Este está a ser o Campeonato do Mundo onde os guarda-redes mais improváveis se tornam os maiores heróis. Depois de Vozinha, que segurou o histórico empate de Cabo Verde contra Espanha na estreia dos africanos em Mundiais, Eloy Room respondeu ao cabo-verdiano com uma exibição brutal contra o Equador que garantiu um empate e o primeiro ponto de sempre de Curaçau na competição.
Num jogo em que os sul-americanos foram naturalmente superiores, o guarda-redes de 37 anos fez 15 defesas — um registo absolutamente inédito em jogos de 90 minutos desde 1966, ano em que a FIFA começou a contabilizar a estatística. Na verdade, em termos absolutos, Eloy Room só é superado por Tim Howard, guarda-redes norte-americano que em 2014 fez 16 defesas contra a Bélgica nos oitavos de final no Brasil. Contudo, esse jogo foi a prologamento e contou com uma meia-hora extra.
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Nascido em Nijmegen em fevereiro de 1989, o guarda-redes é um dos 25 convocados de Dick Advocaat que nasceram nos Países Baixos, sendo que o pai é natural de Curaçau. Depois de uma passagem pelo NEC nas camadas jovens, chegou ao Vitesse ainda adolescente e estreou-se pela equipa principal em 2008, com apenas 19 anos. Com um empréstimo ao Go Ahead Eagles pelo meio, passou quase uma década no clube, conquistando uma Taça dos Países Baixos em 2016/17 e antes de dar o salto para o PSV.
Em Eindhoven, foi quase sempre suplente e mais utilizado na equipa B do que propriamente na equipa principal, apesar de ter contribuído para a conquista de um Campeonato. Em 2019, fez as malas e mudou-se para os EUA, assinando pelo Columbus Crew de Ohio. Venceu a MLS em 2020 e 2023, passou cinco anos no futebol norte-americano e regressou aos Países Baixos em 2023 e à boleia do Vitesse. Jogou depois no Cercle Brugge da Bélgica e em dezembro do ano passado voltou aos EUA para representar o Miami FC, onde está agora.
“É uma sensação muito boa. Acho que dei confiança à equipa e a mim mesmo depois daquela primeira defesa no início. Fui crescendo no jogo, que sabia que seria movimentado. Felizmente, consegui afastar todas as bolas e ajudar. Estou um pouco chateado, porque também tivemos oportunidades e teria sido perfeito se marcássemos, mas aceito o 0-0 e este ponto. Para nós, parece uma vitória. É surreal e é uma sensação inacreditável”, disse o guarda-redes depois do jogo, sendo que foi naturalmente eleito o melhor jogador em campo.
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Mais à frente, Eloy Room garantiu que não estava a contar as defesas — mas que tem pena de não ter quebrado o recorde absoluto de Tim Howard. “Não estava ocupado a contar as defesas durante o jogo, mas sabia que eram muitas. Fiquei um bocadinho chateado por não ter batido o recorde do Tim Howard. Claro que vi esse jogo, acho que foi contra a Bélgica, o do Tim Howard. Por isso, acho que ele estava em casa a suar, sabem, a ver o jogo… Mas não. Mas sim, ouvi dizer que também era outro recorde de há muito tempo, por isso, sim, estou orgulhoso disso”, acrescentou.
“Não pensamos nisto quando acontece, mas vai ser algo para lembrar no futuro. Para mim, como guarda-redes, este é quase o jogo perfeito, sabem? Por isso, é… Estou muito orgulhoso e a equipa também, porque lá está, conseguimos isto em equipa. Eu faço as defesas, mas lutámos como uma equipa, incluindo os jogadores que entraram. Mas sim, acho que mereço uma estátua em Curaçau, acho que sim”, brincou Eloy Room, entre gargalhadas.
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“O meu sonho era disputar o Campeonato do Mundo por Curaçau. Foi uma longa jornada e chamaram-me louco quando troquei os Países Baixos por Curaçau, mas tinha um objetivo em mente e não me importava o que as pessoas diziam. No fim, estou aqui. Estava certo”, atirou o guarda-redes, que foi ainda saudado pela família real neerlandesa, que marcou presença no Arrowhead Stadium de Kansas City. “Eles estavam muito felizes e orgulhosos e deram-me os parabéns. Além disso, vi-os dançar no balneário ao som da nossa música. É inacreditável que tenham assistido a este jogo”, terminou, ele que ainda foi internacional Sub-20 pelos neerlandeses.
Com este jogo, Eloy Room igualou ainda as 74 internacionalizações de Leandro Bacuna, que também está no Mundial 2026, para se tornar o jogador mais internacional de sempre pelo país em ex aequo. Quanto a Curaçau, num Grupo E em que a Alemanha já está apurada, tem agora um ponto, assim como o Equador, sendo que a Costa do Marfim tem três — o que significa que, na última jornada, a seleção das Caraíbas pode seguir em frente no segundo lugar se vencer os costamarfinenses, mas também pode continuar em competição se empatar e os equatorianos não ganharem aos alemães, enquanto um dos melhores terceiros classificados.