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(A) :: Carrera acelerou para ser herói: Benfica vence Sporting nos penáltis e fica a uma vitória do bicampeonato

Carrera acelerou para ser herói: Benfica vence Sporting nos penáltis e fica a uma vitória do bicampeonato

Jogos 3 da final são sempre melhores, jogo 3 desta final não fugiu à regra: muitos golos, Benfica sempre na frente, Sporting a recuperar e uma decisão que só caiu nas grandes penalidades (5-5, 8-7).

Bruno Roseiro
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Podia cair para um lado, podia cair para outro, não voltaria a ser igual. Depois do triunfo do Benfica no jogo 1 que colocou pressão extra no Sporting, o jogo 2 empatou a eliminatória. Mais do que isso, terminou como o dérbi mais desnivelado de sempre, com os leões a golearem os encarnados por 8-2 num encontro que poderia ter terminado ainda de forma mais expressiva. Agora, no nono dérbi da época sem segredos mas que tinha margem para introduzir nuances que pudessem colocar o adversário em apuros, o foco voltava a passar mais para a equipa da Luz e pela capacidade que podia apresentar para responder ao descalabro no Pavilhão João Rocha. E com um ponto fulcral: não sendo decisivo, quem ganhasse ficaria só a um passo do título.

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“Temos de entrar com um caráter muito grande e com brio. Mostrámos isso a época toda. Queremos resgatar o que fizemos nos grandes jogos. Vejo que a nossa equipa está muito consciente do que não fizemos bem no último confronto e do que temos de fazer agora. Quando a equipa fica a época toda a lutar pelas primeiras posições, transmite um caráter, uma humildade de aprender. A nossa equipa aprende nas vitórias, e, quando os resultados não vêm, procuramos também aprender muito. Acredito que nunca vivemos um momento de conexão tão grande com os adeptos como quando chegamos aqui. Na primeira época, recebemos um carinho muito grande e eles tinham uma expectativa de darmos a volta. Neste momento específico, vejo que eles acreditam muito, têm uma crença muito grande, e isso deixa-nos felizes, confiantes. Com a energia deste pavilhão, temos de fazer um jogo incrível e deixar tudo em campo”, salientara o técnico Cassiano Klein.

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“Entrámos muito bem no último jogo, mesmo a perder. Entrámos confiantes, muito intensos, a disputar cada duelo como se fosse o último. Isso também fez a diferença. Começámos a pecar pela finalização, podíamos ter ido para o intervalo a ganhar já por três ou por quatro golos, mas na segunda parte a eficácia aumentou. Conseguimos finalizar mais vezes e daí o resultado ter sido tão avolumado. Dá-nos mais confiança. Mas temos de estar sempre de pés bem assentes na terra porque só empatámos o playoff. O resultado, por ter sido tão avolumado, pesa-lhes. Acho que vão ganhar ainda mais motivação. Será uma equipa muito mais intensa e com mais sangue nos olhos. Temos de entrar com a mesma mentalidade e pensar que este terceiro jogo é muito importante. Trazendo a decisão para casa, podemos ser muito felizes”, apontara o fixo Tomás Paçó.

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Apesar dessa goleada no jogo 2 do Sporting, era o Benfica que continuava em vantagem nos dérbis esta época entre fase regular da Liga, final da Liga, Supertaça, final da Taça de Portugal e quartos da Liga dos Campeões, somando quatro triunfos contra três dos leões mais um empate. Agora, teve uma outra igualdade… desempatada a favor dos encarnados: no primeiro encontro com prolongamento e penáltis, o Benfica foi mais forte no desempate com um herói improvável chamado Diogo Carrera, que travou duas tentativas em fases decisivas, e voltou a adiantar-se na final, ficando apenas a um triunfo do bicampeonato. Por norma, olhando para aquilo que aconteceu em 2016, 2017, 2019, 2021 ou 2023, pode ter sido um passo decisivo mas já houve exceções… e a última foi mesmo no ano passado, quando o Benfica foi campeão no João Rocha.

