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Mais de 300 cães recolhidos em Amarante numa operação contra maus-tratos: "Não há registo de um salvamento de tantos animais"

Cães encontrados em jaulas e rodeados de dejetos, numa habitação sem licenciamento para a atividade. Câmara só soube da situação na véspera. Uma mulher foi identificada.

Agência Lusa
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Uma grande operação desencadeada esta terça-feira em Amarante levou à identificação de uma mulher por alegados maus-tratos a animais e à retirada de mais de 300 cães, que estão a ser encaminhados para associações e locais de acolhimento.

Fonte do Comando Territorial do Porto da GNR disse à agência Lusa que a força de segurança deu resposta a um pedido de colaboração urgente por parte da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) relativo a uma situação eventual de crime de maus-tratos a animais de companhia e que a operação, pelas 16h30, ainda estava em curso, no concelho de Amarante.

“Neste momento estamos com 58 animais apreendidos à ordem do processo, mas ainda estamos passo a passo a fazer esta apreensão, porque o número final será bem maior”, referiu a fonte, salientando que as diligências prosseguem.

O presidente da Câmara de Amarante, Jorge Ricardo, adiantou, entretanto, que o número de animais detetados já ultrapassa os 300.

“Neste momento estão a colocar os chips nos animais e a fazer a vacinação. É uma situação preocupante de que não tínhamos conhecimento”, afirmou o autarca do distrito do Porto.

A câmara, adiantou, foi informada pela DGAV na segunda-feira à noite. “E estamos aqui a acompanhar através da nossa veterinária que está lá no local”, disse, salientando que, pelo relato que lhe foi feito, os animais estavam em más condições quer “no exterior como no interior”.

Uma situação que descreveu como muito delicada e que põe em causa a “própria saúde pública”, e que terá tido origem numa denúncia que apontava para a criação de animais para venda.

“Não posso adiantar muito mais do que isto”, disse Jorge Ricardo, que referiu que as autoridades estão a investigar o caso e que não estando o espaço a cumprir todas as condições que legalmente são exigidas, como licenciamento, o encerramento desse mesmo espaço será uma das consequências.

No âmbito das competências da câmara, o autarca informou que o espaço, localizado na freguesia de Mancelos, tinha licenciamento para habitação. “Quanto ao resto não temos conhecimento”, sublinhou.

Jorge Ricardo disse ter ficado preocupado e até admirado “pelo secretismo desta atividade” que envolvia um número avultado de animais.

“Daí a estupefação para todos nós, como é que era exercida esta atividade naquelas condições. É efetivamente um caso que dá para pensar”, apontou.

No local estão cinco veterinários, elementos do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR, da DGAV e também do Intervenção e Resgate Animal (IRA), que, nas redes sociais, escreveu que “passa a 300 o número de animais a serem explorados para a criação e comércio” e que “não há registo de um salvamento de tantos animais de companhias até à data de hoje, como este”. Alguns animais estariam em jaulas e no meio de dejetos.

Por causa da quantidade de animais, o IRA pediu o apoio de outras associações zoófilas e protetores animais para o acolhimento dos cães resgatados.