(c) 2023 am|dev

(A) :: Exame de Matemática do 9.º Ano. Ministério da Educação está a "averiguar" divulgação "lamentável" do enunciado que devia ser secreto

Exame de Matemática do 9.º Ano. Ministério da Educação está a "averiguar" divulgação "lamentável" do enunciado que devia ser secreto

Intenção do Ministério era manter o exame sigiloso de forma a permitir a comparação dos resultados dos alunos ano após ano. Contudo, foi divulgado, pelo segundo ano consecutivo.

Leonor Riso
text

O Ministério da Educação está a averiguar as causas da divulgação do enunciado do exame de Matemática do 9.º ano da primeira fase. A prova, que foi realizada pelos alunos em formato digital, deveria ser sigilosa para permitir a reutilização do enunciado e a comparação dos resultados ano após ano, começando por 2025.

Contudo, no ano passado, ocorreu uma situação semelhante e, por isso, “a elaboração da prova deste ano foi independente da prova realizada no passado ano letivo“, indica fonte oficial do Ministério da Educação. O Observador questionou o Ministério sobre se a prova de 2025 seria ou não incluída numa futura comparação de resultados, e aguarda resposta.

O exame de Matemática do 9.º Ano foi realizado em dois turnos no dia 22 de junho. Nessa mesma noite, o enunciado começou a circular na Internet, denunciou a Missão Escola Pública.

https://observador.pt/2026/06/23/exame-de-matematica-do-9o-ano-estara-a-circular-na-internet-quando-nem-todos-os-alunos-o-fizeram-alerta-missao-escola-publica/

Foram partilhados no domínio público, itens da Prova Final do 9.º ano de Matemática (92), da primeira fase, após a sua realização”, reconhece o Ministério da Educação ao Observador.

“O carácter não público das provas tem como objetivo o reforço da comparabilidade dos resultados dos alunos ao longo dos anos, contribuindo, desta forma, para melhor monitorização da aprendizagem, com um real diagnóstico da evolução das aprendizagens dos alunos no Ensino Básico e a possibilidade de decidir políticas de educação baseadas em dados comparáveis, seguindo as boas práticas internacionais”, adianta fonte oficial. “A situação verificada é lamentável, mas não tem qualquer impacto na realização e na validade da prova deste ano, nem nos resultados dos alunos nestas provas.”

Além disso, o Ministério “está a averiguar as situações de quebra do carácter não-público da prova e tomará posteriormente as medidas adequadas”.

A Missão Escola Pública exigiu uma investigação para que se apurem as responsabilidades e, à agência Lusa, considerou que a situação “demonstra que o sistema é violável e que a digitalização coloca em causa o rigor e a credibilidade da avaliação externa”.

Entre os métodos que podem ter sido usados para captar os exercícios, Cristina Mota deu como hipóteses a captura de imagens por alunos, ou o acesso remoto à plataforma usada em que, salienta, têm sido notadas fragilidades. Por isso, enquanto não forem dadas condições, a prova deve voltar a ser feita em papel, defende a Missão Escola Pública.