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(A) :: “Sabíamos que íamos passar por isto”. A “conversa” dos jogadores em Palm Beach para “blindar” a Seleção

“Sabíamos que íamos passar por isto”. A “conversa” dos jogadores em Palm Beach para “blindar” a Seleção

Nos primeiros dias nos EUA, os jogadores da Seleção reuniram-se para “blindar” o grupo contra as críticas, principalmente das redes sociais. Todos participaram e não estava nos planos da FPF.

Miguel Cordeiro
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“Sem revelar muito do que fazemos, tivemos oportunidade, antes de chegar o Mundial, de termos uma conversa sobre isto”. As palavras são de Diogo Dalot, defesa da seleção portuguesa que falou à imprensa em vésperas do jogo com o Uzbequistão. Perante os jornalistas, quando foi questionado sobre os “ataques” nas redes sociais a alguns jogadores, mais concretamente a João Neves, Dalot revelou um pouco dos bastidores da equipa e apontou para uma conversa entre o plantel.

O Observador sabe que não foi a estrutura da Federação Portuguesa de Futebol a promover esta “conversa”. Foram os próprios jogadores que se quiseram preparar para as ondas de choque que podiam surgir. As redes sociais acrescentam um fator de pressão sobre a equipa. O estrelato de alguns jogadores, principalmente de Cristiano Ronaldo, torna a crítica constante e Dalot assume isso: “Quando tens o Cris no plantel tens de estar preparado para o alarido fora do normal. Daí o facto de termos tido essa conversa. Daí a mensagem de que o grupo está blindado. Sabíamos que íamos passar por isto e acabou por acontecer.“

Dalot não concretizou quem teve a ideia de ter esta conversa. O Observador apurou que todos os jogadores participaram e que a reunião aconteceu já em Palm Beach, logo nos primeiros dias do estágio nos EUA, quando começaram a chover críticas sobre a presença de jogadores na praia.

A reunião promovida pelo plantel teve um efeito importante no grupo, Dalot reconhece que foi um verdadeiro treino, até porque as críticas começaram a surgir quando chegaram aos EUA. Apesar das “poucas horas” que passaram na praia, a polémica em torno das fotografias e vídeos dos jogadores no areal e no mar em frente ao Four Seasons Resort Palm Beach foi a faísca para esta reunião. “O lado positivo é que aconteceu cedo, assim também matamos o assunto e seguimos”, disse Dalot na conferência de imprensa deste sábado.

Com estas palavras, o defesa da seleção portuguesa abriu uma janela para o espírito do grupo português. No passado, já se registaram problemas nas seleções nacionais, seja por conflitos no balneário ou por situações externas aos jogadores. Com esta equipa, a palavra “família” tem sido utilizada de forma repetida pelos futebolistas. Acontece assim em conferências de imprensa, em entrevistas ao longo dos últimos meses e é percetível uma saudável convivência entre quase todos os jogadores.

A “conversa” de Palm Beach, de acordo com Diogo Dalot, foi fundamental para cimentar o balneário: “O grupo está blindado. A mensagem que queremos e gostamos de passar é que temos milhões de pessoas que querem ver Portugal ganhar e estamos todos no mesmo barco.”

O jogador português assume também que a crítica é natural e aponta para a experiência dos jogadores da Seleção Nacional, seja em contexto dos clubes que representam, ou com a camisola de Portugal. “Não fugimos à crítica, não queremos fugir a isso até porque somos os primeiros a querer fazer a diferença.”

A longa conferência de imprensa de Diogo Dalot serviu também para deixar uma mensagem forte para quem, aos olhos dos jogadores, está a fazer uma crítica prejudicial à Seleção: “Estamos bem, estamos coesos e sabemos o que precisamos de fazer para ganhar, da mesma forma que sabemos que alguns não querem que ganhemos.”

Convidado a concretizar, Diogo Dalot disse que não iria “indicar nomes” e apontou mais uma vez para o foco do plantel e para o grupo coeso que se conseguiu blindar antes dos ataques.