Estiveram na sombra de um triunfo português — o primeiro neste Campeonato do Mundo — e ainda celebraram a dúvida no marcador, depois de um grande pontapé de Ganiev à baliza de Diogo Costa, entretanto anulado. O Uzbequistão era o contraste com a festa portuguesa em Houston, embora os uzbeques soubessem da hercúlea tarefa de repetir o que tinha sido feito pela RD Congo e discutir o jogo com as Quinas. Fabio Cannavaro, selecionador do Uzbequistão, já tinha dito que o Mundial seria “uma experiência de aprendizagem” para os seus jogadores. Agora, na zona mista do NRG Stadium, depois da segunda derrota da sua seleção, afirmou que “é normal perder contra Portugal” e que não se pode “conceder um centímetro a Ronaldo”, que acabou por apontar dois golos.
O técnico italiano, que sabe o que é ganhar um Campeonato do Mundo (como jogador), recordou a sua experiência como defesa central — até hoje, o único da posição a vencer uma Bola D’Ouro — para dizer que não se pode “conceder um centímetro a Ronaldo”, sem que se seja castigado. “Não se pode conceder um centímetro a Ronaldo, porque se o fazes… Estás morto. Sofremos dois golos muito cedo de uma forma que já tinha avisado os jogadores, preparei-os para isso. Quando se defronta Portugal, tão bom no meio [e] por fora”, afirmou, antes de elogiar o capitão da Seleção Nacional. “Retirei-me há muito tempo e ele continua a jogar. Disse-lhe que pode jogar mais uns anos e continuar a desfrutar”, acrescentou.
“É normal perder contra Portugal. Pedi aos meus jogadores para serem mais corajosos e não terem medo. Na minha opinião, só com essa mentalidade é que se pode crescer como equipa e como jogador. Além disso, há uma diferença de 18 anos entre alguns jogadores das duas equipas. Como treinador, tenho de confiar nos meus jogadores, porque contra Portugal, se te limitares a defender e a fechar espaços, vais perder 99% das vezes. Porque não tentar algo diferente? Nunca lhes pedi para se fecharem atrás. Prefiro que a minha equipa tenha coragem para enfrentar os adversários, mesmo que isso implique perder”, explicou.
“O golo anulado abalou muito a nossa confiança, e é uma pena”, analisou o selecionador do conjunto asiático. “A equipa estava a começar a jogar como tinha jogado contra a Colômbia — estava a crescer no jogo, a controlar melhor a bola e a encontrar o seu ritmo. Quando deixamos de ter equilíbrio, tudo se torna muito mais difícil. A Colômbia é uma grande equipa, mas Portugal tem uma dinâmica diferente. Vi muitos jogos deles e sabem perfeitamente o que fazem. Têm algo mais”, disse.
Mas se havia um rosto que resumia a derrota, era o de Abdukodir Khusanov. O defesa central ficou a chorar no relvado quando o apito final soou. O jogador do Manchester City, que partilha o balneário de clube com Bernardo Silva e Rúben Dias — ambos em campo, mas desta vez como adversários —, não conseguiu esconder a emoção depois de ter desviado um canto para a própria baliza no quarto golo português. Bernardo Silva, que tinha entrado a 14 minutos do fim, foi um dos primeiros a aproximar-se do colega para o consolar.