Portugal tem com quase 42.600 empresas exportadoras, que fazem cerca de metade do volume de negócios do tecido português. A conclusão é da Informa D&B que realizou a nona edição do estudo “As empresas exportadoras em Portugal”, a que o Observador teve acesso.
Isto significa que há mais 6.500 empresas nesta categoria de exportadoras do que há cinco anos e mais 10 mil do que há 10 anos. Para a Informa D&B exportadoras são empresas cujas vendas de bens e serviços ao exterior representam pelo menos 5% do volume de negócios ou que fazem pelo menos 1 milhão de euros de vendas para fora. Além destas 42.600 empresas há mais 24.400 que têm vendas ao exterior mas não atingem esses patamares.
Em 2019 as exportadoras eram 36.069, na contabilização da Informa D&B. A evolução média anual, desde esse ano, foi, assim, de 3,4%. O número de exportadoras aumentou mas o seu peso no tecido empresarial mantém-se em torno dos 10%, o que leva a Informa D&B a concluir que “o número de exportadoras tem vindo a crescer sobretudo pela expansão do próprio tecido empresarial”. Segundo os dados compilados, em 2024 mais de 12 mil empresas exportaram pela primeira vez, com especial incidência nos serviços empresariais e nas tecnologias de informação e comunicação.
Ainda assim há exportadoras regulares em todos os setores de atividade mas é na indústria que a regularidade é maior — 35% das empresas industriais mantêm exportações regulares. Das 42.596 exportadoras, 33% são regulares (exportaram durante todos os anos analisados), e é nestas que está concentrado 80% do volume vendido. 38% das empresas exportaram durante 2 a 5 anos no período analisado e as novas exportadoras representam 29% do total das 42.600.
Os dados na base deste estudo são de 2024. Neste ano as exportadoras faturaram 229 mil milhões de euros, metade do volume de negócios do conjunto de todas as empresas no país, tendo 95 mil milhões desse montante sido realizado com o exterior. Ou seja quase 42% do que faturaram foi feito no estrangeiro. Mas nestas empresas exportadoras o volume de negócios em 2023 registou ligeira quebra, tendo crescimento muito pouco em 2024. Ao contrário, as empresas que vendem unicamente para o mercado interno aumentaram o volume de negócios em média anual de 5% desde 2020. Nos últimos anos o PIB também tem sido sustentado na procura interna, nomeadamente no consumo privado.
Exportações voam para países comunitários
A grande maioria dos negócios (dois terços) é feita com países comunitários. Mas é nos extracomunitários que reside o crescimento nos últimos anos. “Os negócios com os mercados extracomunitários cresceram a um ritmo muito superior aos dos negócios nos mercados interno e comunitário”.
A grande maioria das exportadoras (58%) vende apenas para um país, mas são as que exportam para 10 ou mais países que fazem a maioria das vendas (7% fazem 59% das vendas9. Os principais mercados de destino continuam a ser Espanha, França e Alemanha, seguindo-se os Estados Unidos da América, Itália, Reino Unido e Países Baixo.
Se a maior parte das exportadoras fazem o maior volume de negócio em Portugal (ainda que vendam ao exterior), certo é que há 20% das 42.600 exportadoras — ou 8.852 sociedades — que vendem exclusivamente para fora.
E 70% das exportações são relativas a bens. “O crescimento das exportações de serviços, que é significativo desde 2020, não bastou para compensar a quebra nas exportações de bens que se verifica desde 2022”. O peso das exportações no PIB diminuiu nos últimos anos.
Um recente estudo do Banco de Portugal deu conta que se entre 2015 e 2019 o diferencial de crescimento entre as exportações portuguesas e as importações mundiais situou-se em 2 pontos percentuais em média, já entre 2020 e 2025, “as exportações cresceram abaixo das importações mundiais, situando-se o diferencial em -0,7 pontos, em média”. Assim, se no primeiro subperíodo, “o diferencial positivo refletiu ganhos de quota de mercado (2,3 pontos, em média) enquanto o efeito estrutura combinada foi negativo (-0,3 pontos, em média), no subperíodo mais recente, o diferencial negativo resulta do efeito quota de mercado (-0,2 pontos, em média) e, sobretudo, do efeito estrutura combinada (-0,5 pontos em média)”.

Perfil das exportadoras
Indústria, serviços empresariais, grossistas e tecnologias de informação e comunicação (TIC) são os quatro setores que representam 69% das exportadoras, com as indústrias por si a pesarem 21% mas a concentrarem 53% das vendas totais ao exterior. Há uma grande concentração de exportadoras em poucos setores.
Mas o maior crescimento no número de exportadoras tem vindo dos serviços empresariais e das TIC, com aumentos médios anuais (de 2019 a 2024), respetivamente, de 5,3% e 14%. Já as indústrias tiveram um crescimento médio anual de 0,2% e os grossistas de 1,1%. O que demonstra a mudança do perfil das exportações.
Segundo a Informa D&B a grande maioria das exportadoras, 72%, são microempresas. No entanto, indica esta entidade ao Observador, “a taxa de exportadoras aumenta à medida que aumenta a dimensão da empresa”. Assim, das microempresas 9% são exportadoras, subindo para 20% das pequenas empresas, 43% das médias e 54% das grandes. No mesmo setor são também as grandes que são mais exportadoras.
O norte concentra 42% das exportadoras — onde há maior concentração de indústrias –, estando 26% na grande Lisboa e 14% no centro.