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O que aconteceu em 1962 voltou a repetir-se em 2026, mas com uma espécie de desforra entre os protagonistas. Há 64 anos, Rep. Checa e México encontraram-se pela primeira e única vez — até esta quinta-feira — em Campeonatos do Mundo. Na altura, a então Checoslováquia já estava apurada para a fase seguinte do Mundial do Chile, ao passo que os mexicanos, que perderam os dois primeiros jogos, queriam deixar uma boa imagem na despedida da competição. E assim foi. Os checoslovacos até marcaram logo no primeiro minuto, mas a seleção da América do Norte completou a reviravolta com três golos de Isidoro Días, Alfredo del Águilla e Héctor Hernández (3-1). Essa foi a primeira derrota de uma Checoslováquia que só parou na final, onde foi travada pelo Brasil. Volvidas mais de seis décadas, os dois países voltaram a encontrar-se num cenário idêntico, dado que o México já estava apurado no primeiro lugar do grupo A e a Rep. Checa estava obrigada a ganhar para ainda sonhar com o apuramento.
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“É claro que sabemos que vamos defrontar um adversário que somou seis pontos e que, sem dúvida, se encontra em boa forma psicológica. Vimos os dois jogos deles e vamos enfrentar um adversário muito forte, que, além disso, contará com um forte apoio dos adeptos da casa. Sabemos que os sucessos deles são realmente fascinantes. É um grande sucesso e respeitamos isso de verdade. Temos um grande respeito pelo futebol mexicano e também pelos adeptos mexicanos. No entanto, temos de nos concentrar no que precisamos de fazer. Temos de conquistar os pontos necessários, caso contrário, ficaremos de fora do Mundial. Os milagres acontecem e nada é impossível no futebol. É essa a nossa abordagem. Não podemos pensar nestes factos neste momento e temos de perseguir o nosso sonho da melhor forma possível. Precisamos de ser mais contundentes na partida, nos passes, nas tabelas e nas transições e manter mais a posse de bola”, explicou Miroslav Koubek.
“Desde o playoff que enviámos analistas para assistir aos dois jogos que a Rep. Checa disputou. Conhecemo-los muito bem, vimos os jogos de preparação e assistimos a estes dois jogos que já disputaram. É verdade que é uma equipa com grande estatura. Entre as 48 equipas, creio que é a quarta ou quinta com a média mais alta, mas isso não significa que se limitem ao jogo aéreo. Também têm qualidade, sabem jogar no chão e temos muito respeito por eles. Rep. Checa? É uma equipa muito organizada e muito física. O treinador utilizou 19 jogadores [nas duas primeiras jornadas], o que demonstra que confia plenamente na sua equipa. A única dúvida que temos é se vai jogar com um ou dois avançados, porque alterou a formação contra a África do Sul e a Coreia do Sul. Isso altera um pouco a nossa estratégia”, perspetivou Javier Aguirre na antecâmara do último jogo da fase de grupos.
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Conhecidas as equipas, Ladislav Krejcí manteve-se no onze da Rep. Checa, apesar de ter começado o jogo em risco de falhar o próximo jogo, por conta dos amarelos. Assim, Koubek fez três alterações, lançando David Doudera no meio-campo, por troca com Vladimir Darida, e Pavel Sulc e Denis Visinsky no ataque, no apoio a Adam Hlozek, deixando Alexandr Sojka e Patrik Schick no banco. O ex-Benfica David Jurásek continua lesionado e voltou a não marcar presença na ficha de jogo. No México, Aguirre fez cinco alterações no seu onze: César Montes, Israel Reyes, Mateo Chávez, Gilberto Mora e Guillermo Martínez foram titulares, saindo Johan Vásquez, Erik Lira, Jesús Gallardo, Brian Gutiérrez e Raúl Jiménez.
