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Mundial 2026. O beijo viral de Solbakken, anos após sobreviver ao próprio "funeral"

Quando a Noruega se qualificou, Solbakken correu para beijar a mulher, num gesto que esconde uma história de sobrevivência. O selecionador já cruzou a fronteira da morte e até teve o funeral planeado.

Mariana Carrilho
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Após uma vitória por 3-2 frente ao Senegal, a Noruega garantiu um lugar nos oitavos de final do Mundial. No entanto, a imagem do dia foi protagonizada pelo selecionador norueguês. Logo após o apito final, Ståle Solbakken quebrou o protocolo e subiu às bancadas do estádio para dar um beijo apaixonado à mulher, um momento carregado de simbolismo para um casal que, anos antes, enfrentou o trauma de uma despedida precoce.

“Eu não sabia exatamente onde é que eles estavam sentados, por isso tive mesmo de inventar uma maneira de conseguir subir à bancada”, confessou Solbakken numa conferência de imprensa, citado pela Marca. Entre beijos e abraços, o selecionador estava visivelmente comovido.

https://twitter.com/sporttvportugal/status/2069369332765737419

No entanto, por trás da carga emocional desta celebração, está uma história de resiliência que moldou a vida do treinador. A 13 de março de 2001, quando ainda era jogador do Copenhagen, Solbakken desmoronou no relvado durante um treino, após sofrer uma paragem cardiorrespiratória. Esteve clinicamente morto durante cerca de sete minutos.

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Ao início não conseguia ver nada, era apenas escuridão total. Depois apareceu uma luz azul clara… Chamemos-lhe um túnel. Era uma luz bonita. Quando me acordaram no hospital, só pensei: ‘Oh não, não podia ter ficado ali mais um bocado?'”, recordou o técnico sobre o episódio. A intervenção rápida do médico do clube, Frank Odgaard, que realizou manobras de reanimação até à chegada da ambulância, acabou por salvar a vida de Solbakken.

Solbakken esteve em coma durante 30 horas antes de recuperar a consciência. Isto marcou profundamente a família, especialmente a mulher, Anniken, que na altura tinha 23 anos e ficou sozinha com os filhos. “Para quem assistiu a tudo, o que passaram deve ter sido traumático. A minha mulher ainda hoje não consegue falar sobre o assunto, apesar de já terem passado tantos anos”, admitiu o treinador.

“Os meus pais voaram imediatamente para a Dinamarca. Contaram-me que, durante o voo, a minha mãe começou a tratar do meu funeral. Primeiro, preocupavam-se em saber se eu sobreviveria. Depois, se ficaria com danos cerebrais. Eram esses os pensamentos que atormentavam a minha família e os meus colegas de equipa, que me viram colapsar, morrer e voltar à vida”, contou.

Totalmente recuperado, Solbakken assume que esta experiência mudou a sua escala de prioridades. “Aquela paragem cardíaca acabou por aproximar ainda mais a minha família. (…) Agora percebo o que realmente importa e levo as coisas superficiais com muita mais leveza. Já não me stresso por tudo e vivo a vida um bocado a brincar”, explicou.

No jogo contra o Senegal, depois de estar com a mulher, o treinador regressou rapidamente ao relvado para partilhar a festa com os seus jogadores, chegando mesmo a participar na celebração do “remador”, um dos símbolos da comitiva norueguesa, como relatou o The Sun.

https://twitter.com/sporttvportugal/status/2069366918331404653

Ao falar sobre o jogo, o treinador elogiou Erling Haaland, a grande figura do encontro, sem deixar de brincar com a eficácia do avançado: “Hoje ele falhou uma oportunidade incrivelmente clara. Podia perfeitamente ter marcado mais golos”.

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Apesar da boa disposição, Solbakken reconheceu que os últimos minutos da partida foram um verdadeiro “pesadelo” devido ao desgaste físico dos seus jogadores e à forte pressão exercida pela seleção do Senegal. “O que realmente importa é que o objetivo principal está cumprido e já estamos qualificados”, destacou.