Com as tempestades no início do ano e a guerra no Médio Oriente, Portugal não conseguiu manter as contas públicas em cima da linha de água. No primeiro trimestre deste ano o saldo orçamental foi negativo, segundo divulgou esta quarta-feira o INE. O défice no primeiro trimestre atingiu os 0,7% do PIB.
“Considerando os valores trimestrais e não o ano acabado no trimestre, o saldo das AP no 1º trimestre de 2026 fixou-se em -510 milhões de euros, correspondendo a -0,7% do PIB, o que compara com 0,0% no período homólogo”, indica o INE.
São 510 milhões de défice, com a despesa total a subir 7,9%, acima da subida das receitas de 6%.
O INE indica que a receita corrente subiu 5,5%, com os impostos sobre rendimentos e património a aumentarem 1,6% face ao período homólogo. Os impostos sobre a produção e importações subiram 4,3%. O crescimento de 29% na receita de capital está relacionado com o Plano de Recuperação e Resiliência.
Na despesa já se nota o investimento a escalar, subiu 29,2% para 1,6 mil milhões. A despesa corrente subiu 6,4% pela subida também relacionada com subsídios (9,7%), consumo intermédio (7,0%), remunerações dos empregados (6,7%), encargos com prestações sociais (4,6%) e encargos com juros (1,1%).
A despesa corrente primária, que exclui os juros, subiu 6,7%, pesando 34,8% do PIB.
Depois do excedente de 0,7% em 2025, o Governo ainda aponta a um saldo nulo para este ano, mas Joaquim Miranda Sarmento até já admitiu poder fechar 2026 com um ligeiro défice.

Considerando um conjunto de 12 meses, o défice do primeiro trimestre ainda não apaga o excedente de um ano que fica nos 0,5%.