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(A) :: Eles querem respostas, mas continuam a responder a tudo dentro de campo (a crónica do Bélgica-Irão)

Eles querem respostas, mas continuam a responder a tudo dentro de campo (a crónica do Bélgica-Irão)

À boleia de uma exibição brutal do guarda-redes Alireza Beiranvand, o Irão travou a Bélgica e tem agora dois pontos depois de duas jornadas num Mundial onde atravessa condições sem paralelo (0-0).

Mariana Fernandes
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Um jogo do Irão no Mundial 2026 é muito mais do que um jogo do Irão num Campeonato do Mundo. Depois de todas as indecisões sobre a própria participação, a incerteza sobre as viagens do México para os EUA e todos os obstáculos na fronteira norte-americana, os iranianos estrearam-se mesmo com um empate contra a Nova Zelândia. Os problemas, porém, continuam a existir. 

Na antecâmara do jogo deste domingo contra a Bélgica, o selecionador iraniano aproveitou a antevisão para criticar os treinadores de todas as outras seleções, queixando-se de falta de apoio. “Temos muitos desafios, principalmente fora de campo. Fiz uma pergunta aos outros 47 selecionadores e ninguém respondeu. Não tenho visto apoio nenhum, não tive nenhuma reação de ninguém. Até parece que o honrado selecionador da Bélgica já disse que estamos aqui para falar de futebol e não de política”, começou por dizer Amir Ghalenoei.

https://observador.pt/2026/06/16/assobios-o-sol-e-o-leao-como-foi-a-estreia-do-irao-no-mundial/

“As nossas queixas estão relacionadas com a maneira como a organização do Mundial se comportou connosco. E não ouvi nada dos outros treinadores. Devem estar ocupados com as suas equipas, não recebemos nada. Eu tê-lo-ia feito”, acrescentou, revelando também que os iranianos ainda foram abordados pela FIFA sobre a possibilidade de viajarem para os EUA logo na sexta-feira, mas a hipótese não se concretizou e a viagem para a cidade do jogo voltou a acontecer na véspera e com regresso marcado para o momento imediatamente após o apito final.

Era neste contexto que o Irão, depois de ter empatado com a Nova Zelândia na primeira jornada do Grupo G, defrontava a Bélgica no SoFi Stadium de Los Angeles, sendo que os belgas também tinham empatado contra o Egito. Amir Ghalenoei mantinha Mehdi Taremi no ataque, enquanto que Rudi Garcia já contava com Romelu Lukaku como referência ofensiva, lançando Leandro Trossard, De Bruyne e Saelemaekers no apoio ao avançado. Jérémy Doku ficava de fora, alegadamente devido a uma infeção respiratória, sendo que o jogador do Manchester City já pediu para se ausentar dos EUA durante o mês de julho para assistir ao nascimento do primeiro filho.

Numa primeira parte que terminou sem golos, a Bélgica começou melhor e poderia perfeitamente ter inaugurado o marcador em diversas ocasiões, com Alireza Beiranvand a travar oportunidades de De Cuyper (9′ e 44′) e Tielemans (22′). O Irão respondeu com uma boa oportunidade de Hossein Kanaani, que atirou na grande área para Courtois defender (14′), e Taremi conseguiu mesmo marcar na sequência de um lance brutalmente estudado (25′), mas o golo foi anulado por fora de jogo do antigo avançado do FC Porto. Ao intervalo, belgas e iranianos estavam empatados.

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O segundo tempo começou com a mesma lógica: a Bélgica estava por cima e poderia ter marcado com um remate de Saelemaekers que foi à malha lateral (50′), mas o Irão não precisava de muito tempo para criar estragos e Taremi voltou a obrigar Courtois a uma defesa importante (53′). Alireza Beiranvand foi novamente crucial ao parar um pontapé de De Cuyper com uma intervenção impressionante (59′) e o jogo tornou-se progressivamente mais imprevisível.

Com pouco mais de 20 minutos para jogar, Nathan Ngoy foi expulso com cartão vermelho direto, depois de travar Taremi quando o avançado seguia isolado para a baliza, e a equipa de Rudi Garcia ficou em inferioridade numérica. Até ao fim, entre as cautelas belgas e o desgaste iraniano, já nada mudou: Bélgica e Irão empataram sem golos em Los Angeles e mantêm-se com apenas dois pontos conquistados, ficando agora à espera do que fazem Egito e Nova Zelândia no outro jogo do Grupo G.

A estrela

  • Alireza Beiranvand ditou o resultado do jogo. O guarda-redes iraniano de 33 anos que atua no Tractor foi importante na primeira parte, travando oportunidades de De Cuyper e Tielemans, mas tornou-se crucial na segunda, parando uma nova tentativa de De Cuyper com uma intervenção impressionante — que é desde já uma das melhores do Mundial 2026. Tudo num jogo em que chegou a ver o suplente a aquecer, logo nos instantes iniciais, depois de um choque com Romelu Lukaku que o obrigou a ser assistido pela equipa médica.

O joker

  • Não conseguiu marcar, mas foi quem mais tentou. Maxim De Cuyper foi o grande inconformado da Bélgica, somando oportunidades de golo tanto na primeira parte como na segunda — e esbarrando sempre na inspiração de Alireza Beiranvand. Aos 25 anos, numa equipa recheada de estrelas como Kevin De Bruyne, Lukaku ou Leandro Trossard, o médio do Brighton apareceu constantemente em zonas de finalização e poderia mesmo ter sido o herói dos belgas. Só faltou marcar.

A sentença

  • Com este resultado, Bélgica e Irão têm agora dois pontos no Grupo G e ficam à espera do resultado entre Egito e Nova Zelândia, adiando a matemática do agrupamento para a última jornada. Se é certo que dificilmente as duas equipas falham os 16 avos de final, até porque passam oito dos terceiros classificados, também fica claro que o jogo deste domingo foi muito melhor para os iranianos do que para os belgas.

A mentira

  • A Bélgica continua sem ser uma verdadeira candidata à conquista do Campeonato do Mundo. Apesar do bom resultado em 2018, com um terceiro lugar na Rússia, os belgas seguem sem aproveitar um conjunto de jogadores muito acima da média que parece sempre algo perdido quando entra em campo. Ao fim de dois jogos, a equipa de Rudi Garcia continua sem marcar um único golo, já que o empate contra o Egito aconteceu graças a um autogolo.