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(A) :: Livre acusa Governo de falta de "sentido de urgência" na resposta a catástrofes

Livre acusa Governo de falta de "sentido de urgência" na resposta a catástrofes

Jornadas parlamentares do Livre em Leiria expõem atrasos na limpeza florestal pós-tempestades e críticas à agência de recuperação da zona centro ainda sem rumo.

Agência Lusa
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A porta-voz do Livre acusou esta segunda-feira o Governo de “falta de sentido de urgência e responsabilidade” na resposta a catástrofes, como as tempestades na zona centro, manifestando preocupação com a limpeza dos terrenos antes da época de incêndios.

“Há aqui toda uma cultura de prevenção que tem de ser incorporada e que não tem vindo a ser, não tem feito parte do ADN em Portugal, e não a vemos de todo neste Governo, mesmo depois de todos os eventos que teve de enfrentar nestes dois anos de mandato, desde o apagão, incêndios, ao comboio de tempestades. Continuamos a não ver o sentido de urgência e de responsabilidade por parte do Governo, nomeadamente por parte do senhor primeiro-ministro”, acusou Isabel Mendes Lopes.

A também líder da bancada do Livre falava aos jornalistas à margem da primeira ação das jornadas parlamentares do partido que arrancaram esta segunda-feira na Mata Nacional de Leiria, focadas nas intempéries do início do ano e na preparação do país para eventos climáticos extremos.

Na opinião de Isabel Mendes Lopes, Luís Montenegro parece não sentir “esse peso de responsabilidade” para tomar decisões quando é necessário.

“Por isso é que não vemos a mobilização que seria necessária para fazer a limpeza das florestas, por isso é que demorámos imenso tempo para que fosse criada a agência para a recuperação [da zona centro] e depois imenso tempo para nomear quem é que estará à frente da agência, e ainda não sabemos como é que a agência vai funcionar, que recursos vai ter. Portanto, há aqui uma falta de sentido de urgência que depois tem custos muito caros para o país e para as pessoas em Portugal”, criticou.

Isabel Mendes Lopes realçou que após as tempestades muitas árvores caíram, o que se traduz em “muito material combustível” e apesar de reconhecer que a limpeza dos terrenos é uma “tarefa muito difícil”, acusou o executivo liderado por Luís Montenegro de não estar a esforçar-se o suficiente para atingir esse objetivo, “tanto naquela que é floresta pública, como na floresta privada”.

“Não foram mobilizados os meios suficientes para o fazer e isso é algo que nos preocupa muito”, sublinhou, numa visita que foi acompanhada por representantes da associação ambiental Zero e do ICNF — Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Isabel Mendes Lopes explicou que o objetivo do Livre ao realizar as suas jornadas parlamentares no distrito de Leiria é o de ver no terreno qual o impacto do “comboio de tempestades” passado cerca de quatro meses das intempéries, seja “na natureza, na floresta, nas habitações, nas associações que prestam serviço à comunidade, ou nas empresas”.

“É um impacto multifatorial que vai demorar muito tempo, muitos anos a ser recuperado e é muito importante dar a atenção e a urgência que este assunto merece”, salientou.

Após a visita à mata, os deputados seguiram para o Sport Operário Marinhense, no concelho da Marinha Grande.

No pavilhão onde antes se praticavam várias atividades desportivas, agora sem telhado e cheio de entulho, Cristina Carapinha, presidente da associação, adiantou que o Sport Operário Marinhense conseguiu ajuda para um novo telhado através de um concurso dinamizado por uma cadeia de supermercados, no valor de 85 mil euros.

Contudo, a responsável não sabe se poderá usufruir dele, uma vez que as paredes do pavilhão estão tão fragilizadas, que o telhado novo corre o risco de ceder.

Cristina Carapinha queixou-se ainda de falta de ajuda das seguradoras, que por vezes requerem dados de plantas que não tem, e lamentou que, no que toca à ajuda do Governo, as associações estejam “no limbo” por não serem nem empresas, nem particulares.

“Toda a gente se lembra que a tempestade foi em janeiro, mas em setembro, será que se lembram?”, questionou.