(c) 2023 am|dev

(A) :: Keiko Fujimori confirma vitória nas eleições presidenciais do Peru com pequena margem de votos

Keiko Fujimori confirma vitória nas eleições presidenciais do Peru com pequena margem de votos

Depois de uma segunda volta renhida, a candidata de direita Fujimori somou 50,11% dos votos válidos contra 49,88% de Sánchez. O candidato pediu a anulação da votação no exterior, por suposta fraude.

Agência Lusa
text

A candidata de direita peruana Keiko Fujimori garantiu esta quarta-feira uma margem suficiente para vencer a segunda volta das eleições presidenciais e aguarda o anúncio oficial dos resultados, divulgou a imprensa internacional. O candidato de esquerda, Roberto Sánchez, denunciou supostas fraudes e pediu a anulação da votação no exterior.

Com 99,79% dos votos contados da segunda volta das eleições presidenciais, Fujimori soma 50,11% dos votos válidos contra 49,88% de Sánchez, uma diferença estreita que já não poderá ser revertida, dado que restam cerca de 38.200 votos por contabilizar para ambos os candidatos.

Até à noite de terça-feira faltavam escrutinar 191 boletins eleitorais, o equivalente a 0,2% do total das 92.766 mesas instaladas na votação de 7 de junho, cada uma com cerca de 200 votos em média.

Sánchez, líder do partido Juntos pelo Peru, argumenta que a votação no exterior foi gravemente afetada pela decisão de o Ministério dos Negócios Estrangeiros dispensar os consulados de enviar digitalmente os resultados, remetendo fisicamente as atas para Lima.

O candidato pediu para anular os votos no exterior da segunda volta presidencial frente à candidata de direita, tendo o pedido sido rejeitado por um júri eleitoral do Peru, na terça-feira.

A resolução refere-se às mesas de votação sob responsabilidade das repartições consulares na África, América do Norte, América Central e Caribe, América do Sul, Ásia e Médio Oriente, Europa e Oceânia, precisou um comunicado do Jurado Nacional de Eleições (JNE).

A autoridade máxima eleitoral esclareceu que o pedido de nulidade foi apresentado fora de prazo e sem o pagamento da taxa eleitoral por parte do partido Juntos pelo Peru, liderado por Sánchez, incumprindo assim a normativa eleitoral.

Nem Sánchez nem o seu partido se tinham oposto previamente ao envio físico das atas do exterior para Lima, e as missões internacionais de observação eleitoral não identificaram indícios de fraude.

O candidato, que concorreu em nome do ex-presidente Pedro Castillo (2021-2022), atualmente preso, denunciou ainda que o transporte das atas se fez sem garantias contra manipulação.

Segundo afirmou, irregularidades administrativas e na conservação do material eleitoral teriam afetado o sufrágio fora do país, que representa cerca de 300.000 votos e beneficiou amplamente a sua rival. De acordo com Sánchez, excluindo os votos emitidos fora do território nacional, teria uma vantagem de cerca de 25.000 votos sobre Keiko Fujimori.

“Esta irregularidade grave configura uma fraude em curso”, afirmou, acrescentando que não reconhecerá o governo de Fujimori e apelando à mobilização popular “para defender a democracia e evitar mais cinco anos de captura das instituições”.

Em resposta, o candidato a vice-presidente de Fujimori, Luis Galarreta, acusou Sánchez de ser “antidemocrático” e pediu celeridade às autoridades eleitorais para divulgar o resultado definitivo, considerando que a demora abre espaço a posições de contestação.

A organização civil Transparência rejeitou igualmente as acusações sem provas e reiterou que, na observação realizada em mais de dez cidades no estrangeiro, “não encontrou situação alguma que comprometesse a integridade da jornada eleitoral”.

Uma missão da União Europeia considerou igualmente que a segunda volta decorreu de forma “calma e ordenada”, apesar de uma campanha fortemente polarizada.

A segunda volta de 7 de junho resultou numa das disputas mais renhidas da história recente da América Latina, com os dois candidatos a alternarem na liderança da contagem até que Keiko Fujimori foi consolidando a vantagem.

O escrutínio era particularmente aguardado num país marcado por forte instabilidade política. Desde 2016, oito presidentes sucederam-se na chefia do Peru, em meio a crises institucionais repetidas.