Às vezes, basta mexer uma ou outra coisa para tudo mudar. A parte mental foi vital para Portugal passar de um empate tristonho na estreia frente à RD Congo para uma feliz goleada diante do Uzbequistão mas nem tudo se resumiu a isso e as alterações introduzidas por Roberto Martínez, não só na equipa inicial mas nos posicionamentos e movimentos sobretudo do meio-campo para a frente, acabou por potenciar o melhor que a Seleção pode apresentar. Contas feitas, a par de outra atitude, intensidade e disponibilidade para o jogo, foi essa a chave para abrir a porta da redenção neste Mundial que praticamente carimbou a passagem.
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Em termos individuais, Nuno Mendes acabou por ser o grande destaque, beneficiando também de todos os movimentos por dentro que João Félix ia fazendo para tomar conta de todo o flanco esquerdo e mostrar o porquê de ser o melhor lateral da atualidade. Mas nem tudo se resumiu ao vai-vem-vai-vem-vai-vem do jogador do PSG, com os posicionamentos de Vitinha e João Neves a contribuírem para ativar a conexão mais destrutiva que Portugal pode atingir no plano ofensivo: Bruno Fernandes a criar, Ronaldo a finalizar. A par disso, destaque também para a liderança de Rúben Dias a comandar o setor recuado, para a aposta certeira na titularidade de João Félix e para a vontade com que Rafael Leão entrou para fechar a goleada.
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Diogo Costa, 6. Nem sempre tudo foi tranquilo mas ele não perdeu a tranquilidade
À partida podia dizer-se que tinha sido um dia tranquilo. Não foi – mas nem por isso perdeu alguma vez a tranquilidade. Ainda sofreu um golo indefensável num lance que seria anulado por uma falta clara sobre João Cancelo no início da jogada mas, em tudo o resto, esteve sempre presente quando o Uzbequistão conseguiu encontrar espaço para testar a meia distância. Os holofotes estiveram todos centrados do meio-campo para a frente mas, mais atrás, Portugal contou sempre com um guarda-redes seguro que deixou a baliza a zeros.
- Clube: FC Porto (Portugal)
- Internacionalizações: 45 jogos, 0 golos
- O que fez em 2025/26: 58 jogos, 5.156 minutos, 0 golos, 0 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos
João Cancelo, 7. Como fazer um jogo inteiro estando em campo apenas metade do tempo
Quando se falava na possibilidade de poder derivar para a esquerda com a entrada de Diogo Dalot para o lado direito, João Cancelo manteve a posição original do arranque deste Mundial tendo Pedro Neto à frente em vez de Bernardo Silva e mostrou aquela que é a grande valência nesta equipa: tão depressa é um defesa sem bola como se transforma num ala em posse, permitindo que o jogador que esteja nesse corredor possa jogar mais por dentro. Acabou por sair ao intervalo por uma aparente questão de gestão física mas antes tinha feito a assistência para o primeiro golo de Ronaldo entre várias incursões no último terço.
- Clube: Barcelona (Espanha) depois de Al Hilal (Arábia Saudita)
- Internacionalizações: 70 jogos, 12 golos
- O que fez em 2025/26: 39 jogos, 2.548 minutos, 5 golos, 9 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2069516555000389749
Rúben Dias, 7. Às vezes nem é preciso ser, basta estar (e ele já esteve)
Foi uma das novidades em relação ao primeiro encontro com a RD Congo, entrando para o lugar de Tomás Araújo (que sofria agora de um pequeno problema físico), e confirmou tudo aquilo que João Cancelo tinha descrito na véspera: é o líder que a defesa nacional necessita, sobretudo após a saída de um elemento como Pepe. Não conseguiu fazer a diferença nas bolas paradas ofensivas mas cumpriu em pleno na liderança de uma estrutura defensiva que só permitiu remates ao Uzbequistão de meia distância e não na área.
