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Os elogios de Klose, as comparações com Jordan e a "história" do Guinness: o mundo aos pés de Messi após novo recorde

"Sobre-humano", "campeão", "génio": muitas foram as formas de descrever Messi e mais um feito histórico. Mesmo com estes elogios e mais alguns, há quem ache que pode não ser suficiente.

Manuel Conceição Carvalho
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Num dia em que o futebol decidiu não facilitar as coisas, Lionel Messi transformou o que poderia ter sido um momento de alívio num de pura emoção. Quando Lautaro Martínez foi derrubado na área logo aos oito minutos, as bancadas argentinas no AT&T Stadium de Dallas explodiram em festa diante da possibilidade de mais uma quebra de recorde. O número 10 pegou na bola, correu para a marca de grande penalidade, e o mundo parou. A celebração transformou-se num velório quando o remate saiu ao lado. Messi tornava-se, com aquele penalti falhado, o jogador com mais grandes penalidades desperdiçadas na história dos Mundiais. Mas não seria o único recorde que iria bater esta segunda-feira.

O próprio não escondeu a irritação no final do jogo sobre esse lance. “Houve momentos em que me senti muito irritado pela grande penalidade que falhei. Rematei muito mal, mas, por sorte, conseguimos reverter a situação e ficar com os três pontos, que é o mais importante”, disse, ignorando o elefante na sala.

A sorte, neste caso, foi desnecessária. Messi não precisou dela. Aos 38 minutos, numa jogada colectiva de qualidade rara, Medina cruzou rasteiro, Almada fez simulou que ia finalizar e abriu espaço ao capitão para rematar com a canhota – a zurda, como os latino-americanos gostam de dizer. O recorde estava feito – 17 golos em Mundiais, mais um do que Miroslav Klose. Já nos descontos, num lance depois de uma defesa de Schlager a um remate de Julián Álvarez, Messi apareceu e fez o 18.º. A Argentina venceu por 2-0 e qualificou-se para a fase a eliminar.

https://twitter.com/FIFAcom/status/2069117788317167848

O dia histórico de Messi aconteceu numa data especial para o futebol argentino: exactamente 40 anos depois da Mão de Deus e do Golo do Século de Maradona com a Inglaterra, em 22 de Junho de 1986.

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2069136853748306284

As reacções não se fizeram esperar. Do adversário superado chegou uma resposta à altura. Miroslav Klose, que guardou o recorde durante 12 anos desde o 7-1 ao Brasil em 2014, falou com a elegância de quem sempre soube que aquela marca teria os dias contados. “Lionel Messi é, para mim, o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Parabéns, campeão!”, afirmou, antes de adiantar que já previa que “o recorde seria batido mais cedo ou mais tarde”. Esse dia chegou e foi o astro argentino a ficar com a distinção de melhor marcador de sempre em Mundiais. “Fico feliz por Messi o ter feito. Sou um grande fã do Messi, sempre fui”, garantiu. E descreveu-o, simplesmente, como “um génio”.

Nas palavras do seleccionador Lionel Scaloni, havia algo que ia além do número em si. “Creio que hoje, quando a equipa estava a sofrer sem ter a bola, ele trabalhou, roubou a bola no golo, nota-se que está comprometido. Isso é por alguma coisa. O que gera é impressionante. Não sei o que dizer mais… Não sei se será suficiente“. Scaloni reconheceu também que a grande penalidade falhada pesou no jogo. “O penálti falhado não deixa de ser um golpe. Todos tivemos a sensação de que, se tivesse sido golo, ia ser diferente, mas a equipa voltou a criar oportunidades. Quando se ativa o Leo, ativam-se todos, e isso é mérito também da equipa”, concluiu.

https://twitter.com/ballondor/status/2069129913752277452

Os companheiros falaram com a brevidade de quem convive com o indescritível todos os dias. Julián Álvarez resumiu tudo numa frase: “Não há muito a dizer sobre o Leo. Mais de 20 anos a ser o melhor do mundo. Ele é o melhor da história”. Lisandro Martínez, visivelmente emocionado, disse que “não há palavras” e que só resta “valorizá-lo”: “Sinto uma emoção enorme de o ter ao meu lado e de que seja argentino”. Leandro Paredes completou o quadro com uma nota pessoal: “Tentamos desfrutá-lo dia a dia. Não só em campo, é espectacular como pessoa”.

O próprio Messi, depois de cinco golos em dois jogos neste Mundial, mostrou-se surpreendido com o início de campanha na prova. “Não imaginava começar assim. Estou cansado, mas espero poder celebrar isto com os meus companheiros. Nunca se sabe o que vai acontecer depois, mas estou feliz pelo resultado e a participação de todos”, afirmou.

Xavi Hernández tinha dito ao The Athletic, ainda antes deste jogo, aquilo que este momento acabou por confirmar: “Ele é o Michael Jordan do futebol. Não há ninguém comparável a ele. Quase sobre-humano. Superou os grandes do passado por causa da sua longevidade e tem sido o melhor nos últimos 20 anos. Mesmo agora, depois de todo esse tempo, ele continua a mostrar-nos isso”.

Também no plano das reações, a Guinness World Record não se ficou pela distinção ao craque do Inter Miami. Numa nota publicada nas redes sociais, a empresa disse que “estamos a assistir a história”.

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