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BCE terá, provavelmente, de voltar a subir os juros para controlar a inflação, avisa influente responsável do banco central

Isabel Schnabel, alemã que faz parte do conselho executivo permanente do BCE e é uma voz altamente influente dentro do banco central, acredita que será necessário voltar a subir os juros na zona euro.

Edgar Caetano
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O BCE irá, provavelmente, necessitar de voltar a subir as taxas de juro, nos próximos meses, para garantir que a taxa de inflação desce para um valor mais próximo da meta de 2%. A mensagem foi transmitida por Isabel Schnabel, alemã que faz parte do conselho executivo permanente do BCE e é uma voz altamente influente dentro do banco central que frequentemente sinaliza as próximas decisões da autoridade monetária.

Numa entrevista ao alemão Die Zeit, Schnabel afirmou que o ritmo e a dimensão de futuras subidas irão depender da evolução do conflito no Médio Oriente, do desempenho da economia e dos próximos dados sobre a inflação. Ainda assim, os indicadores atuais continuam a apontar para a possibilidade de um novo aumento das taxas após o verão, caso os dados económicos o justifiquem.

“Com a informação que temos hoje, precisaremos de continuar a aumentar as taxas de juro para que a inflação regresse à nossa meta de 2% no médio prazo”, afirmou Isabel Schnabel.

O BCE tem uma reunião marcada para 23 de julho mas é baixa a probabilidade de que os juros subam nessa altura. Mais provável, de acordo com os mercados de futuros de taxas de juro neste momento, é que a autoridade monetária aguarde por setembro para anunciar uma subida dos atuais 2,25% para 2,5%.

Apesar de reconhecer que o memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão e a recente descida dos preços do petróleo melhoraram as perspetivas de curto prazo, Schnabel considera prematuro concluir que os riscos inflacionistas desapareceram. “Os responsáveis dos bancos centrais não podem baixar a guarda“, perante o risco de a inflação mais elevada se enraizar nas expectativas dos agentes económicos, afirmou.

https://observador.pt/especiais/memoria-fresca-da-crise-inflacionista-de-2022-os-salarios-e-as-margens-das-empresas-porque-e-que-bce-achou-tao-necessario-subir-juros/

Segundo a responsável, os preços da energia continuam elevados quando comparados com os níveis anteriores ao conflito, enquanto os contratos de fornecimento de longo prazo continuam a refletir pressões persistentes sobre os custos. Schnabel destacou, ainda, riscos associados às perturbações na navegação através do Estreito de Ormuz, ao aumento dos prémios de seguro marítimo, aos danos em infraestruturas energéticas e à necessidade de reconstruir reservas estratégicas e reabastecer os armazenamentos de gás na Europa antes do inverno.

A responsável alertou, também, para o crescente receio do BCE relativamente aos chamados efeitos de segunda ordem. Em termos simples, isso refere-se ao risco de o choque inicial nos preços da energia começar a repercutir-se noutros setores da economia, com empresas a transferirem os custos acrescidos para os consumidores, pressionando os preços dos bens e dos serviços.

Este fenómeno poderá, segundo Schnabel, criar condições para uma aceleração das exigências salariais, mesmo que o crescimento dos salários ainda não tenha, para já, mostrado sinais significativos de aceleração.

Relativamente ao crescimento económico, a economista reconheceu os efeitos do choque energético, mas sublinhou que a economia da zona euro tem demonstrado uma resiliência superior ao previsto, apoiada pelo aumento do investimento público, pelo investimento em infraestruturas, pelo reforço dos gastos em defesa e pelo ciclo global de investimento associado à inteligência artificial.

Contudo, advertiu que esta combinação de procura robusta e estímulos estatais poderá também alimentar novas pressões inflacionistas, exigindo uma resposta adicional da política monetária.

Já na terça-feira, o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, previu que a inflação se mantenha ligeiramente acima dos 3% durante o resto do ano.

https://observador.pt/2026/06/23/bce-acredita-que-inflacao-permanecera-em-torno-dos-3-durante-o-resto-do-ano-acima-do-objetivo-de-2/