- Clube: Manchester City (Inglaterra)
- Internacionalizações: 78 jogos, 3 golos
- O que fez em 2025/26: 42 jogos, 3.390 minutos, 2 golos, 0 assistências, 4 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/TheP_boss/status/2069565057558536488
Renato Veiga, 5. Aquele tempo de salto falhado que era tão desnecessário…
O central do Villarreal manteve a titularidade agora ao lado de Rúben Dias, deixando de ter esse “peso extra” de ser o líder do setor recuado e podendo apenas ser aquilo que melhor sabe fazer: competitivo nos duelos, rápido a atacar a bola, lesto a fechar bolas na profundidade. Ainda assim, e numa exibição que não teve erros com consequências práticas, teve um lance onde calculou mal o tempo de salto que só não trouxe problemas porque Nuno Mendes ligou o turbo para safar a situação. Viu o único cartão amarelo de Portugal.
- Clube: Villarreal (Espanha)
- Internacionalizações: 15 jogos, 1 golo
- O que fez em 2025/26: 52 jogos, 4.001 minutos, 2 golos, 1 assistência, 8 amarelos e 1 vermelho
Nuno Mendes, 9. Uma locomotiva que só precisa que abram espaço para se tornar um TGV
Era outras das dúvidas em relação à equipa inicial, falando-se muito da possibilidade de poder descansar por mera gestão física. Roberto Martínez tinha outra ideia para o lateral e acertou em cheio: com João Félix a jogar à sua frente, sendo um elemento com características diferentes de Pedro Neto que jogava mais por dentro a dar o corredor ao jogador do PSG, Nuno Mendes foi o melhor de Portugal e do encontro com um golo, uma oportunidade flagrante criada, três passes para finalização, quatro ações defensivas ainda no meio-campo adversário, oito passes progressivos e 13 duelos ganhos entre vários registos positivos.
- Clube: PSG (França)
- Internacionalizações: 46 jogos, 2 golos
- O que fez em 2025/26: 50 jogos, 3.621 minutos, 7 golos, 8 assistências, 5 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2069499034054668393
Vitinha, 7. Mesmo sendo discreto, fez algo que tornou tudo o resto diferente
Vitinha é daqueles jogadores que não sabe jogar mal. Pode jogar muito bem, bem ou quase bem, mas tudo o resto não existe no léxico daquele que é um dos melhores médios da atualidade. O que distingue o cérebro do PSG dos demais? Tem uma varinha que, ao pautar o jogo, sendo mais ou menos discreto, consegue fazer com que tudo funcione melhor. Foi isso que aconteceu diante do Uzbequistão, jogando um pouco mais recuado para receber sem pressão mas ganhando metros com os passes para a frente que escassearam frente à RD Congo. Saiu na parte final por mera gestão física quando a partida estava resolvida e com pouca história.
- Clube: PSG (França)
- Internacionalizações: 40 jogos, 0 golos
- O que fez em 2025/26: 61 jogos, 4.888 minutos, 7 golos, 10 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/GioVitinha_/status/2069540071158566929
João Neves, 6. Fez aquilo que era preciso, mais sem bola do que em posse
Depois de ter sido um dos poucos que fugiu à mediania na partida com a RD Congo, tendo marcado o único golo nacional com uma grande entrada de cabeça ao primeiro poste, João Neves foi o médio mais discreto de todos mas nem por isso deixou de ter a sua importância. Onde? Não tanto naquilo que fez com bola mas no que conseguiu criar em termos de equilíbrio sem ela, nas transições defensivas e nas compensações que fazia às subidas dos laterais. Deu lugar a Bernardo Silva no último quarto de hora já com o jogo ganho.
