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Na primeira jornada, a Tunísia teve o condão de protagonizar um dos momentos insólitos deste Campeonato do Mundo e, quiçá, de toda a história da centenária competição. Na estreia, as águias de Cartago até ameaçaram a Suécia, mas acabaram goleadas após uma segunda parte de luxo dos nórdicos (1-5). Algumas horas depois, chegou a notícia pela qual ninguém esperava: Sabri Lamouchi estava de saída da seleção tunisina e, para o seu lugar, ia chegar Hervé Renard. Ainda assim, as movimentações no comando técnico tornaram-se habituais na Tunísia nos últimos meses, dado que a equipa começou o ano com Sami Trabelsi a orientar a equipa na CAN, sendo substituído por Lamouchi depois da eliminação nos oitavos de final. Lamouchi não resistiu meio ano e saiu no final de cinco jogos, tendo somado apenas uma hora. Já com Renard, seguia-se o duelo com o difícil Japão, num jogo em que as duas equipas precisavam de ganhar para saltarem para o segundo lugar.
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“O grande exemplo para nós é o empate de Cabo Verde com Espanha, talvez os maiores favoritos desta competição. Isso tem de nos dar esperança de que, quando se está bem organizado, unido e quando se consegue competir com uma grande motivação, é possível alcançar bons resultados. Também vimos a RD Congo empatar com Portugal, o que foi um resultado fantástico para uma equipa africana. A Costa do Marfim também esteve muito bem, e temos de seguir este exemplo e não nos deixarmos intimidar por nada. Se não acreditarmos que podemos ganhar o jogo, mais vale irmos simplesmente para casa. Não há mágicos no futebol. Há trabalho, preparação e ser bom e eficiente nos momentos que contam. Contra o Japão teremos de ser perfeitos coletivamente. Temos de os respeitar, mas não temê-los. Temos de encontrar a determinação no fundo de nós mesmos para termos sucesso neste jogo”, perspetivou Renard.
“Os nossos jogadores tiveram um bom desempenho contra os Países Baixos, mas ninguém está satisfeito. Esse resultado não garante uma vitória contra a Tunísia. A Tunísia mudou de treinador e vai entrar em campo com uma motivação extremamente elevada. Não podemos adotar uma atitude defensiva perante tal mentalidade e temos de estar preparados para dar o nosso melhor para vencer o jogo. Este jogo vai decorrer sob um calor intenso e em circunstâncias extremamente difíceis para os jogadores. Mas realizámos um pré-estágio com vista a isso, para lidar com o calor e familiarizar-nos com o ambiente da cidade. Temos essa experiência e, aliada à boa preparação que fizemos, acredito que os jogadores estarão calmos e darão o seu melhor. Temos de respeitar os adversários, mas não podemos ter medo da seleção japonesa. Tivemos pouco tempo, mas isso não serve de desculpa. Temos de dar o nosso melhor para jogarmos bem”, garantiu Hajime Moriyasu.
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Para aquele que foi o milésimo jogo na história dos Mundiais, Hervé Renard operou três mudanças no seu 3x4x3, a começar pela baliza, de onde saiu Abdelmouhib Chamakh, que cometeu dois erros decisivos frente à Suécia. Para o seu lugar entrou Aymen Dahmen, que tinha perdido a titularidade após uma má prestação na CAN. Na defesa, Dylan Bronn entrou para o lugar que foi de Mohamed Ben Hamida, ao passo que Sebastian Tounekti substituiu Rani Khedira. Já Moriyasu ficou privado de utilizar Takefusa Kubo, que saiu lesionado no jogo contra os neerlandeses. Para o seu lugar entrou Junya Ito, que se juntou a Ayase Ueda e Ao Tanaka, que rendeu Daizen Maeda, no ataque. Mais atrás, Ko Itakura substituiu Shogo Taniguchi e Takehiro Tomiyasu entrou para o lugar que foi de Tsuyoshi Watanabei.
