Na Cidade do Futebol, quando Roberto Martínez começou a enumerar os 26 nomes que iriam jogar o Mundial-2026, o nome de António Silva nunca chegaria a ser mencionado. Para o lugar que outrora foi seu no Mundial do Qatar, em 2022, chegaram agora aos EUA, México e Canadá Rúben Dias, Renato Veiga, Gonçalo Inácio e o seu companheiro de equipa, Tomás Araújo. O defesa central do Benfica ficou de fora da lista de convocados do técnico espanhol e está neste momento a aproveitar a pausa da época de clubes, antes de se apresentar a Marco Silva nos trabalhos de pré-época no Seixal. O atleta não sabe, no entanto, se vai renovar com o Benfica e defendeu que haveria uma diferença de tratamento dos adeptos da Seleção Nacional entre ele e Pepe, caso os dois cometessem o mesmo erro dentro de campo.
Sobre o seu percurso na Seleção e no Benfica, que influencia a presença em jogos por Portugal, o atleta encarnado concordou que em tudo o que pode correr mal “a culpa é do António”, garantindo, ainda assim, que não gosta de “vitimizar-se” e que atualmente se encontra “muito calejado” face a críticas que antes o afetavam. “Tive uma ascensão muito rápida, tudo era um mar de rosas. E depois surge um erro, dois… Algo que é perfeitamente normal, que todos os centrais têm e que ainda vão ter, e que eu também vou ter – e espero que os tenha, que é sinal que estou a jogar”, afirmou no canal de Youtube JOliveira10.
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“Muita mentira contada muitas vezes passa a ser verdade. Criam-se estereótipos dos jogadores. Quando um jogador sobe à equipa A, como o Benfica é uma equipa que forma muitos jogadores, existe essa perseguição. Não é flopar, mas criticar a cada erro e comigo tomou proporções muito grandes”, afirmou, antes de recordar o jogo de Portugal diante da Geórgia no último Europeu, em que cometeu uma grande penalidade que ditou o 2-0 final para os georgianos. “A partir daí as coisas tomaram uma proporção gigante”, defendeu, apontando o dedo a uma franja dos adeptos portugueses. “Tinha 19 ou 20 anos e até devia ser um bocadinho ao contrário. Deviam apoiar um jogador português que representa o Benfica e a Seleção. Era bom para a Seleção, para o país apoiá-lo e não dar constantes marteladas”, acrescentou.
O atleta disse ainda que os jogadores de futebol têm os “mesmos problemas de toda a gente”, com a diferença de a profissão ser “julgada por 65 mil pessoas no estádio e por milhões de adeptos”, antes de referir um erro que Pepe cometeu na mesma competição. “Nesse mesmo torneio [Euro-2024], o Pepe tem um erro que é perfeitamente normal, que não dá golo, mas se desse não iam fazer o mesmo que fazem comigo, porque o Pepe é o Pepe. É incomparável. Mas só para dizer que da mesma maneira que eu errei com 20 anos, o Pepe errou com 41. Vou errar quando tiver 30 ou 35. O Nico [Otamendi] também o faz, o Tomás [Araújo] também o faz, faz parte da nossa posição errar”, afirmou.
Para já, sobra apenas ao defesa o trabalho de preparação para o que se segue no Benfica e um eventual regresso à Seleção Nacional: “No meu trabalho sei que o faço bem. Sou o primeiro a chegar ao centro de estágios, sou o primeiro a ir ao ginásio, sou o primeiro a tomar o pequeno-almoço, sou o primeiro a ir à fisio. É a minha vida, é o que gosto e é isso que controlo”, disse.
Sobre o seu futuro na Luz, o atleta formado no Seixal diz não saber se vai renovar pelo Benfica. “Se vou renovar pelo Benfica? Não sei, ainda não sei. Há uma proposta do clube que me foi apresentada na última semana da temporada, antes do jogo do Estoril. Neste momento há contactos constantes entre os meus empresários e o clube. O futuro nunca é garantido, porque no futebol as coisas mudam muito rapidamente”, concluiu, antecipando desde logo um objetivo para a época que aí vem, com ou sem ele no plantel encarnado: “No Benfica, o objetivo é sermos campeões. Estamos há três anos sem ganhar e esse é o objetivo claro do clube”.