Portugal é o segundo país com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa. As perturbações mentais afetam mais de uma em cada cinco pessoas. As perturbações mentais e do comportamento são a segunda causa das doenças em Portugal (11,8%), mais do que as doenças oncológicas (10,4%) e quase ao nível das doenças cérebro-cardiovasculares (13,7%). Sendo o seu impacto económico de mais de 4,7 mil milhões de euros anuais em despesas diretas de saúde. Em 10 anos, a venda de antidepressivos e antipsicóticos cresceu 82% e 72%, respetivamente. No último ano, o consumo de embalagens de psicofármacos subiu para quase 30 milhões, com um impacto nos encargos do Serviço Nacional de Saúde de 156,6 milhões (+24%). Dados de um estudo da Angelini Pharma Portugal, da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e da Saúde Mental e do Infarmed.
Se, no entanto, tomarmos a doença psicológica como um degrau onde as perturbações psíquicas poderão ainda não ter necessidade de recorrer a psicofármacos ou o façam de forma adjuvante, os números da doença psíquica são, em Portugal, verdadeiramente, alarmantes. Tendo vindo a acentuar-se, numa escalada inquietante, depois da pandemia. Quer pela forma como uma tal provação terá tido impacto nos equilíbrios psíquicos mais ou menos frágeis, quer pelo modo como o contexto social, as circunstâncias económicas, a turbulência ambiental, os contextos de guerra e as dependências digitais trouxeram a muitas pessoas. Com repercussões enormes no trabalho e nos desempenhos profissionais: 61% dos portugueses estão em risco ou já se encontram em estado de burnout, de acordo com dados europeus recentes e mais de 70% dos trabalhadores portugueses manifestam sintomas associados a esgotamento físico e psicológico, fazendo com que Portugal esteja no topo dos rankings europeus de risco de exaustão laboral, com custos de cerca de 5,3 mil milhões de euros por ano; dados da OPP. Tendo toda esta rede de doença psicológica repercussões graves na dinâmica familiar e na saúde mental das crianças e dos adolescentes.
Chegados aqui, não seria de transformar a saúde mental numa questão de regime e, desde a escola, assumi-la como urgência, pensando nos dias de hoje e no futuro? Será a saúde mental um luxo ou uma necessidade?