Os samurais azuis tiveram uma entrada forte em Monterrey e chegaram ao golo logo a abrir, com Keito Nakamura a receber de Tanaka na esquerda, a partir para o drible e a cruzar rasteiro para o desvio certeiro de Daichi Kamada (4′). Logo a seguir, Ueda podia ter dobrado a vantagem com um remate cruzado, rasteiro, feito dentro da área, mas Dahmen voou para fazer uma das defesas do torneio, tirando a bola quando esta já estava praticamente toda dentro da sua baliza (10′). A Tunísia acabou por crescer a partir daí, mas quebrou-se depois da pausa para hidratação, com os japoneses a dobrarem a vantagem: Itakura conduziu a transição rápida e entregou em Ueda à entrada da área, o avançado enquadrou-se e desferiu um belo remate cruzado, de pé direito, para o fundo da baliza (31′).
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Para a etapa complementar, Ben Hamida e Ismaël Gharbi, que pertence ao Sp. Braga, foram lançados de pronto e a Tunísia conseguiu equilibrar o jogo, voltando do intervalo com outra postura. Seguiu-se a entrada de Firas Chaouat, antes de o Japão ter feito mais um golo, com Ayase Ueda a isolar Junya Ito com um passe entrelinhas, seguindo-se a finalização certeira do camisola 14 perante a saída de Dahmen (69′). Com a pausa para hidratação entraram em campo Junnosuke Suzuki e Yukinari Sugawara, com Ayumu Seko e Yuito Suzuki também a saírem do banco na ponta final. Kaishu Sano aproveitou mais um erro das águias de Cartago para se lançar na direita e desferir um cruzamento largo que terminou com mais um belo golo de Ueda, agora com um cabeceamento em balão que saiu fora do alcance de Anis Slimane (83′). Keisuke Goto, Elias Achouri e Rani Khedira foram os últimos a sair dos bancos, com o resultado fechado.
A estrela
- Depois de ter vivido uma temporada de afirmação no Feyenoord, Ayase Ueda chegou à América do Norte para deixar a sua marca no Mundial-2026. O melhor marcador da última Eredivisie foi o elemento mais diferenciador do ataque do Japão e aquele que mais trabalho deu à Tunísia, tendo feito o gosto ao pé com um golaço de fora da área. Depois, assistiu Junya Ito com um grande passe de rutura entrelinhas que isolou o companheiro, antes de bisar com um grande cabeceamento em chapéu.
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O joker
- Dos Países Baixos chega igualmente o outro destaque desta partida, que dá pelo nome de Ko Itakura. O central do Ajax esteve em grande plano diante da Tunísia, secando o ataque do adversário com várias recuperações e duelos ganhos. Contudo, foi mesmo no ataque que Itakura deixou a sua marca, tendo ficado ligado ao golo de Ueda com uma condução e um passe na altura certa.
A sentença
- Com este resultado, a Tunísia está eliminada do Mundial-2026, sendo certo que não vai sair do último lugar do grupo F. Por outro lado, a luta pelos três primeiros lugares está totalmente em aberto e pode cair para qualquer lado, dado que Países Baixos e Japão têm mais um ponto que a Suécia. Na última jornada, os japoneses vão ter uma espécie de final frente aos suecos, ainda que os quatro pontos devam ser suficientes para passar como um dos melhores terceiros classificados. Caso o objetivo seja o primeiro lugar, aí os neerlandeses partem em vantagem no capítulo da diferença de golos, embora com apenas mais um golo.
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A mentira
- Não é todos os dias que se chega à marca dos mil jogos num Campeonato do Mundo. Nem todos os anos, nem em todas as décadas. Nesse sentido, pedia-se mais à FIFA. É certo que, num Mundial, todos os jogos são, por si só, especiais, mas este foi ainda mais especial, acabando por ser tratado como qualquer outro jogo, à exceção do equipamento especial da equipa da arbitragem — rosa com riscas douradas — e do patch com o número mil utilizado pelos jogadores, embora com pouco destaque visual na manga da camisola. Para além disso, a promoção da FIFA ficou-se pelos vídeos e imagens publicados nas redes sociais, ainda que a hora também não tenha ajudado à festa.
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