A ideia já tinha sido avançada pelo selecionador do Irão numa entrevista ao jornal The Telegraph, mas acabou por mesmo ser confirmada. Os EUA decidiram amenizar as restrições impostas à seleção iraniana no Mundial 2026, permitindo que a comitiva viaje para o próximo jogo dois dias antes do apito inicial — ao invés de no próprio dia, como aconteceu nas duas jornadas iniciais.
Assim sendo, o Irão viaja já esta quarta-feira para Seattle, onde na sexta-feira (madrugada de sábado em Portugal continental) defronta o Egito no terceiro e último jogo do Grupo G. Os iranianos estão concentrados em Tijuana, cidade mexicana que fica praticamente na fronteira com os EUA, e viajaram para território norte-americano no próprio dia dos jogos contra Nova Zelândia e Bélgica, regressando ao México logo depois do apito final.
https://observador.pt/2026/06/22/o-espirito-do-irao-permanece-vivo-e-firme-iranianos-deixaram-mensagem-escrita-a-mao-no-balneario-em-los-angeles/
Na mesma entrevista ao jornal The Telegraph, Amir Ghalenoei contou que o Irão já tinha pedido para viajar com maior antecedência para o jogo contra a Bélgica, que aconteceu no passado domingo, mas o pedido foi negado — ainda que Andrew Giuliani, que lidera a taskforce criada por Donald Trump para o Mundial 2026, tenha garantido ao jornal inglês que os EUA estavam abertos a uma suavização das restrições.
“Parece que podem permitir que viajemos mais cedo para Seattle. Tenho pena de que não tenham feito o mesmo para os primeiros dois jogos e de que não tenham permitido que chegássemos aqui duas semanas antes do início do Mundial, para chegarmos em condições ótimas. Roubaram-nos essa oportunidade. Se podem fazer isto agora também podiam ter feito para os outros dois jogos. Acho que foi uma injustiça. Espero que o mundo possa alcançar a paz e este comportamento não se torne institucionalizado nos Mundiais”, disse o selecionador iraniano.
https://observador.pt/2026/06/21/eles-querem-respostas-mas-continuam-a-responder-a-tudo-dentro-de-campo-a-cronica-do-belgica-irao/
De recordar que o assunto também foi tema em Genebra, onde o embaixador do Irão junto das Nações Unidas condenou o tratamento que a seleção iraniana está a receber no Campeonato do Mundo por parte dos EUA. “Os EUA instrumentalizaram todas as obrigações que tinham com todas as equipas para exercer pressão sobre a nossa”, explicou Ali Bahreini, lembrando que os norte-americanos demoraram semanas a atribuir os vistos necessários para a comitiva que está no Mundial 2026 e até deixaram vários elementos do staff sem visto e sem possibilidade de viajar para o país.
O Irão tem atualmente dois pontos no Grupo G do Mundial 2026, tendo empatado com a Nova Zelândia (2-2) e a Bélgica e estando no segundo lugar atrás do Egito, que tem quatro pontos, e à frente dos belgas e dos neozelandeses. Os iranianos defrontam os egípcios na terceira e última jornada na madrugada do próximo sábado (4h), em Seattle, e alimentam a possibilidade de ainda chegarem aos 16 avos de final da competição.
https://observador.pt/2026/06/08/os-15-vistos-que-faltaram-a-duvida-sobre-as-viagens-e-o-pin-que-lembra-um-ataque-irao-ja-chegou-ao-mundial-2026/