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Era o jogo que encerrava a segunda jornada do grupo L e aquele que podia ajudar a resolver as contas do apuramento. Depois de terem começado o Campeonato do Mundo da pior forma, Panamá e Croácia estavam praticamente obrigados a ganhar no inédito duelo entre ambos. Ainda que a estreia não tenha sido positiva, as duas seleções deixaram boas indicações, com os panamenhos a caírem apenas no tempo de compensação diante do Gana, de Carlos Queiroz (0-1), ao passo que os croatas foram derrotados por Inglaterra num dos melhores jogos deste Mundial (2-4). Com uma equipa mais experiente e maior qualidade individual, o favoritismo pendia para os vatreni, que tinham ainda o objetivo de terminar no segundo lugar do agrupamento.
https://observador.pt/2026/06/17/kane-e-a-ideia-de-que-nem-tudo-tem-sempre-de-correr-mal-a-cronica-do-inglaterra-croacia/
“Vejo o grupo muito animado, com vontade de tirar aquele pequeno espinho que nos ficou da partida contra o Gana, onde merecíamos muito mais. Estamos convencidos de que podemos vencer, mas para isso precisamos de ter um bom dia. Teremos de aproveitar as oportunidades que criarmos para marcar. Sou ambicioso, mas também realista, porque neste Mundial têm-se visto resultados interessantes que as pessoas não esperavam que acontecessem e que aconteceram, e porque não podemos nós ser uma dessas equipas que surpreende positivamente? A Croácia tem jogadores de grande qualidade nas alas, possui um potencial físico significativo no ataque, jogadores altos e experientes, que se saem muito bem no jogo aéreo e se entendem bem entre si e, acima de tudo, têm capacidade goleadora. É com isso que temos de ter cuidado. Fazer bons jogos tem a ver com a organização, a disciplina, a concentração e com o facto de estarmos totalmente envolvidos nos jogos”, perspetivou Thomas Christiansen.
“Estamos todos em forma e prontos, não temos problemas com o plantel nem dilemas de escolha. Temos de ser melhores do que no último jogo e corrigir o que não correu bem, sobretudo na defesa. Temos de ser mais responsáveis e estar mais concentrados. Demos tudo contra Inglaterra e tivemos dificuldades em marcar os nossos golos. O adversário é bom, tem uma formação defensiva compacta, todos os seus jogadores são ágeis e responsáveis, e dispõe de jogadores rápidos no contra-ataque, o que temos de impedir. Temos de entrar em campo como favoritos e ser corajosos. Talvez a pausa mais longa tenha sido boa para analisarmos as coisas e organizarmos as ideias mas, depois da derrota, mal podemos esperar pelo próximo jogo. Temos de jogar o nosso próprio jogo e esperar um bom resultado. A Croácia é um desafio para todos, incluindo o Panamá. Durante a maior parte do jogo contra o Gana, foram a melhor equipa, tiveram a posse de bola e talvez tenham perdido de forma pouco merecida. Estamos cientes da qualidade deles”, explicou Zlatko Dalic.
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A grande novidade do Panamá para este jogo foi Adalberto Carrasquilla que, depois de praticamente um mês lesionado e de ter voltado aos treinos durante a semana, sentou-se no banco de suplentes, juntamente com Ismael Díaz, que continua não merecer a confiança Thomas Christiansen, que voltou a apostar em Puma Rodríguez, que passou por Portugal, no ataque. Já a Croácia inverteu o meio-campo e passou a jogar em 4x2x3x1, com Mateo Kovacic e Luka Modric, que cumpriu a internacionalização 200, atrás de Martin Baturina. A referência ofensiva continuou a ser o ex-Benfica Petar Musa, que marcou na estreia e voltou a relegar Andrej Kramaric e Ante Budimir para o banco.
Como seria de esperar, os vatreni assumiram as despesas da partida desde cedo, com os canaleros a apostarem em rápidas transições na tentativa de chegar ao golo. Antes da pausa para hidratação, Puma quase surpreendeu, desferindo um cabeceamento que acabou na trave depois de uma grande defesa de Dominik Livakovic, mas a bola tinha saído aquando do cruzamento de Amir Murillo (23′). Essa acabou por ser — sem o ser — a única oportunidade de um primeiro tempo que não perdurará na memória dos adeptos (0-0).
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Para a segunda parte, Dalic lançou de imediato Budimir e Kramaric, e colheu os frutos pouco depois, com Josip Stanisic a arrancar pela direita depois de um grande passe de calcanhar de Marco Pasalic, cruzando depois para o desvio certeiro do avançado do Osasuna ao segundo poste (54′). Pouco depois, Modric isolou Pasalic com um passe antes do meio-campo, o extremo conduziu, entrou na área e tentou o chapéu a Orlando Mosquera quando tinha um colega completamente sozinho ao lado, o guarda-redes defendeu e, na recarga, o croata atirou para fora (57′). A resposta panamenha saiu de um cruzamento preciso de Murillo, com Fajardo a não conseguir cabecear da melhor forma (59′). Com o passar do tempo, o Panamá cresceu, com Livakovic a evidenciar-se na baliza croata com três defesas seguidas, a remates de Murillo (67′) e José Córdoba (68′).
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Depois da pausa para hidratação, os primos Sucic, Luka e Petar, saíram do banco, enquanto que Christiansen apostou tudo com a entrada de Cecílio Waterman. Já com Mario Pasalic, Azarias Londoño, Tomás Rodríguez e Éric Davis em campo, os canaleros tentaram de tudo para evitar a derrota, mas o livre frontal de Murillo saiu muito por cima (90+3′), naquela que foi a última potencial situação de perigo (0-1).
A estrela
- Nove minutos chegaram para Ante Budimir deixar a sua marca no Mundial-2026. Depois de ter perdido a titularidade para Petar Musa e de estar atrás de Andrej Kramaric na hierarquia, o avançado do Osasuna foi lançado ao intervalo para tentar agitar o jogo e conseguiu-o de imediato, correspondendo da melhor forma a um cruzamento tenso de Josip Stanisic.
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O joker
- Se a Croácia saiu de Toronto com os três pontos e o apuramento bem encaminhado, tem de agradecer, em parte, a Dominik Livakovic, que se evidenciou na seleção europeia depois do golo, no período em que a sua equipa se apagou em termos ofensivos. Na retina ficam as três defesas seguidas do guarda-redes de 31 anos na mesma jogada, impedindo o empate de Amir Murillo e de José Córdoba, na conclusão do canto.
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A sentença
- A Croácia continua dentro e o Panamá está fora. É desta forma que se resume o duelo da madrugada deste quarta-feira, que terminou com a seleção panamenha é a quinta eliminada do Mundial e ainda à procura do seu primeiro ponto na história da competição, que podia perfeitamente ter aparecido diante dos croatas. A formação europeia somou os primeiros três pontos e está a apenas um de Inglaterra e Gana, tendo pela frente uma final frente aos africanos, sendo certo que quem vencer vai estar nos 16 avos de final.
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A mentira
- Longe vão os tempos em que a Croácia batia-se de frente com as grandes potências da Europa e do mundo e chegava bastante longe nos principais torneios. A cumprir o décimo ano ao serviço dos vatreni, Zlatko Dalic está a viver um dos momentos mais baixos do seu percurso e a geração de ouro liderada por Luka Modric arrisca-se a sair da sua seleção pela porta pequena. É certo que o apuramento para a próxima ainda está no horizonte, mas essa fasquia não passa de uma mera formalidade para uma equipa com a qualidade da Croácia.
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