caso é uma questão de princípio para mim. Quando me encontrei com os pais do menino falecido, prometi-lhes que os responsáveis pela sua morte seriam levados à justiça.”
Quando uma criança fica num campo, os adultos têm a responsabilidade pela vida e segurança dessa criança. Não formalmente, mas na realidade, a cada dia e a cada minuto. Os pais confiam a estas instituições aquilo que lhes é mais precioso. E se essa confiança foi traída, o Estado é obrigado a apurar o papel de cada pessoa que era responsável por garantir a segurança da criança”, afirmou ainda o procurador.
De acordo com A Bola, o nome de Maria Krivopishina está também associado a vários casos de corrupção envolvendo o seu pai, que dirigiu a empresa estatal de caminhos-de-ferro durante mais de uma década, e envolvendo também as próprias instalações onde funcionava a academia do Benfica.