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Morreu Clive Davis aos 94 anos. Produtor musical lançou carreiras de Whitney Houston e Aretha Franklin

Apelidado como "homem dos ouvidos de ouro", Davis descobriu talentos ao longo de uma carreira de décadas. Considerado uma das figuras mais influentes da indústria, nunca planeou dedicar-se à música.

Margarida Vieira dos Santos
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Agência Lusa
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Morreu esta segunda-feira, aos 94 anos, na sua casa em Manhattan, o produtor musical Clive Davis. Ao longo de uma carreira de sete décadas, desempenhou um papel decisivo no lançamento e na consolidação de artistas como Whitney Houston, Bruce Springsteen, Aretha Franklin, Janis Joplin, Carlos Santana, Carrie Underwood e Alicia Keys. Em 1967, Davis assumiu a presidência da Columbia Records e tornou-se um dos poucos não intérpretes de música a alcançar uma grande notoriedade pública, ficando conhecido como “o homem dos ouvidos de ouro”.

“Para o mundo, o nosso pai foi a lenda icónica da música cuja visão, instintos e busca incansável pela excelência moldaram a banda sonora de inúmeras vidas. Descobriu, orientou e apoiou os maiores artistas da história da música moderna, deixando uma marca indelével na cultura que perdurará por gerações”, escreveu a sua família numa publicação nas redes sociais.

Nascido e criado em Brooklyn, em Nova Iorque, Davis nunca planeou dedicar-se inteiramente à música, muito menos vir a influenciar, durante décadas, o rumo da cultura pop, relata a CNN. Depois de perder os pais ainda na adolescência, licenciou-se em Direito na Universidade de Harvard e trabalhou como advogado. Em 1960, juntou-se à Columbia Records, onde, em apenas cinco anos, começou a desempenhar funções como principal jurista. Sete anos depois, tornou-se presidente. “Eu não sabia nada sobre música”, afirmou no documentário Clive Davis: A Banda Sonora das Nossas Vidas (2017)

Davis, segundo o The New York Times, impulsionou a Columbia, que se mostrava relutante a abraçar a era do rock, a assinar com artistas como Janis Joplin e Blood, Sweat & Tears. Em 1973, foi acusado de má gestão de fundos e afastado da ‘major’ norte-americana.

Aquele que Aretha Franklin definiu como “o maior produtor musical de todos os tempos” insistiu, porém, na indústria musical, e criou a Arista, em 1974, produtora que viria a liderar até 2000. Durante esse período, assinou com artistas como Whitney Houston, Aretha Franklin, Dionne Warwick, Patti Smith, Grateful Dead e Alicia Keys.

Ao longo dos anos 1980 e 1990, processos de aquisição e acordos de fusão no setor já tinham levado Clive Davis à liderança de discográficas e grupos de media como a RCA e a BMG, nos Estados Unidos.

Em 1999, no entanto, Davis enfrentou outra crise: a então ‘empresa-mãe’ da BMG Entertainment, do grupo de media alemão Bertelsmann, queria a sua demissão. Davis estava na casa dos 60 anos, idade a que a maioria dos executivos da BMG tinha sido dispensada.

Em 2000, apesar do apoio dos artistas, o grupo dispensou-o, mas ajudou-o a lançar a J Records, descrita pela própria BMG “como a maior ‘startup’ discográfica alguma vez criada”, revelando nomes como os de Alicia Keys, Pearl Jam e Eddie Vedder. Em 2008, a já Sony BMG, que, entretanto, assimilara a antiga Columbia, conferiu-lhe o título de diretor criativo.

Davis manteve-se ativo na indústria musical até ao final da vida, continuando a organizar a sua tradicional festa pré-Grammy na véspera da cerimónia. Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a Sony BMG prestou-lhe homenagem, sublinhando que foi “responsável por uma parte significativa do legado musical da empresa”.

“Não só muitos artistas que representamos estão continuamente gratos pelos seus serviços, como também muitos membros da equipa foram influenciados e orientados pelo seu profundo amor e respeito pela nossa empresa, que manteve até hoje”, afirmou o presidente da produtora, Rob Stringer.

Com uma carreira que moldou várias gerações da música popular, Clive Davis permanece até aos dias de hoje como uma das figuras mais influentes da história da indústria discográfica.