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Cimpor lança unidade de negócio dedicada à energia com base em experiência que reduziu fatura em 40%

A Cimpor na sua produção cimenteira já tem 25% da eletricidade produzida "em casa" com impacto na redução da fatura. Agora, quer passar os conhecimentos para o mercado.

Alexandra Machado
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Cimpor é sinónimo de cimento. Mas agora a empresa quer que seja também sinónimo de energia. Utilizou as competências de eficiência energética adquiridas internamente para lançar uma nova área de negócio — a Cimpor Energy.

O desenvolvimento interno aconteceu em Portugal e é a tecnologia “made in Portugal” que está a ser comercializada: software (com um programa de gestão energética) e hardware (desenvolvimento de baterias para várias necessidades).

A empresa já investiu 20 milhões de euros neste negócio, nomeadamente em parques fotovoltaicos, e espera investir mais 10 milhões este ano, nos sistemas de armazenamento. Ou seja em três anos são 30 milhões de euros de investimento.

Tem hoje cerca de 200 clientes, incluindo a própria Cimpor, que consome mais de 350 GW/hora anualmente de eletricidade. Consegue hoje 25% de energia em autoconsumo, esperando chegar no final do ano aos 40%. A Cimpor é um dos grandes consumidores de energia em Portugal, cerca de 1%, e por isso acaba por sobrecarregar menos a rede nacional quando opera em autoconsumo.

Os níveis de poupança na fatura elétrica para a Cimpor também são elevados, cerca de 40%. Sandro Conceição, diretor de coprocessamento e energia da Cimpor, indicou, num encontro com a comunicação social, que houve um dia na semana passada em que a cimenteira conseguiu energia a preços negativos durante um período completo de 24 horas. Além disso significa que não tem de pagar impostos e custos do sistema quando compra energia no mercado. Conseguiu esses valores fazendo a gestão da energia que produz, armazena e consome.

Sandro Conceição admite que dificilmente chegará a um autoconsumo de 100% nas suas fábricas de cimento e preparados, já que há dificuldades regulatórias também nas instalações de energia. Ainda assim a Cimpor Energy admite avançar mais na produção solar, através da aquisição de parques fotovoltaicos já construídos. Além da produção de energia solar, a Cimpor produz através do calor residual emitido nos processos industriais.

O negócio da Cimpor Energy não é a venda de energia, assegura Berkan Fidan, administrador da Cimpor Global, que explica que esta área de negócio nasceu precisamente na Península Ibérica. A Cimpor é hoje uma companhia detida por empresa de Taiwan.

https://observador.pt/especiais/de-empresa-estrategica-nacional-a-cimenteira-de-taiwan-cimpor-muda-de-maos-outra-vez/

Em três anos a Cimpor Energy espera atingir um volume de negócios anual de 50 milhões de euros. À conta das baterias e da gestão de energia, quer para o mercado residencial, quer para comércio e indústria, quer ainda para outras grandes indústrias, como a própria Cimpor.

O foco inicial desta área de negócio será a Península Ibérica, para depois avançar para a Turquia, seguindo com outra abordagem os mercados africano e o resto da Europa.

A ideia é a de cooperação com fornecedores de energia e não substitui-los. “Podemos produzir e armazenar, mas não concorrer”, realçou Berkan Fidan, que assume que a estratégia da Cimpor Energy permite colmatar um gap que existia no mercado e, ao mesmo tempo, garantir estabilidade na rede, porque consegue ajustar a utilização de energia da rede, da qual fica menos dependente. A maior independência em relação à energia pública é um dos benefícios salientados pela administração da Cimpor.

A Cimpor Energy garante que está a olhar para as UPAC (Unidade de Produção para Autoconsumo) e para o leilão de baterias de armazenamento.