Há quem diga que o melhor é uma boa conversa. Outros afirmam ser mais eficaz uns bons copos. Mas depois de que vimos ontem, creio ter ficado claro que nada melhor do que um bom Uzbequistão para reconciliar (quase) todo um país com o seu melhor futebolista de sempre. É verdade que o Cristiano ainda “só” marcou dois golos, estando longe dos 5 que o Messi já tem, mas nesta disputa é possível que o Messi seja a lebre e o Cristiano a tartaruga. Também porque confio que o Ronaldo venha lá de trás, lançado, e ultrapasse o argentino, mas mais por já ter provado ter uma casca muito grossa para aturar todo a sorte de críticas palermas.
Quanto ao Uzbequistão, é aproveitarmos agora para fazer pouco, tipo o Borat com o vizinho Cazaquistão. Que, ao ritmo de crescimento que a coisa leva, este país asiático quatro vezes maior e quatro vezes mais populoso que Portugal vai precisar de meros 25 aninhos para, também ele, nos ultrapassar em termos de riqueza. E uma vez que a fase de grupos do Mundial não nos obriga a fazer grandes contas, se calhar podíamos focar-nos nestas.
Quem também andou a fazer contas foi o Instituto Nacional de Estatística. O INE fez umas contas de somar e descobriu que a população portuguesa se multiplicou até aos 11,5 milhões. É verdade, a realidade voltou a teimar em contradizer António Costa: desde 2021, sempre entrou mais um ou outro imigrante, que é como quem diz para cima de 800 mil. Contando apenas aqueles cuja entrada conseguimos, de facto, contar, somou-se à população portuguesa, em 5 anos, a população de uma Lisboa mais um Porto. E ainda há quem insista que os clássicos planos quinquenais socialistas estão sempre condenados ao fracasso: desculpem, mas esta importação de eleitorado sob a forma de mão de obra semi-escrava, criando a ilusão de crescimento por via do aumento do PIB, foi um sucesso retumbante.
Sim, mas e a pressão sobre hospitais, escolas, justiça e segurança?, perguntarão os ainda não totalmente “zombificados”. Então mas não acabaram de ouvir que o PIB está a crescer, seus muito em breve walking deads? O PIB está a crescer e é a um ritmo quase tão acelerado como o da lista de Roménias que continuam a ultrapassar-nos em PIB per capita, ou seja, em riqueza média por pessoa.
Porque a subida do PIB não significa estarmos mais ricos. E isto só não é tão óbvio como se imagina, por não ser difícil imaginar as desgraçadas consequências de décadas de sistema de ensino manietado por comunistas. Pego num exemplo que escutei a Konstantin Kisin — que devem por sua vez escutar, na condição de tal não vos tirar tempo à leitura desta crónica — ao qual acrescentei algum colorido, de modo algum autobiográfico.
Imaginem que vivem com o(a) vosso(a) cônjuge e dois filhos e que, como agregado familiar, têm um rendimento anual de (para facilitar as contas e a depressão) 100.000€. Ou seja, o PIB da vossa família — o valor da riqueza que vocês produzem anualmente — é de 100.000€. Ora, como a vossa família tem quatro pessoas, o PIB per capita é de 25.000€. Ou seja, em média, cada elemento da vossa família tem 25.000€ por ano para viver.
Agora, imaginem que os vossos sogros, reformados, vêm viver convosco. E que para lá das sessões de visionamento de todos os êxitos de Steven Seagal que o vosso sogro faz ao sábado, acompanhadas pela ininterrupta degustação de pevides envergando apenas umas cuecas — slip, não boxer, obviamente — a presença dos vossos sogros traz também para o agregado familiar (além de quilos de cascas e sal entre as almofadas do sofá) um valor anual de rendimentos de 20.000€.
Isto é, o total de rendimentos do vosso agregado familiar — o vosso PIB — passou de 100.000€ para 120.000€. Portanto, cresceu 20%. No entanto, o vosso agregado familiar, que tinha quatro pessoas, tem agora seis. Significa isto que o PIB per capita passou de 100.000€ a dividir por 4, ou seja, 25.000€, para 120.000€ a dividir por 6, ou seja, 20.000€.
Portanto, o PIB cresceu 20%, mas o PIB per capita caiu 20%. A riqueza total da família aumentou 20%, mas o que cada um tem para viver diminuiu 20%. Como quem entrou no agregado familiar é “menos produtivo” do que quem já estava no agregado familiar, a riqueza média diminuiu. E se continuasse a entrar gente que acrescentasse cada vez menos do que quem entrou antes, o valor do PIB per capita tenderia para zero. O que só espantaria quem subestima a capacidade do socialismo nos deixar, inclusive, abaixo de zero?
Como será o caso do primeiro-ministro, Luís Montenegro. Daí esta ideia brilhante de um Fundo Soberano para o estado investir em empresas estratégicas. Por acaso, quando dou por mim a imaginar o futuro de Portugal, depois de consumir uma quantidade ainda socialmente aceitável mas já não irrelevante de bebidas espirituosas, também acabo muitas vezes a divagar: fogo, o que este país precisava mesmo, mas mesmo, e muito urgentemente, aquilo que nos podia, enfim!, colocar no rumo do prosperidade, era o estado ter só mais um bocadinho de peso na economia. Eh pá, deixem-me sonhar. Mas, pelo sim, pelo não, tomo já dois ou três Guronsans.
Enquanto não vamos rapidamente ao Fundo Soberano, é esperar que a nossa explosão demográfica contribua para o surgimento de mais Cristianos Ronaldos. Se bem que, tendo como exemplo o que mencionei sobre PIB e PIB per capita, se calhar não devemos esperar novos CR7s: no máximo, talvez um ou outro CR5,6.