Os repre acabaram por ter uma entrada afirmativa na partida e colecionaram a primeira oportunidade, com Hlozek a arrancar pela direita e a desferir um cruzamento atabalhoado, que acabou num remate muito perigoso de Visinsky, que saiu a rasar o poste (8′). A partir daí o jogo acalmou, embora com maior ascendente para a seleção europeia, que tentou contrariar os olés que se ouviam nas bancadas. A resposta tricolor saiu numa jogada semelhante, com Reyes a aproveitar um corte incompleto da defensiva checa para desferir um pontapé de bicicleta que saiu ao lado (37′). No lance seguinte, o ex-FC Porto Jorge Sánchez desferiu o primeiro remate enquadrado, com Matej Kovár a defender ao primeiro poste (39′). A fechar a primeira parte, Julián Quiñones deambulou da esquerda para o meio e atirou forte de fora da área, com a bola a sair por cima da trave (45+3′).
A etapa complementar abriu noutra toada, com o México a mostrar todos os seus pergaminhos ofensivos. A abrir, Luis Romo ganhou várias divididas no último terço e tocou na altura certa para Chávez que, já dentro da área, desferiu um remate cruzado para o golo inaugural (55′). Pouco depois, numa jogada pela direita, Mora isolou Sánchez com um grande passe, Kovár ainda defendeu, a bola ressaltou no lateral, Tomás Holes também cortou contra o antigo dragão e, na recarga, Quiñones acabou por encostar para a baliza deserta (61′). Depois da pausa para hidratação, Guillermo Ochoa saiu do banco para ser brindado pelos aplausos no mítico Azteca, naquele que foi, muito provavelmente, o seu jogo de despedida dos Mundiais, ao cabo de seis edições. A fechar, os tricolores fizeram o 0-3 final numa bola longa de Ochoa para a direita, que terminou com Roberto Alvarado a servir Álvaro Fidalgo para o remate certeiro (90+4′).
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A estrela
- Estreou-se num Campeonato do Mundo logo a titular e a… marcar. Esta foi uma noite histórica para Mateo Chávez, lateral de 22 anos que despontou no AZ Alkmaar durante a época, naquela que foi a sua primeira experiência fora do México. Depois de não ter saído do banco nos dois primeiros jogos da fase de grupos, Chávez fez parte da rotação de Javier Aguirre e contribuiu para o golo que abriu as contas no Azteca, numa jogada em que mostrou faro de golo dentro da área checa.
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O joker
- Aos 17 anos e 253 dias, Gilberto Mora tornou-se no titular mais jovem de sempre do México num Mundial e no sexto mais novo de toda a história da competição. Para além disso, desde 2002 que não havia um jogador tão jovem a começar um jogo do Mundial. O médio voltou a merecer a confiança de Javier Aguirre, que acabou por colher os frutos da sua aposta, com Mora a mostrar um futebol de qualidade com bola e entrelinhas, e a contribuir para o segundo golo com um grande passe para Jorge Sánchez.
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A sentença
- Pela primeira vez na sua história, o México terminou a fase de grupos só com vitórias e sem sofrer qualquer golo, sendo que esta foi apenas a quarta vez que os tricolores foram primeiros classificados no seu agrupamento, com 2026 a juntar-se a 2002, 1994 e 1986. Nos 16 avos de final, os mexicanos vão defrontar o terceiro classificado dos grupos C, E, F, H ou I — para já é a Escócia —, numa partida que está agendada para 30 de junho igualmente no Azteca.
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A mentira
- Sem brio e com apenas um ponto conseguido aos 83 minutos, de penálti, no jogo contra a África do Sul, a Rep. Checa está fora do Campeonato do Mundo no último lugar do grupo A, o que acaba por ser uma das maiores surpresas da competição. Esperava-se mais de uma equipa que conta com Patrik Schick e Adam Hlozek no ataque, mas que só conseguiu marcar dois golos no decorrer da competição. O rendimento foi fraco e a goleada a final assim o espelha.
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