(c) 2023 am|dev

(A) :: Pelo menos 188 mortos e mais de 1.500 feridos em sismos de magnitude 7,2 e 7,5, na Venezuela

Pelo menos 188 mortos e mais de 1.500 feridos em sismos de magnitude 7,2 e 7,5, na Venezuela

Primeiro sismo ocorreu às 22h04 e o segundo 30 segundos depois. É raro acontecerem sismos seguidos. Há 164 mortosm entre eles um português. Autoridades temem que número de vítimas aumente.

Filomena Martins
text

Siga o nosso artigo em direto sobre os dois sismos na Venezuela

Pelo menos 188 pessoas morreram (entre elas dois lusodescendentes) e mais de 1.500 ficaram feridas na sequência de um sismo de magnitude 7,2, seguido de um outro ainda mais forte, de 7,5, que atingiu esta quarta-feira a costa norte da Venezuela. O número inicial de vítimas (32) foi avançado pela Presidente interina da Venezuela através de uma declaração na televisão estatal do país, citada pela Reuters. Antes, Delci Rodríguez já tinha anunciado na rede social Telegram ter declarado estado de emergência no país.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), os terramotos foram sentidos em várias regiões do país, nomeadamente na capital, Caracas, e também em zonas da Colômbia, Trinidad e Tobago e outras ilhas das Caraíbas. O Governo venezuelano, através do ministro Diosdado Cabello, veio já confirmar a queda de vários edifícios em Caracas. As autoridades pedem às pessoas para não permanecerem nas suas casas ou escritórios.

De acordo com o USGS, o primeiro sismo, de 7,2 (foi revisto para um valor superior, depois de inicialmente lhe ter sido atribuída uma magnitude de 7,1) ocorreu às 22h04 (18h04 local), com epicentro perto da costa do estado venezuelano de Sucre e a uma profundidade de cerca de 10 quilómetros, o que aumenta o potencial para provocar fortes vibrações à superfície. O segundo, de 7,5, foi sentido um minuto depois, a uma profundidade um pouco superior. Um sismo de 7,5 liberta cerca de 2,8 vezes mais energia do que um de 7,2.

https://twitter.com/TVFANB/status/2069934147053686825

As autoridades foram mobilizadas de imediato para avaliar danos, assistir os feridos e procurar vítimas. Os primeiros relatos apontam para estragos consideráveis em várias estruturas. Nos vídeos que começaram a circular nas redes sociais veem-se edifícios a colapsar e há imagens e vídeos de prédios destruídos em Caracas, incluindo estragos no aeroporto da capital. Há também destroços noutras cidades. Diosdado Cabello confirmou que o sismo se sentiu com maior intensidade em Trujillo, Yaracuy, Carabobo, Aragua, Miranda, Caracas e La Guaira e falou na queda de muitos edifícios.

https://twitter.com/eldiario/status/2069909544680247400

https://twitter.com/cristiancrespoj/status/2069915624931762554

https://twitter.com/RapidReport2025/status/2069914964391772556

https://twitter.com/BNODesk/status/2069915826791039314

https://twitter.com/WeatherMonitors/status/2069921091833962915

https://twitter.com/eduardomenoni/status/2069915733744554112

https://twitter.com/N60Noticias/status/2069914646400667797

https://twitter.com/MeteoFedex/status/2069913046504329613

https://twitter.com/MundoEConflicto/status/2069910297763062153

https://twitter.com/vanguardiacom/status/2069908927672705097

https://twitter.com/wallstwolverine/status/2069915767840133289

https://twitter.com/DavidRIglesiasS/status/2069914632978899241

No site da Presidência da República, António José Seguro já escreveu que está a seguir com atenção a situação na Venezuela e dos portugueses que lá vivem. “O Presidente da República manifesta a sua profunda consternação perante o forte sismo que atingiu a Venezuela e acompanha, com preocupação, os desenvolvimentos da situação”, escreve Seguro, acrescentando que “neste momento ainda de incerteza”, dirige “ao povo venezuelano, aos portugueses aí residentes e às autoridades da República da Venezuela uma mensagem de solidariedade e esperança.”

O forte abalo levou o sistema de alerta sísmico para dispositivos Android a enviar notificações automáticas a milhares de utilizadores na Venezuela e em países vizinhos, recomendando que procurassem abrigo através da regra “Agachar, Cobrir e Agarrar”. O Centro de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos emitiu entretanto um aviso para a região das Caraíbas, indicando que o sismo poderia gerar ondas perigosas junto à costa venezuelana e de áreas próximas, mesmo nos EUA. Os alertas de tsunami foram entretanto desativados.

A sequência de dois grandes sismos em poucos minutos é um fenómeno pouco frequente e deverá agora ser analisada pelos sismólogos para perceber se o segundo abalo, de magnitude 7,5, foi uma réplica excecionalmente forte do primeiro, de 7,2, ou se ambos resultaram da rutura de segmentos diferentes da mesma falha tectónica. A costa norte da Venezuela situa-se na fronteira entre as placas das Caraíbas e da América do Sul, que se deslocam cerca de dois centímetros por ano. É uma das regiões de maior atividade sísmica do continente, onde a energia acumulada pelo movimento constante das placas é libertada através de grandes terramotos.

Devem registar-se ainda dezenas de réplicas nas próximas horas e dias, algumas potencialmente superiores a magnitude 5 ou 6. O maior terramoto registado recentemente na Venezuela ocorreu em agosto de 2018, quando um sismo de magnitude 7,3 atingiu o estado de Sucre e foi sentido em vários países das Caraíbas e da América do Sul.