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O Sporting começou mais confortável na partida, com mais remates e maior capacidade para ir jogando entre um tiro logo no segundo minuto de Tomás Paçó que bateu no poste, mas o Benfica não demorou a equilibrar o duelo, colocando a tónica do encontro no remate-lá-remate-cá com Léo Gugiel e Bernardo Paçó a saírem sempre por cima entre um lance de dúvida em que o guarda-redes visitado tocou a bola algures com a barriga e o braço mas sem que os leões pedissem intervenção de VAR. Arthur teve a tentativa mais perigosa dessa fase para o Benfica, Chishkala atirou ao lado após ficar isolado com um passe de calcanhar de Rocha, Wesley teve outra oportunidade em mais uma subida para 5×4 de Bernardo Paçó mas o nulo continuava a imperar. Como seria possível desfazer o nó? Apostar na bola parada. E foi através desses esquemas táticos preparados nos últimos dias que os golos finalmente apareceram no jogo 3 da final do Campeonato.

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Logo a seguir a um livre em posição frontal não aproveitado pelo Sporting, o Benfica trabalhou para abrir a carreira de tiro para André Coelho e o fixo que falhara por lesão na partida anterior atirou um míssil ao ângulo para o 1-0 (11′). De seguida, o mesmo filme: livre mal trabalhado pelos leões sem finalização “boa” na baliza de Léo Gugiel, livre bem trabalhado pelas águias na baliza de Bernardo Paçó com Diego Nunes a “enganar” a marcação de Tomás Paçó para o 2-0 (12′). O Sporting iria responder e, claro, de bola parada: reposição lateral de Alex Merlim a combinar com Zicky Té e remate de bico ao ângulo do internacional italiano para o 2-1 (13′). O dérbi estava com um ritmo frenético e com a eficácia a ditar leis, com Felipe Valério a acertar na trave num 3×2 rápido e Carlinhos a aproveitar uma transição para marcar mesmo o 3-1 (15′). O brasileiro não demoraria a “vingar-se” desse infortúnio, assistindo Pauleta para encostar na área para o 3-2 (17′). André Coelho ainda teve também uma bomba na trave de Bernardo Paçó mas o intervalo chegaria com a margem mínima.

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Era aquele tipo de jogo que os adeptos adoram mas os treinadores nem por isso, tendo em conta a falta de capacidade para colocarem gelo no ritmo quando era mais necessário. As oportunidades continuaram, os golos não: Bernardo Paçó teve uma defesa fantástica numa situação 1×0 com Arthur, Diogo Santos acertou no poste, Bernardo Paçó voltou a brilhar na baliza depois de mais um erro na saída verde e branca. Foi assim que o jogo foi decorrendo com o passar dos minutos a não mexer no 3-2 que vinha do intervalo até haver finalmente um erro com consequências práticas: o remate de longe de Bernardo Paçó ficou prensado num defesa, a bola sobrou para André Coelho e o internacional bisou (33′), com Pauleta a reduzir no mesmo minuto numa jogada com muitas semelhanças com a que tinha originado antes o 4-2 dos encarnados.

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Sempre que parecia que o Benfica tinha o jogo na mão, o Sporting conseguia marcar e reabrir mas falhava depois na hipótese de chegar ao empate. A cinco minutos do final do tempo regulamentar, essa premissa foi quebrada, com Pauleta a fazer o hat-trick num lance em que Léo Gugiel não ficou bem na fotografia. A partir daqui, a balança podia cair para qualquer lado e até o cenário de prolongamento começava a surgir em alguns horizontes. Um cenário que, de forma inevitável, foi confirmado, com ambas as equipas a acabarem com mais receio de não sofrer do que vontade em marcar. Chegava o tempo extra, chegava a zona cinzenta de qualquer jogo, chegava também a altura de gerir as faltas e aproveitar os erros contrários como aconteceu com Higor, que numa saída rápida após grande defesa de Léo Gugiel fez o 5-4 (43′). Com as equipas tapadas por falta, Diego Nunes fez a sexta falta e Tomás Paçó conseguiu ainda o empate a 29 segundos do final, levando a decisão em definitivo para o desempate por grandes penalidades… após 2h30 de dérbi. Até aqui, tudo foi dramático: Afonso falhou, Diogo Carrera impediu que Alex Merlim marcasse a bola decisiva e, mais tarde, travou também a tentativa de Zicky Té para carimbar o triunfo do Benfica por 8-7 nos penáltis.

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