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Nas duas horas de paragem, enquanto o Iraque estudou táticas, França exercitou o corpo

França-Iraque esteve interrompido duas horas. O Iraque aproveitou para dissecar os lances do encontro, enquanto o plantel francês combateu a ansiedade do imprevisto com bicicletas estáticas.

Mariana Carrilho
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Um violento temporal obrigou a interromper o jogo entre a França e o Iraque por mais de duas horas. Este compasso de espera pode ser desgastante para as equipas, mas ambas arranjaram formas de passar o tempo.

O selecionador Graham Arnold, do Iraque, aproveitou o momento para analisar lances da primeira parte com os seus jogadores. “Não havia nada que eu pudesse fazer, exceto usar imagens do primeiro tempo no intervalo para lhes mostrar onde a França nos estava a prejudicar um pouco”, explicou, citado pela Asharq Al-Awsat.

Por outro lado, a seleção francesa recorreu a bicicletas estáticas para manter a atividade cardiovascular. O capitão Kylian Mbappé confessou o desgaste que a situação provocou: “Foi uma noite muito longa. Passámos muito tempo à espera. É emocionalmente e mentalmente desgastante porque temos de continuar totalmente focados e ativos no balneário por quase duas horas. Exige muito de nós”.

Didier Deschamps, selecionador francês, não se mostrou incomodado pela paragem. Aliás, até brincou com a situação: “Jogámos às cartas. Não, na verdade, diverti-me com os meus jogadores. É uma questão de segurança, não podes lutar contra os relâmpagos”, mencionou, segundo a BBC.

Nos Estados Unidos, as regras são inflexíveis: se houver um raio a menos de 13 quilómetros  do estádio, o evento tem de parar imediatamente. Horas antes do pontapé de saída em Filadélfia, o sol brilhava intensamente e nada previa o caos que se avizinhava. Contudo, assim que o árbitro apitou para o intervalo, os céus abriram-se num dilúvio violento de chuva, acompanhado de trovões e relâmpagos.

Os mais de 68 mil espectadores tiveram de abandonar as bancadas e procurar abrigo nos corredores internos do estádio. Ainda assim, a paixão dos adeptos foi mais forte do que a tempestade, e a esmagadora maioria resistiu firmemente no recinto, voltando a encher o estádio assim que o perigo passou.

Os jogadores só conseguiram regressar para o aquecimento uma hora e 40 minutos após a interrupção e, mesmo assim, o início da segunda parte foi adiado para que os funcionários do estádio pudessem retirar os lençóis de água do relvado.

Quando a bola finalmente voltou a rolar, a falta de ritmo e a quebra de concentração cobraram uma fatura pesada aos iraquianos. Logo nos minutos iniciais, um erro crasso num pontapé de baliza ofereceu de bandeja o segundo golo a Mbappé. No final, o selecionador do Iraque, Graham Arnold, não escondeu a frustração por uma experiência inédita na sua carreira: “A paragem de duas horas obviamente tornou as coisas muito mais difíceis para os jogadores. (…) Disse-lhes que ia ganhar quem estivesse mais presente mentalmente”.

As pausas para hidratação foram descartadas no segundo tempo pela primeira vez no Mundial, como relatou o The Sun. Estas têm sido criticadas fortemente por adeptos e figuras do desporto. O Iraque acabou por perder o jogo (3-0), mas isso não impediu Arnold de elogiar a atuação de Mbappé. “Ele é um jogador incrível”, disse. “A sua velocidade é imparável. E é por isso que defendemos um pouco mais recuados do que costumo fazer, porque se tu deixas espaço atrás da defesa com o Mbappé a ser tão rápido, ele destrói-te”, acrescentou.