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Onda de calor. Sindicato e diretores pedem fecho de escolas e adiamento de exames

Com edifícios antigos sem climatização, o calor põe em risco os mais pequenos, avisa a comunidade educativa. Diretores pedem o fecho das escolas, mas admitem que adiamento de exames é mais "complexo".

Mariana Furtado
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Carla Jorge de Carvalho
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A subida das temperaturas prevista para os próximos dias está a gerar preocupação na comunidade educativa. Perante a perspetiva de uma onda de calor — com temperaturas que poderão chegar aos 40 graus — o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU) e a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) uniram-se nos apelos ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) para que tome medidas.

Segundo avançou o Diário de Notícias, o SPLIU já formalizou um pedido ao ministro Fernando Alexandre para antecipar o fim do ano letivo. O sindicato pretendia que as aulas tivessem terminado logo no passado dia 19 de junho — sendo que, oficialmente, o pré-escolar e o 1.º ciclo se prolongam até 30 de junho. “A significativa maioria das salas de aula não está dotada de equipamentos de filtragem dos raios solares, de ventilação adequada e de climatização”, justifica o sindicato.

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O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, acompanha o pedido, alertando para os riscos acrescidos para as crianças mais pequenas. “O MECI tem de estar atento a uma situação, pois é prejudicial, sobretudo para as crianças mais pequenas. A maioria das escolas do nosso país não estará apta a ter aulas com temperaturas elevadas. São construções antigas, a maior parte do século passado”, avisa, em declarações ao DN.

Como hipótese, Filinto Lima considera que o encerramento das escolas “pode ser avaliado e feito em distritos onde as temperaturas são mais elevadas e noutros, não”. “É algo que o MECI deve pôr em cima da mesa, sobretudo em relação ao pré-escolar e 1.º ciclo. Devemos pensar e perceber se faz sentido tomar atitudes como na França para garantir o bem-estar dos alunos”, acrescenta ao jornal.

Embora admita que a questão de alterar as datas das provas nacionais seja “mais complexa”, o porta-voz dos diretores sublinhou ao jornal que veria com bons olhos a suspensão total das aulas nos distritos mais afetados pelo calor. “Adiar exames é complicado, mas não me repugna nada que alguns distritos não houvesse aulas”, conclui ao jornal.

Ao Observador, o dirigente escolar confessa que a sua prioridade são os alunos do pré-escolar e 1.º ciclo, menos preparados para o calor, lembrando que os estudantes do secundário já são “mais crescidos” e realizam os exames de manhã, quando as temperaturas são mais amenas.

Para Filinto Lima, qualquer decisão de fecho parcial terá de resultar de uma parceria entre o Ministério da Educação, as escolas e as autarquias. Enquanto a autorização da tutela não chega, muitas escolas contornam a falta de climatização dando aulas no exterior, embora o responsável note que nem todos os estabelecimentos têm espaços verdes ou árvores que o permitam.

“Há uma uma série de circunstâncias que nos leva a pensar que algumas escolas poderão encerrar, suspender as atividades, outras poderão continuar a atividades de modo diferenciado. Mas para isso é preciso a anuência do Ministério da Educação, o que ainda não existe”, adianta ainda à rádio Observador.

Além do encerramento das escolas, o SPLIU exige o reagendamento dos exames nacionais agendados para esta semana (que incluem disciplinas como Matemática, História, Física e Química, e Filosofia).

Em França, as escolas vão mesmo fechar portas esta segunda e terça-feira.