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"Vou demitir-me pelo país que amo": A despedida (com final emotivo) de Keir Starmer do Governo britânico

Após refletir no campo durante o fim de semana, veio a demissão anunciada. Recordou o orgulho de mudar o partido e o país. Terminou, emocionado, a falar na família. Ficará no cargo até setembro.

Mariana Furtado
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O primeiro sinal do que se seguiria foi o púlpito a ser colocado em frente ao número 10 de Downing Street. Momentos depois, atrás dele, estava Keir Starmer a anunciar a demissão do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. Num discurso rápido, mas emocionado quando falou da família, Starmer recordou as conquistas do seu Governo, garantindo que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para garantir uma transição de poder “tranquila” para o seu sucessor.

https://twitter.com/Keir_Starmer/status/2068974834676342973

“Subir esta rua há dois anos foi o momento de maior orgulho da minha vida. Um novo Governo trabalhista. O primeiro em 14 anos. Uma página da história do nosso país virou-se após anos de desilusão e desespero. A oportunidade de mudar para melhor a vida de milhões de pessoas. Foi por isso que entrei na política. O caminho até esse ponto não foi fácil”, começou por dizer.

Lembrando ter herdado há seis anos um partido “política, financeira e moralmente falido”, Starmer confessou que lhe foi dito “repetidamente” que o partido “estava acabado”. “Que estávamos condenados a ficar na história, que era impossível obter uma maioria nas eleições gerais, quanto mais uma maioria esmagadora”, continuou, ressalvando: “Mas provámos que essas pessoas estavam erradas, porque transformámos o nosso partido. Erradicámos o veneno do antissemitismo e restabelecemos a confiança na economia, na defesa e na segurança nacional”.

Em seguida, o primeiro-ministro demissionário enumerou aquelas que considera as grandes conquistas do seu mandato nas áreas da economia, das infraestruturas, da saúde e também da imigração — esta última, recorde-se, uma das razões apontadas por Donald Trump para o fracasso do governante britânico.

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Esta primeira parte do discurso, focada nas realizações do cargo, foi quase abafada pelo hino “Ode à Alegria”, que tocava em alto volume através de uma coluna pertencente ao manifestante profissional Steve Bray, posicionado mesmo ao lado do palco, segundo The Guardian. De repente, quase que em preparação para as próximas palavras, tudo ficou em silêncio. E, depois da enumeração dos feitos, veio um ‘mas’:

“Mas sei que a questão que se coloca agora não é quem estava em melhor posição para mudar o Partido Trabalhista, para nos levar ao poder e para dar início ao trabalho vital de melhorar a vida de milhões de pessoas. Essas questões já foram respondidas. A questão que o meu partido coloca agora é se serei a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa questão. E aceito essa resposta de bom grado“, referiu ainda antes da clarificação final.

“Todas as decisões que tomei tiveram como objetivo colocar em primeiro lugar o país que amo. É por isso que vou demitir-me do cargo de líder do Partido Trabalhista. Falei com Sua Majestade o Rei esta manhã para o informar da minha decisão”, explicou, acrescentando que iria estabelecer um cronograma para as inscrições para a liderança do Labour entre 9 de julho e o fim das férias parlamentares de verão. “Caso haja disputa, isso garantirá que um novo líder esteja empossado antes do retorno do Parlamento em setembro”. Até lá, continuará no cargo de primeiro-ministro, procurando uma “transição de poder tranquila”.

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A fechar a declaração, Starmer só perdeu a contenção que vinha a demonstrar ao falar da família: “E quando deixar o cargo mais importante do país, dedicarei mais tempo à tarefa mais importante de todas: ser o melhor marido possível para a minha fantástica esposa, Vic, que tem sido um porto seguro ao meu lado, nos bons e nos maus momentos. E ser o melhor pai possível para os meus filhos, que são o meu orgulho e a minha alegria.” Neste momento, o primeiro-ministro britânico emocionou-se e a voz tremeu-lhe. Depois dirigiu-se à mulher, abraçou-a e deu-lhe a mão para reentrar no número 10 de Downing Street.