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Mundial 2026. Caos nos bastidores do Senegal: prémios atrasados, crises com comida e tensões contratuais

O ambiente nos bastidores do Senegal ameaça empurrar a equipa para fora da competição, com o pagamento atrasado de prémios, queixas da comida e adeptos em protesto à porta do hotel da seleção.

Mariana Carrilho
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A seleção do Senegal encontra-se à beira da eliminação, sem qualquer ponto somado após as derrotas frente à França (3-1) e à Noruega (3-2). Contudo, o cenário fora de campo consegue ser mais caótico do que no relvado. O arranque da prestação senegalesa tem sido caracterizado por uma sucessão contínua de polémicas extrafutebol.

Um dos pontos mais críticos centrou-se à volta da renovação de contrato do selecionador Pape Thiaw. Depois de ter assumido o cargo em 2024 e de ter levado a equipa à final da Taça das Nações Africanas, o técnico viu as negociações com a federação arrastarem-se devido a uma profunda remodelação e convulsão política no Governo do Senegal. Sem as assinaturas dos Ministérios a tempo, Thiaw acabou por ser forçado a viajar para os Estados Unidos com o contrato antigo já expirado.

O clima de instabilidade foi tal que pessoas próximas do selecionador ameaçaram, através dos órgãos de comunicação social, que este poderia recusar-se a embarcar no avião com destino ao torneio. A situação só acalmou com a intervenção direta do Presidente da República do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, que contactou o técnico para lhe dar garantias absolutas. Já em solo americano, a nova ministra do Desporto selou o acordo, fixando o salário de Thiaw em cerca de 570 mil euros, mais bónus. “Foi um processo longo, mas nunca foi por dinheiro, foi sim por uma questão de princípios e respeito. Está assinado e o passado ficou para trás”, explicou o técnico, citado pela ESPN.

A logística hoteleira em New Brunswick, Nova Jersey, onde a seleção está hospedada, também gerou controvérsia. O chef de cozinha habitual da seleção, que planeia os menus com meses de antecedência, abandonou subitamente a comitiva após os jogos de preparação por motivos pessoais. Embora o grupo de jogadores não tenha contestado o substituto, a verdade é que outros membros da delegação oficial começaram a encomendar comida de fora do hotel, descontentes com a falta de gastronomia tradicional senegalesa.

Para adensar o mau ambiente, os atletas e a equipa técnica tinham prémios monetários em atraso, valores que o Governo senegalês só conseguiu liquidar muito recentemente. A antiga lenda do futebol do país, El Hadji Diouf, afirmou publicamente que “os jogadores não precisam de toda esta confusão” no momento mais importante das suas carreiras, como relatou a BBC.

Para fechar o ciclo de polémicas, o próprio hotel da comitiva transformou-se num palco de manifestações por parte da diáspora senegalesa situada nos Estados Unidos e no Canadá. Habituados a ver o Estado financiar as viagens das claques organizadas, os adeptos locais revoltaram-se ao receber apenas 400 bilhetes para os jogos da fase de grupos.

Apesar das tensões, o guarda-redes Mory Diaw garantiu que a equipa mantém o profissionalismo. “Todos estes problemas são resolvidos internamente e ninguém precisa de saber o que dizemos lá dentro. Somos profissionais, estamos aqui para representar o nosso país e nada nos vai fazer perder a cabeça quando temos um objetivo comum bem traçado”, explicou.

A equipa chegou à América do Norte com a ambição de superar os quartos de final alcançados no Mundial de 2002. Contudo, a seleção vai agora para a última jornada do grupo a precisar de vencer o Iraque, na próxima sexta-feira, para evitar a saída precoce na primeira fase da competição.