- Clube: PSG (França)
- Internacionalizações: 24 jogos, 4 golos
- O que fez em 2025/26: 46 jogos, 3.295 minutos, 11 golos, 4 assistências, 2 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/MegaPSG_/status/2069498678306320601
Bruno Fernandes, 8. Os dois parceiros criaram a zona de conforto para distribuir cartas
Bruno Fernandes foi um dos jogadores que mais beneficiou com os ajustes táticos que Roberto Martínez fez em relação ao encontro inaugural. Sim, é verdade que a parte emocional e a reação ao 1-0 tiveram peso na goleada, mas a colocação de Vitinha ligeiramente mais recuado e as movimentações de João Neves deram o espaço entre linhas para o médio do Manchester United fazer o que melhor sabe: recebeu dez passes progressivos, concretizou seis passes longos com sucesso, fez seis passes progressivos, criou duas ocasiões flagrantes e fez a assistência para o 3-0 de Ronaldo, tendo ainda uma boa oportunidade para testar a meia distância na parte final do encontro que foi travada com uma defesa atenta pelo guarda-redes uzbeque.
- Clube: Manchester United (Inglaterra)
- Internacionalizações: 91 jogos, 29 golos
- O que fez em 2025/26: 48 jogos, 4.107 minutos, 13 golos, 25 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2069503677652476233
Pedro Neto, 6. A possibilidade de jogar mais vezes por dentro que lhe abriu outros horizontes
Após ter começado à esquerda o encontro com a RD Congo, tendo uma assistência logo nos minutos iniciais para o 1-0 de João Neves antes de ir caindo com o passar dos minutos, Pedro Neto voltou a ser opção no onze nacional mas pela direita. Acabou por ser substituído ao intervalo por Francisco Conceição mas a hipótese de actuar no corredor direito permitiu abrir novos horizontes no raio de ação que teve, combinando bem com João Cancelo no primeiro golo do jogo e sofrendo a falta que originou o 2-0 num livre de Nuno Mendes.
- Clube: Chelsea (Inglaterra)
- Internacionalizações: 27 jogos, 3 golos
- O que fez em 2025/26: 62 jogos, 4.310 minutos, 11 golos, 12 assistências, 8 amarelos e 1 vermelho
João Félix, 7. Voltou à equipa e voltou a fazer o que gosta: jogar futebol
Foi a principal alteração de Roberto Martínez para a partida frente ao Uzbequistão, ocupando a vaga de Bernardo Silva mas jogando a partir da esquerda e não da direita para procurar muitas vezes o centro dando a largura às entradas de Nuno Mendes. Teve um remate perigoso à meia volta de longe que passou a rasar a trave no início da segunda parte e fez uma exibição que merecia algo mais entre golos e assistências por tudo o que conseguiu fazer. Mais do que voltar à equipa, Félix voltou a fazer o que mais gosta: jogar futebol.
- Clube: Al Nassr (Arábia Saudita)
- Internacionalizações: 55 jogos, 12 golos
- O que fez em 2025/26: 57 jogos, 4.186 minutos, 29 golos, 19 assistências, 8 amarelos e 0 vermelhos
Cristiano Ronaldo, 8. A coroação do Rei que só falhou o pedestal do hat-trick
Depois de alguns dias de críticas acérrimas pela exibição que fez com a RD Congo, a resposta foi imediata e dificilmente podia ter sido melhor: marcou logo na primeira oportunidade num tipo de movimento que procurou muito mas sem sucesso na primeira parte, passando a ser o primeiro jogador da história a marcar em seis Mundiais (sendo o segundo mais velho de sempre a fazê-lo), bisou ainda na primeira parte tornando-se o melhor marcador de Portugal em Campeonatos do Mundo e procurou e muito o hat-trick, entre defesas do guarda-redes Abduvohid Nematov e dois remates na área que saíram ao lado da baliza.
- Clube: Al Nassr (Arábia Saudita)
- Internacionalizações: 230 jogos, 145 golos
- O que fez em 2025/26: 47 jogos, 3.826 minutos, 37 golos, 4 assistências, 2 amarelos e 1 vermelho
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2069501627946721529
Nelson Semedo, 6. 45 minutos onde cumpriu, não teve erros e deu descanso a Cancelo
Foi mais uma vez opção de Martínez saindo do banco, neste caso logo no início da segunda parte depois dos cerca de 20 minutos que jogou diante da RD Congo. Teve uma exibição mais serena do que na estreia, mesmo não subindo tantas vezes como João Cancelo tinha feito, esteve no lance que originou o quinto golo da Seleção e cumpriu nas tarefas defensivas pedidas (mesmo não tendo muito trabalho).
