Não está a ser fácil encontrar “casa” para Artificial, um filme de Luca Guadagnino sobre Sam Altman, CEO da OpenAI. Depois de, na passada sexta-feira, ser conhecido que, contrariamente ao que estava acordado, a Amazon já não vai distribuir o filme, sabe-se agora que também a Focus Features, a Warner Bros., a Clockwork, o estúdio A24 e a Netflix também não querem o filme.
A notícia foi avançada este domingo pela revista Variety, que diz que na corrida para a longa-metragem protagonizada por Andrew Garfield, praticamente terminada, estão ainda a Neon e a Mubi.
A CAA Media Finance, que representa Guadagnino, tem vindo a organizar exibições para encontrar um novo distribuidor para o filme desde a saída da Amazon, escreve o mesmo meio norte-americano. O filme — uma produção que, segundo estimativas, custou 40 milhões de dólares (cerca de 35 milhões de euros) e que conta com Andrew Garfield no papel do diretor executivo da OpenAI — foi exibido a um grupo de potenciais distribuidores nos últimos dias.
O filme não é “um retrato elogioso do magnata da tecnologia”, descreve o jornal inglês The Guardian, e deverá abordar o “período tumultuoso” que a OpenAI viveu em 2023, quando o CEO “foi despedido, e depois readmitido, numa questão de dias”, sumariza a revista The Hollywood Reporter.
A Amazon MGM, que desenvolveu Artificial e tinha previsto o seu lançamento para o início de 2027, desistiu esta sexta-feira do projeto sem uma justificação clara, mas meses depois de a empresa ter anunciado um investimento de 50 mil milhões de dólares na OpenAI. Será mais benéfico para o filme se este for “lançado por um estúdio diferente”, disse um porta-voz ao site norte-americano Puck.
Várias publicações da especialidade notam como Altman e o presidente da Amazon, Jeff Bezos, são, alegadamente, amigos. O magnata da IA estava entre os convidados no casamento deste último com Lauren Sanchez, em Veneza, no ano passado.
Para empresas independentes com ambições na área da IA ou ligações a grandes empresas tecnológicas, pode haver motivos para se mostrarem cautelosas em relação ao filme, aponta a revista Variety. É o caso da A24, por exemplo, que é apoiada pela Thrive Capital, de Josh Kushner, que detém um lugar no conselho de administração e se conta entre os maiores e mais proeminentes financiadores da OpenAI.
A revista Variety põe as fichas na Mubi, uma aparente “escolha natural para o filme”, tendo em conta que a distribuidora independente já mantém uma relação com Guadagnino: a empresa lançou a sua adaptação de Burroughs, Queer, em vários territórios internacionais, ficou responsável pela distribuição em salas no Reino Unido de Suspiria e adquiriu os direitos mundiais da sua curta-metragem The Staggering Girl.
A Mubi tem já um resgate histórico digno de nota: The Substance, de Coralie Fargeat, depois de este ter sido abandonado pela Universal na véspera do Festival de Cannes. O filme acabou por ganhar um prémio em Cannes e recebeu cinco nomeações para os Óscares.