(c) 2023 am|dev

(A) :: Al-Rashdan trivelou a realidade antes de Gouiri a instaurar (a crónica do Jordânia-Argélia)

Al-Rashdan trivelou a realidade antes de Gouiri a instaurar (a crónica do Jordânia-Argélia)

A Argélia venceu esta terça-feira de madrugada a seleção da Jordânia, depois de estar a perder ao intervalo. Pelos jordanos marcou Al-Rashdan (36'). Pelos argelinos, Benbouali (69') e Gouiri (82').

Manuel Conceição Carvalho
text

Jordânia e Argélia arrancavam para a reta final da segunda jornada do grupo J do Mundial ofuscados pelas outras duas seleções que também compõem o grupo: Argentina e Áustria — por esta ordem. Os argentinos já estavam apurados para a próxima fase, com seis pontos, e os autríacos, que perderam com os sul-americanos durante a segunda jornada, tinham ganho na ronda inaugural diante dos jordanos (3-1). Na cauda do grupo estavam as duas seleções árabes, ambas com zero pontos. A certeza que se desenhava ao apito inicial do esloveno Tomaž Klančnik era a de que pelo menos uma das equipas que ainda não tinham somado nenhum sairia dali, de São Francisco, com os primeiros pontos na prova.

As diferenças teóricas tornavam-se práticas nos primeiros 15 minutos de partida no Levi’s Stadium: mais Argélia, menos Jordânia. Aos 20′, Mahrez esteve à beira de confirmar a diferença no marcador. O avançado apareceu sozinho na cara do jordano Yazeed Abulaila, mas demorou a finalizar a jogada mais perigosa da Argélia até à pausa para hidratação. Um minuto depois, Farès Chaïbi conseguiu rematar, mas desta vez já não estava isolado e o caminho da bola até à baliza tinha sido bloqueado pela defensiva jordana.

Entre os mais esclarecidos da Argélia estava Gouiri. O avançado, na condução, tentava abrir o caminho a Mahrez, que apenas tinha espaço para entrar na última fase de cada jogada argelina, mas, perdulário, viu a seleção jordana ser mais eficaz e lançar-se na vantagem. Depois de um cruzamento pela esquerda, Mousa Al-Tamari falhou a finalização e acidentalmente serviu Nizar Al-Rashdan, que, rasteiro de trivela, bateu Luca Zidane. Estava feita a surpresa no Levi’s Stadium e a Jordânia, com apenas 30% de posse de bola, levava para o intervalo a vantagem onde interessa sempre mais: nos golos.

A segunda parte começou com a mesma tendência. A Argélia assumia as despesas do jogo, e a Jordânia, na expetativa, mas já do alto da vantagem no marcador, sabia sofrer a cada oportunidade dos argelinos, que tentavam apertar o cerco à baliza adversária. Quanto mais avançado estava o relógio, maior era a pressão exercida pela Argélia sobre os jordanos, que continuavam a apostar na resposta rápida e em poucos toques até encontrarem a baliza de Luca Zidane.

O relógio, no entanto, jogava contra os argelinos. Se a pressão sobre a Argélia aumentava a cada minuto que passava, a crença jordana crescia a cada passo mais próximo do fim do jogo. E cada passo que a Argélia dava em frente, na corrida ao empate, era mais um metro que a Jordânia ganhava para poder chegar ao segundo golo, nos cada vez menos momentos em que conseguia a bola.

O espaço não se perderia com o golo do empate a que a seleção argelina chegou aos 69′, por Nadhir Benbouali, depois da marcação de um pontapé canto. Se até aí o jogo estava intenso, depois do golo passava a estar partido. O ponto que as seleções repartiam virtualmente àquela altura do jogo, não interessava a nenhuma das equipas, que encontravam os grandes favoritos do grupo na derradeira jornada. Foi por isso que a Argélia não descansou até conseguir dar a volta ao resultado — uma vez mais, através de um pontapé de canto. Hadj Moussa, que tinha entrado aos 76′, ficou responsável por bater o canto que encontrou Bensebaini e, de seguida, Gouiri, que aos 82′ deu a vantagem à Argélia pela primeira vez no encontro. O resultado não sofreria mais alterações até ao fim da partida.

https://twitter.com/WC2026Arena/status/2069285843995435174

A estrela

  • Amine Gouiri já tinha sido dos mais esclarecidos da Argélia no primeiro tempo. Deixou a cargo de Mahrez, um dos grandes nomes da seleção, a responsabilidade de materializar o domínio territorial, de posse de bola e de oportunidades perigosas da Argélia. A verdade é que o ex-Manchester City nunca conseguiu encontrar um golo para tranquilizar os argelinos. Na segunda parte, já sem Mahrez em campo, teve de ser Gouiri a assumir essa responsabilidade. Aos 82′, à ponta de lança, no meio da confusão, o avançado do Marselha antecipou-se a toda a gente e reciclou um cabeceamento de Bensebaini para garantir os três pontos para a Argélia, que caminha a passos largos para a próxima fase da prova, depois deste triunfo.

O joker

  • A trivela de Al-Rashdan lançou o caos em São Francisco. A Argélia era, de longe, a grande favorita a vencer esta partida. Depois daquela bola entrar na baliza de Luca Zidane, a dúvida ia aumentando a cada minuto que passava. A Argélia foi subindo cada vez mais no terreno e acumulava chegada à baliza jordana. Do outro lado, a seleção da Jordânia tinha cada vez mais espaço para atacar a baliza contrária e foi assim, completamente dividido, que o jogo se encontrou até ao golo da vitória da Argélia. O jogo recompensou quem ficou até mais tarde acordado, pelo entretenimento que produziu. O ponto de partida para isso mesmo foi o golo da Jordânia, que funcionou como um pontapé (de trivela) na banalidade e que acabou por espicaçar o jogo.

A sentença

  • Este resultado dita a eliminação da Jordânia e deixa os argelinos muito próximos da próxima fase, pelo menos através do terceiro posto do grupo J. Já apurada para a próxima fase está a seleção argentina, que encontra a seleção da Jordânia na última jornada. Na corrida ao segundo lugar estão a Argélia e a Áustria, empatadas em pontos (3), que se encontram na derradeira ronda.

A mentira

  • Houve dúvida até ao fim do jogo. Com tanto espaço nas costas da defensiva adversária, a Jordânia conseguiu estabelecer a incerteza enquanto não esteve a perder. Antes do jogo poucos (ou nenhum) diriam que haveria dúvida até ao fim da partida e que os adeptos presentes no Levi’s Stadium assistiriam a um jogo com tanta ação.