- Clube: Fenerbahçe (Turquia)
- Internacionalizações: 52 jogos, 0 golos
- O que fez em 2025/26: 48 jogos, 3.429 minutos, 1 golo, 4 assistências, 12 amarelos e 0 vermelhos
Francisco Conceição, 5. O jogo estava tão quente que nem foi preciso andar a espalhar brasas
O extremo da Juventus, que quis marcar uma posição na conferência de imprensa em que esteve antes da partida com o Uzbequistão, voltou a não ser titular mas voltou a ser lançado ao intervalo, neste caso para o lugar de Pedro Neto. Neste caso, teve um papel de destaque menor, tendo em conta a grande exibição que Portugal estava a fazer em termos ofensivos. Ainda assim, teve duas grandes arrancadas a ganhar o 1×1 que criaram ocasiões não concretizadas num ataque que fez sobretudo a diferença pelo centro esquerda.
- Clube: Juventus (Itália)
- Internacionalizações: 19 jogos, 4 golos
- O que fez em 2025/26: 50 jogos, 3.058 minutos, 6 golos, 6 assistências, 4 amarelos e 0 vermelhos
Francisco Trincão, 5. Aquele remate a rasar o poste que podia ter aumentado a goleada
O ala do Sporting, que fez toda a temporada a jogar mais pelo meio, entrou a meio da segunda parte para o lugar de João Félix, ficando mais na esquerda e, com isso, tendo menor preponderância na equipa. Quando passou mais para o meio na parte final, melhorou logo de rendimento, tendo um remate rasteiro perigoso a rasar o poste que podia ter aumentado a goleada frente ao Uzbequistão. É o jogador com mais minutos esta época entre os convocados mas mostrou que está “solto” para ajudar a equipa quando for chamado.
- Clube: Sporting (Portugal)
- Internacionalizações: 19 jogos, 3 golos
- O que fez em 2025/26: 62 jogos, 4.853 minutos, 14 golos, 16 assistências, 1 amarelo e 0 vermelhos
Bernardo Silva, 5. Entrou para outra posição e mostrou aquilo que é a sua versão 2.0
Começou no banco depois da titularidade frente à RD Congo (e de um jogo onde foi um dos mais discretos), voltou a ser aposta de Roberto Martínez mas ocupando terrenos mais centrais à frente de Vitinha e atrás de Bruno Fernandes – ou mais ao lado, caso a equipa assim necessite. Bernardo Silva não teve propriamente ações marcantes para o resultado mas mostrou aquilo que é a sua versão 2.0 como jogador onde consegue ter mais rendimento: jogando no meio e não na ala, quase como um ‘8’, em jogo e a fazer jogar os outros.
- Clube: Manchester City (Inglaterra), já contratado pelo Real Madrid (Espanha)
- Internacionalizações: 111 jogos, 14 golos
- O que fez em 2025/26: 62 jogos, 4.437 minutos, 4 golos, 6 assistências, 16 amarelos e 1 vermelho
Rafael Leão, 6. Entrou com a vontade que não teve antes e fechou a goleada
Sair do banco tendo mais ou menos minutos é uma conta que depende muito também daquilo que é a vontade de quem vai para o jogo. Frente à RD Congo, a entrada de Rafael Leão pouco ou nada acrescentou, com o avançado do AC Milan a perder os duelos iniciais com o adversário direto e a “afundar-se” no resto dos 20 minutos que teve. Agora, diante do Uzbequistão, entrou com outra disposição e teve o condão de aparecer no sítio certo à hora certa para aproveitar uma segunda bola e rematar ao ângulo para o 5-0 final.
- Clube: AC Milan (Itália)
- Internacionalizações: 46 jogos, 6 golos
- O que fez em 2025/26: 37 jogos, 2.151 minutos, 11 golos, 3 assistências, 5 amarelos e 1 vermelho
https://twitter.com/playmaker_PT/status/2069501107282260339