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(A) :: "Testa alta, Giorgia!"

"Testa alta, Giorgia!"

Após três anos do seu governo — um dos mais estáveis desde a era Berlusconi —, Giorgia Meloni é hoje, claramente, a líder de uma Europa em lenta reconstrução.

Mauro Merali
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Giorgia Meloni, após a derrota no referendo sobre a reforma da justiça, encontrava-se numa situação mais frágil, registando uma ligeira queda nas sondagens. Contudo, foi inteligente o suficiente para aproveitar a capitulação americana liderada por Donald Trump no Irão. O mesmo Trump que criticou o acordo nuclear de Obama em 2013 acabou por aceitar um compromisso que, a ser verdadeiro o teor tornado público, representa uma humilhação para a maior superpotência militar e económica do mundo, marcando muito provavelmente o princípio do fim da hegemonia americana.

Meloni percebeu a oportunidade. Quando Trump a atacou, acusando-a de “querer palco”, ela reagiu. Como uma italiana de gema e sangue quente, utilizou o confronto para colocar o centro político no bolso, limpar a sua imagem pós-referendo e unir o país em torno de si.

Apelidada no passado de fascista, adepta de Mussolini e descrita como uma “Medusa” que transformaria a Itália em pedra porque ia retirá-la da União Europeia (UE), Meloni passou com distinção no teste do algodão. Após três anos do seu governo — um dos mais estáveis desde a era Berlusconi —, ela é hoje, claramente, a líder de uma Europa em lenta reconstrução. Tornou-se na única figura capaz de falar de igual para igual com o atual inquilino da Casa Branca, uma situação caricata para a maioria do mainstream que a apontava como uma aliada canina de Trump.

Apesar de o caminho ainda ser apertado, Meloni foi capaz de disciplinar as finanças públicas italianas, colocando o défice abaixo dos 3% do PIB — bem abaixo dos cerca de 5% registados em França e no Reino Unido. Numa nação habituada à contrarreforma, onde os processos são lentos e o empreendedorismo é visto com desconfiança, ela tenta reformar e colhe agora os frutos dessa audácia. Não sendo a maior economia da UE, a Itália é a terceira, detendo uma enorme capacidade industrial, criativa e militar, além de gozar hoje de uma sólida reputação internacional.

Meloni ainda não é Margaret Thatcher, mas projeta-se para ser uma digna sucessora política da ex-Primeira-Ministra britânica, assumindo-se como a líder de uma nova direita liberal-conservadora que Thatcher iniciou nos anos 80 do século passado. Na paisagem política italiana, é a única capaz de governar mais tempo do que Silvio Berlusconi, de neutralizar Salvini e de reformar o país, ambicionando trazer de volta o ressurgimento italiano do final dos anos 80, quando a Itália chegou a ultrapassar o Reino Unido em tamanho do PIB anual.

Neste novo xadrez, Ursula von der Leyen pode bem ter os dias contados enquanto Presidente da Comissão Europeia em 2029.