Dois minutos de jogo em Monterrey e já se ouvia o bruá de quem adivinha um golo, mesmo que inicialmente não fosse marcado na mesma cidade. A Coreia do Sul não perdeu muito tempo para mostrar quem queria resolver as questões que o grupo A levantava ao início da partida: México em primeiro lugar com seis pontos, mais três do que os sul-coreanos, em segundo, enquanto Rep. Checa e África do Sul se encontravam empatadas com um ponto e apenas separadas pela diferença de golos ao arranque para a ronda que define de vez quem continua no Mundial e quem volta já para casa.
A bola que Kim Min-Jae cabeceou acabou por não entrar, graças a um corte da defensiva sul-africana. Mas isso não tirava alento aos asiáticos, que continuavam a ameaçar a baliza de Rownen Williams. Lee Kang-In tentou materializar a urgência asiática seis minutos depois, mas o poste direito estava a meros centímetros de onde a bola passou. Houve quem gritasse golo no BBVA, mas o esférico não entrou. A saga viria a repetir-se, mesmo sem oportunidades de golo.
De um lado, do outro e pelo meio, a Coreia do Sul mostrava que queria mandar no jogo. Mas isso não queria dizer que a África do Sul não estivesse de olho nos três pontos — a única forma de poder sonhar com o apuramento.
Aos 17′ Thapelo Maseko teve nos pés a melhor oportunidade dos primeiros 20 minutos: uma Coreia do Sul muito projetada no terreno viu o avançado sul-africano arrancar isolado para a baliza de Kim Seung-Gyu, mas Gi-Hyuk recuperou todos aqueles metros que tinha perdido a tempo de conseguir bloquear a finalização sul-africana. Foi o ponto alto da partida até à pausa para hidratação, que chegava pouco tempo depois debaixo de muitos assobios.
O jogo estava intenso e todos aqueles que estavam a assistir ao duelo sulista não queriam interrupções no entretenimento.
A verdade é que a pausa foi só isso: uma pausa. O entretenimento continuou e trouxe outra grande oportunidade à África do Sul, que parecia crescer com o relógio… ou com Thapelo Maseko, o mais ameaçador em campo. Na meia-lua da grande área dos asiáticos, um remate potente de Maseko não permitiu que Seung-Gyu defendesse a um só tempo. Deixou a bola à mercê de Evidence Makgopa, que sozinho, a poucos metros da boca da baliza e em cima do guarda-redes coreano, fez a recarga diretamente à figura do opositor.
O final da primeira parte contrastava com o início, com a África do Sul a chegar ao intervalo com mais investidas que o seu adversário, que só ganhava na posse de bola. A semelhança entre o arranque e o fecho registava-se onde mais interessa: no resultado. Ao fim de 45 minutos, o 0-0 não fazia jus à ação desenhada no relvado, mas favorecia os sul-coreanos, que beneficiavam do empate também a zeros entre México e Rep. Checa.
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Terá sido por isso que Hong Myung-Bo fez três alterações ao intervalo. Entre os que entravam no segundo tempo, estava Son, ainda o grande nome dos sul-coreanos. Mas a presença de Son não parecia incomodar Hugo Broos, que optou por não mexer no que corria bem. Entre (todos) os que ficaram, estava Maseko, que aos 51′ viu outro dos seus remates bloqueado pelos asiáticos, que agora tinham a vida mais facilitada depois de um golo do México diante dos checos.
Monterrey estava em ebulição pelo que se passava no Azteca, na Cidade do México. O segundo golo do México trouxe ainda mais ambiente ao BBVA. O barulho era feito pelos mexicanos que sofriam à distância com a campanha 100% vitoriosa de La Tri. O BBVA tornava-se numa extensão do Azteca e os Bafana Bafana aproveitaram o embalo do ambiente para chegar ao golo.
Maseko já tinha ameaçado demasiadas vezes. Aos 63′ já não era uma ameaça. O extremo sul-africano recebeu já dentro da área, sobre o lado esquerdo e de pé canhoto disparou para a vitória, fazendo a festa nas bancadas do BBVA condizer com o que se passava no relvado.
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Agora sim, havia motivos em Monterrey para gritar golo — no singular. Aquele remate de Maseko foi o único com sucesso no jogo e materializou o crescimento da África do Sul, não só no jogo como na prova: os sul-africanos começaram com uma derrota, depois empataram com os checos e, depois de 10 minutos finais a sofrer, com um bloco mais baixo, chegaram à sua primeira vitória nesta edição da prova, à terceira num Mundial e ao primeiro apuramento à fase a eliminar da prova.
A estrela
- Foi o mais inconformado de ambas as equipas. Duas vezes isolado, outra de meia distância e uma última, a que mais importou, com um remate seco para a vitória. Thapelo Maseko protagonizou as melhores oportunidades da África do Sul, criadas ou finalizadas pelo próprio. Depois de tantas oportunidades desperdiçadas, o extremo foi a tempo de marcar um importante golo nas contas do apuramento dos sul-africanos.
O joker
- O ambiente estava intenso fora de campo. No relvado, as seleções sul-africana e sul-coreana iam dando espetáculo, mas sem golos. Os golos aconteciam no Azteca e as bancadas do BBVA, sua extensão, gritavam golos num jogo que estava 0-0, pela viva voz dos mexicanos que acompanhavam remotamente o 3-0 no Rep. Checa-México. O ambiente poderá ter embalado Maseko para o golo sul-africano, num pontapé para a história.
A sentença
- Com a combinação dos resultados de ambos os derradeiros jogos do grupo A, o México fica em primeiro lugar com nove pontos, depois de um pleno de vitórias e a África do Sul passa à próxima fase através do segundo lugar, com quatro pontos. A Coreia do Sul, com três pontos, fica à espera do que resta da terceira jornada para saber se se apura com o estatuto de uma das oito melhores seleções a terminar em terceiro lugar na fase de grupos. A Rep. Checa, com apenas um ponto, está oficialmente fora do Mundial.
A mentira
- A história antes do jogo diria que era mentira que a África do Sul se apuraria para a próxima fase. Os Bafana Bafana, antes deste jogo, só tinham ganho por duas vezes em Mundiais e nunca tinham ido além da fase de grupos da competição. Maseko tratou de desmentir a tendência com aquele golo aos 63′, que deu aos sul-africanos o terceiro triunfo em fases finais de Campeonatos do Mundo, onde marcaram presença por apenas quatro ocasiões.