Austin Franklin, de 29 anos, e Kevin Akoto, de 26, vão assistir a todas as 104 partidas do Mundial de 2026. Sob os olhares de milhares de pedestres e turistas, dentro de um estúdio envidraçado no coração de Times Square, em Nova Iorque, o trabalho renderá a cada um quase 50 mil euros.
Durante 39 dias, além de assistir aos jogos, a dupla tem a missão de criar conteúdo para as redes sociais, gravar as suas reações e interagir com o público, como descreveu a FOX na altura em que lançou esta oportunidade.
Selecionados entre milhares de adeptos que enviaram vídeos de inscrição, os jovens precisaram de fazer sacrifícios para assumir o posto. Kevin Akoto, que vive na Flórida, levou a oportunidade tão a sério que pediu a demissão do emprego que tinha na restauração e terminou o relação com a namorada. “O meu chefe aceitou bem, a outra pessoa um pouco menos, mas tudo bem”, revelou Akoto, citado pelo Le Figaro.
Já Austin Franklin, de 29 anos, é um influencer digital de Filadélfia. Para ele, esta experiência é surreal. “Tem parecido um pouco o Truman Show“, disse, segundo o The Guardian. “Às vezes eu esqueço-me de que estamos aqui. Fico focado no jogo por minutos e, quando olho para o lado, vejo pessoas coladas no vidro”, referiu.
O cenário do trabalho é, de certa forma, peculiar: simula o conforto de uma sala de estar com sofás confortáveis colocados em frente a dois grandes ecrãs de televisão, um tapete de relva sintética e cachecóis de seleções rivais a decorar as paredes.
A exposição constante gera curiosidades entre os pedestres. Segundo Franklin, a pergunta que mais ouvem é: “Onde é que vão à casa de banho?”. Como ele explicou, nos 15 minutos de intervalo que tem, procura a casa de banho mais próxima do local.
Apesar de terem sempre as agendas ocupadas, os jovens insistem que não se cansam. Aliás, acabam por presenciar momentos inesquecíveis. No dia da abertura do torneio, quando o México venceu a África do Sul, Franklin teve um encontro especial: “Havia uma mulher sentada numa cadeira logo atrás de mim, do lado de fora do vidro, assistindo aos 90 minutos. No final, fui até lá e agradeci pela companhia. Ela deu-me um grande abraço e contou que nasceu no México, mudou-se para Nova Iorque e disse que costumava ver todos os jogos da seleção com o pai, que faleceu há alguns anos“.
Sobre a prestação do próprio país no Mundial, Franklin demonstrou algum entusiasmo. “Quem sabe o que os EUA podem fazer”, mencionou. No entanto, Akoto tem uma opinião diferente: “Eu sou bem pessimista. Mas é bom estar perto de alguém positivo, que consegue trazer essa energia”, defendeu.
Akoto assume que alguns jogos são menos interessantes, mas destacou que “também há partidas muito emocionantes”. Uma das destacadas foi a de Portugal contra o Uzbequistão. Para o confronto, Akoto vestiu um boné com as cores de Portugal e montou um conjunto de Lego que se assemelhava a Cristiano Ronaldo.
Como contou Franklin, os dois estão a ser pagos para fazer algo de que gostam. “No final de contas, estou sentado num sofá a assistir a futebol. É muito divertido”, concluiu. “Nós temos, basicamente, o emprego perfeito“, terminou.