França confirmou, esta quarta-feira, o primeiro caso de Ébola no país. De acordo com o Ministério da Saúde francês, citado pelo Le Monde, trata-se de um médico que regressou recentemente de uma missão humanitária na República Democrática do Congo, país que está a enfrentar um surto da doença contagiosa.
O médico, que trabalha para a ONG Alima, apresenta uma carga viral “muito baixa”, anunciou o ministério francês, acrescentando que o homem “embarcou num voo comercial a partir de Kinshasa praticamente assintomático, apresentando apenas dores de cabeça” e o seu estado “deteriorou-se ligeiramente durante o voo”, tendo recebido cuidados médicos imediatos assim que aterrou em Paris.
O profissional de saúde está a ser acompanhado pelas entidades competentes, que ativaram os protocolos previstos para este tipo de situação, tendo sido isolado logo após a chegada ao país, antes mesmo de a doença ser oficialmente identificada. “Todas as medidas de precaução, incluindo o isolamento do paciente, foram tomadas assim que ele chegou, com uma transferência para o hospital em condições seguras, a fim de evitar qualquer risco de contaminação”, afirmou o ministério tutelado por Stéphanie Rist.
De acordo com o Le Parisien, o médico encontra-se em condição estável e fontes próximas do Governo garantiram que o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, está a acompanhar a situação de “muito perto”.
A companhia aérea onde o médico viajou, a Air France, emitiu um comunicado, no qual “confirma ter sido informada pelas autoridades estatais de que um passageiro que viajava a bordo do voo AF736 Kinshasa — Paris foi assistido pelos serviços médicos após ter chegado a Charles de Gaulle no dia 23 de junho de 2026″.
“A Air France está em contacto com as autoridades sanitárias e colocou à sua disposição a lista de passageiros do voo. O contacto com estes passageiros está a ser assegurado pelas autoridades”, acrescentou a companhia.
Esta é a primeira vez que um caso de doença pelo vírus Ébola é diagnosticado no país. Em 2014, durante um grande surto na África Ocidental, dois pacientes foram internados em França, mas já depois de terem sido diagnosticados noutro país.
França dispõe de infraestruturas especializadas para o tratamento de doenças altamente contagiosas, com unidades hospitalares equipadas com sistemas de pressão negativa e medidas rigorosas de biossegurança, sublinhou o Ministério da Saúde.
Paralelamente, foi lançada uma investigação epidemiológica para identificar as pessoas que possam ter tido contacto com o caso confirmado. Esses contactos serão localizados pela agência regional de saúde e deverão cumprir um isolamento domiciliário de 21 dias, com acompanhamento médico durante todo o período.
Esta epidemia de Ébola, causada pelo raro vírus Bundibugyo, para o qual não existem vacinas nem tratamento, foi a pior alguma vez registada no seu primeiro mês na República Democrática do Congo. O Governo deste país elevou o número de mortes para 254, estando incluídas nos 1.003 casos confirmados.
https://observador.pt/2026/06/22/numero-de-mortes-por-ebola-sobe-para-254-na-republica-democratica-do-congo/
As autoridades admitem que pode haver muitos mais casos ainda desconhecidos e que o pico do surto ainda está para acontecer no país. A epidemia alastrou-se também para o vizinho Uganda, onde foram detetados 19 casos confirmados, incluindo 14 casos considerados importados da RDCongo, com duas mortes.
A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia em 17 de maio como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”.
O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.
Notícia atualizada às 16h30 desta quarta-feira com o comunicado da Air France