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Fact Check. Trump diz que Papa é "insulto a Jesus" e Leão XIV responde com caso Epstein?

Entre Leão XIV e Donald Trump tem predominado um clima de conflito público, com apreciações críticas do Papa aos conflitos armados e a resposta do presidente dos EUA. Mas não com nos termos expostos.

Rita Tavares
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A frase

Trump diz que Papa é ‘insulto a Jesus’ e Leão XIV responde com caso Epstein.

— Utilizador de Instagram, 23 de junho de 2026

A relação entre Donald Trump e o Papa Leão XIV tem tido alguns episódios de tensão pública, com a divergência a acentuar-se quando o tema são os conflitos em curso, nomeadamente o ataque ao Irão pelos EUA e Israel. Mas será verdade que o Presidente dos EUA disse que o atual Papa é um “insulto a Jesus” e que este lhe terá respondido com uma referência ao “encobrimento” dos ficheiros Epstein?

Uma publicação que circula nas redes sociais fala de um suposto ataque de Trump ao Papa e em como este lhe deu um “sermão impetuoso em resposta que ele jamais esquecerá”. “Donald Trump pensou que poderia ganhar pontos políticos fáceis chamando o Papa Leão XIV de ‘insulto a Jesus’ porque o pontífice é ‘extremamente inteligente’ e acredita que Deus não discrimina com base no género”, consta no longo texto da publicação.

Logo de seguida conta-se que o Papa teria respondido, num “acerto de contas moral”: “Querem saber o que insulta Jesus? Expulsar os doentes do sistema de saúde enquanto corta impostos para bilionários (…) deportar estrangeiros e separar crianças das suas mães” ou “bombardear crianças inocentes no Irão” ou ainda “acobertar [encobrir] os arquivos de Epstein e depois recusar-se a processar uma única pessoa.”

O texto prossegue com afirmações atribuídas a Leão XIV sobre Donald Trump, mas não há registo de que alguma delas tenha sido proferida pelo Papa. Embora seja verdade que a tensão entre os dois exista e que tenha até havido troca (indireta) de argumentos no espaço público, não há registo credível (em canais oficiais ou em órgãos de comunicação social) de uma afirmação de Trump como a que consta na publicação em relação ao Papa. Nem de uma resposta de Leão XIV nos termos descritos.

Trump já chamou o Papa Leão XIV de “fraco no combate ao crime” e “péssimo na política externa”, criticou a sua posição sobre a guerra com o Irão e publicou (e depois apagou) uma imagem manipulada em que aparece com iconografia semelhante à de Jesus Cristo.

Por seu lado, Leão XIV respondeu à parte concreta sobre os conflitos armados, dizendo que não pretendia “de todo” entrar em diálogo com o Presidente dos EUA — que disse não recear — e prometendo que continuará o seu caminho “proclamando a mensagem do Evangelho”. “Não quero entrar em debate com ele. Não acho que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada da maneira como algumas pessoas estão a fazer.”

O Presidente dos EUA tinha dito não querer um “Papa que ache que está bem o Irão ter uma arma nuclear”, que “considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela” e que “critique o Presidente dos Estados Unidos quando está a fazer exatamente aquilo para que foi eleito”. E isto depois de, no dia seguinte a ter lançado a Operação Fúria Épica (a ofensiva contra o Irão), ter ouvido Leão XIV afirmar que “a estabilidade e a paz não se constroem através de ameaças mútuas ou armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas apenas através de um diálogo razoável, autêntico e responsável”.

O Papa foi claro no apelo ao cessar-fogo na região — que Donald Trump recusou — e apontou aos “milhares de inocentes mortos e muitos outros forçados a abandonar os seus lares”. E já depois das críticas do Presidente dos EUA, afirmou que “o Evangelho é claro” e que “a Igreja tem a obrigação moral de ser contra a guerra”, condenando o uso da religião para fins militares, económicos e políticos e afirmando que “o mundo está a ser destruído por alguns tiranos”.

Conclusão

A relação entre Donald Trump e o Papa Leão XIV tem sido marcada por alguma tensão e tem predominado um clima de conflito público, com troca de acusações e críticas diretas entre os dois, sobretudo a propósito da guerra com o Irão e da política externa americana (e até na política interna, como imigração e refugiados). No entanto, não existe registo credível da existência destas frases concretas que são atribuídas a ambos nesta publicação.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.