Alistair Scott Carns, que até há poucas semanas era ministro britânico das Forças Armadas, está a ponderar avançar para a corrida à liderança do Partido Trabalhista, admitindo a possibilidade de desafiar Andy Burnham, que é apontado por muitos como o favorito para suceder a Keir Starmer após a demissão anunciada esta segunda-feira.
Numa entrevista ao programa Peston, da ITV, o antigo governante afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre uma eventual candidatura. Carns defendeu que o partido deve centrar o debate numa estratégia de longo prazo para o Reino Unido, discutindo os objetivos para os próximos anos e envolvendo a população, os deputados e as estruturas trabalhistas na definição de uma plataforma política comum.
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A possibilidade de uma candidatura surge numa altura em que vários aliados de Starmer manifestaram apoio a uma eventual eleição de Andy Burnham sem oposição significativa. Ainda assim, alguns setores do partido têm incentivado outras figuras trabalhistas a entrarem na corrida para evitar uma sucessão sem concorrência.
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Al Carns demitiu-se do Governo de Keir Starmer no início deste mês. A sua saída ocorreu poucas horas após a demissão do secretário de Estado da Defesa, John Healey, tendo justificado a decisão com a falta de investimento no setor da Defesa.
De acordo com o The Telegraph, Carns foi militar nos Royal Marines (os fuzileiros especializados em operações anfíbias, de montanha e em ambientes árticos e que fazem parte da espinha dorsal das forças de reação rápida britânicas) durante 24 anos e é considerado um dos deputados britânicos mais condecorados das últimas décadas. Exemplo disso é a condecoração com a Cruz Militar por bravura na missão do Afeganistão.
Carns entrou na política após a invasão russa da Ucrânia, em 2022, defendendo que o Reino Unido enfrenta um ambiente internacional mais perigoso do que em qualquer outro momento recente. Tem alertado para o estado das capacidades de defesa britânicas e para a necessidade de adaptar mais rapidamente o país às novas formas de conflito — daí a sua demissão, por considerar que Starmer não estava a dar a importância necessária ao investimento na Defesa.
É filho de uma mãe solteira e foi criado num bairro social em Aberdeen, na Escócia. Colocou a mobilidade social e as oportunidades para as classes trabalhadoras no centro do seu discurso político e, embora tenha afirmado que votou no Partido Conservador no passado, diz ter deixado de o fazer devido às políticas de austeridade, posicionando-se agora como um defensor da valorização da ambição individual e do reforço do investimento público em áreas essenciais.
Haverá, agora, uma eleição interna dentro do Partido Trabalhista no próximo mês. Mas será mais um procedimento interno: a não ser que Carns efetivamente avançe, quase nenhuma figura de relevo do Labour deverá desafiar Andy Burnham, que já anunciou a intenção de se candidatar. A não ser que decida convocar eleições antecipadas, uma hipótese que ainda está no ar.
As candidaturas arrancam formalmente no dia 9 de julho e os concorrentes terão uma semana para recolher o número obrigatório de nomeações entre os deputados seniores. Se no dia 16 de julho houver mais do que um candidato oficial na corrida, os deputados trabalhistas terão de fazer várias votações para eliminar os candidatos menos votados, um a um, explicam o The Guardian e a BBC. Assim que o universo ficar reduzido aos dois finalistas, a dinâmica passa para o plano nacional durante o mês de agosto, onde Burnham e Carns (ou outro rival) irão disputar diretamente o voto dos militantes e afiliados sindicais, num veredicto que será anunciado no dia 1 de setembro para definir quem assume a liderança do partido e a chefia do Governo britânico.