O tricampeão olímpico de canoagem norte-americano David Hearn foi detido na passada sexta-feira depois de ter tocado num fragmento de revestimento azul, que já estaria parcialmente desprendido, do fundo do Espelho d’Água, do Lincoln Memorial, em Washington. Apesar de garantir que aquilo em que tocou já estava danificado, o atleta é acusado de vandalismo e destruição de propriedade pública, pelo que terá de responder perante a Justiça. O Presidente Donald Trump não deixou de comentar os alegados atos de vandalismo e culpou os “lunáticos da esquerda radical” pela destruição “no belo Espelho de Água”, que foi recentemente renovado.
“Não disseram que me iriam acusar, mas começaram a algemar-me. Nunca me leram os meus direitos. Não me permitiram fazer chamadas telefónicas durante as cinco horas seguintes e não detalharam as acusações que me seriam feitas”, revelou Hearn em entrevista à ABC.
O atleta estaria a completar uma volta de bicicleta em Hains Point, num circuito de aproximadamente 84 quilómetros, quando decidiu passar pelo Lincoln Memorial para ver o Espelho de Água recém-renovado. Ao ler relatos sobre a situação das algas e da tinta a descascar no fundo da piscina — apesar das remodelações de 1,28 milhão de euros — Hearn, como “um cidadão curioso e preocupado”, quis ver o fenómeno com os próprios olhos.
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Apesar de reconhecer ter manuseado um fragmento azul parcialmente descolado do fundo, Hearn garante que não danificou nenhuma parte do monumento. “Não removi, não danifiquei, não rasguei, parti, destruí ou prejudiquei qualquer parte do Espelho de Água”, assegura.
Mas aquilo que disse em sua defesa não lhe serviu de muito. Enquanto examinava o material, um funcionário do Serviço Nacional de Parques mandou-o parar. Pouco depois, os membros da Guarda Nacional disseram-lhe que a Polícia do Parque queria falar com ele. Mal deu por si, foi preso, sem saber de que acusações era alvo. Apenas mais tarde é que viria a saber que a detenção foi feita sob a acusação de destruição de propriedade pública.
O acontecimento gerou várias partilhas e comentários nas redes sociais, começando por um vídeo publicado pela jornalista conservadora Emily Miller, que mostra Hearn a ser detido, avança o The Washington Post.
https://twitter.com/emilymiller/status/2068084153233326210?s=20
O próprio Presidente Donald Trump não perdeu a oportunidade para culpar a oposição dos problemas associados à recuperação do lago. Numa publicação feita no dia da detenção, na rede social Truth Social, o Presidente norte-americano afirmou que o monumento tem sido alvo de vandalismo e culpou os “lunáticos da esquerda radical” pela destruição “no belo Espelho de Água”.
No sábado à noite, Trump disse que a Polícia do Parque tinha detido “vários indivíduos por vandalizarem o magnífico Espelho de Água”, mas até agora a Polícia não confirmou ou comentou as detenções.
Já este domingo, o Presidente dos EUA voltou a garantir que “os trabalhos irão começar imediatamente” e questionou “quem é que faria algo assim?”, em resposta aos alegados atos de vandalismo no lago do Lincoln Memorial.
Hearn afirmou que cooperou plenamente durante todo o tempo, não tendo resistido às forças de segurança. Esteve detido durante cinco horas antes de ser libertado na sexta-feira à noite. O tricampeão de canoagem, de 67 anos, terá de comparecer no Tribunal Superior do Distrito de Columbia a 9 de julho. Até ao momento, o Serviço Nacional de Parques não se pronunciou sobre a detenção do atleta ou de outras pessoas.
https://observador.pt/2026/04/29/trump-manda-pintar-de-azul-espelho-dagua-do-lincoln-memorial-em-washington/
Texto editado por Edgar Caetano