A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou esta segunda-feira para uma burla através de telefonemas aparentemente da Paypal, nos quais os utilizadores desta aplicação de pagamentos online são informados de compras suspeitas que, na realidade, nunca aconteceram.
Segundo o Gabinete de Cibercrime da PGR, a abordagem do alegado “serviço de apoio” da Paypal acontece sempre “por telefone, em inglês” e consiste numa mensagem gravada em que é referido que foi realizada uma compra Paypal, sendo sugerido ao cliente que, “caso pretenda solicitar a anulação da mesma, prima uma tecla no seu telefone”.
Caso o faça, a vítima “é direcionada para um suposto funcionário da Paypal”, que confirma que “foi efetuada uma compra suspeita”, nomeadamente de “criptoativos para destinos na Rússia, ou na China”.
A indicação de que o computador da vítima foi atacado por um pirata informático é outra das narrativas que tem sido identificada.
Para anular esse movimento fictício, o burlão pede autorização para enviar um e-mail destinado à instalação de um programa que, na prática, lhe permitirá aceder, à distância, “ao computador da vítima” e, caso esta “aceda à respetiva conta Paypal”, capturar estas credenciais e usá-las para fazer compras online.
Em alguns casos, refere o Gabinete de Cibercrime da PGR, o utilizador da Paypal é convencido de que, para reverter a compra suspeita, terá de pagar a terceiros.
Embora os números de contactos aparentem ser portugueses, “têm origem, entre outros, em países do sudoeste asiático”.
“Este tipo de fraude não é especificamente direcionado para Portugal, antes visando vítimas em todo o mundo. Em geral, os criminosos selecionam os contactos telefónicos de forma aleatória, na esperança de que o destinatário do telefonema seja detentor de uma conta Paypal”, lê-se na nota emitida esta segunda-feira.
Por norma, “se a vítima se aperceber de que está a ser alvo de uma fraude”, o burlão “desliga o telefonema” e nada acontece.
“É recomendável que se avaliem cautelosamente as respostas a comunicações telefónicas desta natureza, nunca fornecendo informações pessoais ou de cartões de crédito, e não instalando qualquer tipo de ‘software’ [programa informático] indicado telefonicamente por desconhecidos”, recomenda o Gabinete de Cibercrime da PGR.