O piloto do caça norte-americano abatido em abril nos céus do Irão disse aos serviços secretos dos EUA que viu um enxame de drones a ir na direção do avião de combate, antes de este ser atingido e se ter despenhado. A ação conjunta dos vários drones — que se moviam em conjunto — pode ter contribuído para a queda do caça F-15, que ainda está sob investigação, segundo o relato de quatro fontes conhecedoras do tema, citadas pela CNN.
O relato do piloto, cuja identidade ainda não foi revelada, foi partilhado com oficiais dos serviços secretos norte-americanos durante um interrogatório após o incidente. O piloto afirma ter visto um “campo minado de drones” que se moviam em conjunto e na mesma direção. “Vários drones interligados e a moverem-se como um só, com drones menores debaixo dos maiores, como se fossem pernas”, descreve uma das fontes citadas pela CNN, falando mesmo numa “coisa alienígena”.
A confirmar-se o relato do piloto, o Irão pode ter desenvolvido significativamente as capacidades militares no campo dos drones, tornando-os muito mais eficientes no combate aéreo — algo que preocupa as autoridades dos EUA. Os serviços secretos dos EUA não tinham conhecimento de que o Irão tivesse em sua posse a tecnologia ‘one-to-many meshed networking’ — que permite que vários drones retransmitam sinais entre si através de modems de rádio, mantendo a comunicação a longas distâncias. Com esta tecnologia (que países como a Rússia e a China já possuem) vários drones podem ser controlados apenas por um operador.
Segundo as fontes ouvidas pela CNN, é possível que este grupo de drones tenha abatido o caça F-15 norte-americano.
https://observador.pt/2026/04/05/escondido-nas-montanhas-e-ferido-piloto-dos-eua-foi-resgatado-com-a-ajuda-da-cia-numa-das-missoes-mais-complexas-das-operacoes-especiais/
O avião de combate transportava uma tripulação de dois pilotos, sendo que o piloto que descreveu a situação era o oficial de sistemas de armas. As forças americanas iniciaram imediatamente as operações de busca e resgate para retirar o militar de território inimigo, naquela que foi descrita como uma das missões “mais complexas” das operações especiais norte-americanas. O militar passou pelo menos um dia escondido, e ferido, na cordilheira montanhosa de Zagros, que se estende pelo oeste e sul do Irão.
Inicialmente, a CIA desencadeou uma campanha de desinformação espalhando dentro do Irão a informação de que as forças norte-americanas já tinham encontrado o militar e estavam a tentar uma extração do piloto por terra. Era falso. O objetivo terá sido iludir o Irão, de forma a ganhar tempo para proceder à operação de resgate e manter os iranianos longe do piloto. A operação de resgate foi conduzida por uma unidade de fuzileiros das forças especiais (SEAL), que contou com um amplo apoio aéreo.
No entanto, as autoridades norte-americanas estão, ainda, a tentar perceber o que motivou a queda do avião de combate F-15.
No seio dos serviços secretos, subsistem dúvidas quanto ao relato do piloto, uma vez que o militar sofreu uma concussão na queda. Além disso, foi a segunda vez que o mesmo militar esteve envolvido num incidente do género no espaço de poucas semanas. No início do conflito, em março, este piloto estava também entre os militares que tripulavam um dos três caças F-15 abatidos por um incidente de fogo amigo envolvendo as forças do Kuwait.