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(A) :: Será a saúde mental um luxo ou uma necessidade?

Será a saúde mental um luxo ou uma necessidade?

Portugal está no topo dos rankings europeus de risco de exaustão laboral, com custos de cerca de 5,3 mil milhões de euros por ano.

Eduardo Sá
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Portugal é o segundo país com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa. As perturbações mentais afetam mais de uma em cada cinco pessoas. As perturbações mentais e do comportamento são a segunda causa das doenças em Portugal (11,8%), mais do que as doenças oncológicas (10,4%) e quase ao nível das doenças cérebro-cardiovasculares (13,7%). Sendo o seu impacto económico de mais de 4,7 mil milhões de euros anuais em despesas diretas de saúde. Em 10 anos, a venda de antidepressivos e antipsicóticos cresceu 82% e 72%, respetivamente. No último ano, o consumo de embalagens de psicofármacos subiu para quase 30 milhões, com um impacto nos encargos do Serviço Nacional de Saúde de 156,6 milhões (+24%). Dados de um estudo da Angelini Pharma Portugal, da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e da Saúde Mental e do Infarmed.

Se, no entanto, tomarmos a doença psicológica como um degrau onde as perturbações psíquicas poderão ainda não ter necessidade de recorrer a psicofármacos ou o façam de forma adjuvante, os números da doença psíquica são, em Portugal, verdadeiramente, alarmantes. Tendo vindo a acentuar-se, numa escalada inquietante, depois da pandemia. Quer pela forma como uma tal provação terá tido impacto nos equilíbrios psíquicos mais ou menos frágeis, quer pelo modo como o contexto social, as circunstâncias económicas, a turbulência ambiental, os contextos de guerra e as dependências digitais trouxeram a muitas pessoas. Com repercussões enormes no trabalho e nos desempenhos profissionais: 61% dos portugueses estão em risco ou já se encontram em estado de burnout, de acordo com dados europeus recentes e mais de 70% dos trabalhadores portugueses manifestam sintomas associados a esgotamento físico e psicológico, fazendo com que Portugal esteja no topo dos rankings europeus de risco de exaustão laboral, com custos de cerca de 5,3 mil milhões de euros por ano; dados da OPP. Tendo toda esta rede de doença psicológica repercussões graves na dinâmica familiar e na saúde mental das crianças e dos adolescentes.

Chegados aqui, não seria de transformar a saúde mental numa questão de regime e, desde a escola, assumi-la como urgência, pensando nos dias de hoje e no futuro? Será a saúde mental um luxo ou uma necessidade?