O Governo deve ser claro na sua comunicação e na denúncia dos “bloqueios” da oposição. É isso que defende o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, que enquanto militante social-democrata, a partir do 43.º congresso do partido, disparou críticas contra Chega e PS, pelo objetivo que terão de “destruir” as reformas do Governo.
Em entrevista ao Observador, Pinto Luz defende que é preciso colocar a nu as diferenças de atitude das várias forças políticas. “O Governo não denunciava este tipo de atitudes. Não deve desviar um milímetro da agenda reformista, deve comunicar isso de forma muito clara e denunciar as atitudes ziguezagueantes de colocar pequenas cascas de banana que nos impeçam de ter ganhos de causa”, explica.
As oposições, e o ministro coloca aqui Chega e PS no mesmo saco, estão a tentar impedir o trabalho do Governo: “Tentam impedir o sucesso de medidas governativas de forma clara. Todas as pedras na engrenagem são bem-vindas, para o insucesso do Governo ser claro”.
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Quanto ao recuo do Chega, que acabou por chumbar a reforma laboral, Pinto Luz explica a possível ingenuidade do partido, que acreditou na viabilização do pacote, por os sociais-democratas estarem habituados à ideia de que “a palavra vale mais do que o like e o soundbite”. “Se calhar ainda não estamos habituados a esta nova forma de fazer política. Eu não mudarei”. “É errático, não é sério, não é leal”.
Pinto Luz admite não saber “como se lida” com essa forma de fazer política, mas que o PSD deve pensar nos portugueses e que o Chega, pelo contrário, teve uma “atitude de regozijo” com o chumbo. “O Chega junta-se a este cristalismo, incapacidade de mudar”, acusa. “De punho fechado, qual esquerda proletária, fica contente com o insucesso de um pacote laboral reformista”.
Ainda assim, o ministro diz que o PSD continuará a falar com todos, Chega incluído, sem “amuar”: “Um Governo maduro não pode amuar”. O mesmo é dizer que não se irá vitimizar para tentar ir a eleições, garante, dizendo ainda acreditar que a legislatura chegará ao fim e que não existe um “pântano” nem um problema de governabilidade. “Vamos dizer que temos um cenário de ingovernabilidade porque falhou um pacote? Por amor de Deus”.
Sobre o Chega e este chumbo, Pinto Luz, que em tempos foi defensor de uma política de alianças sem linhas vermelhas, considerou esta decisão “mais uma prova” de que o Chega não é um partido confiável. “É um Chega mais socialista do que o PS muitas vezes, ziguezagueante. Isso é preocupante”. Já o PSD, explica, nunca poderia ceder na linha vermelha que dizia respeito à diminuição da idade da reforma exigida pelo Chega: “Jamais podia apoiar uma medida populista que pusesse em causa o futuro e a sustentabilidade da Segurança Social e das reformas”.
E fala do “paradoxo” de um partido que se diz de direita — o Chega — mas não quer privatizar a TAP, colocando-se ao lado do PS. “Os portugueses só podem ter uma leitura: não estão a agir de acordo com as suas matrizes ideológicas, mas com interesses momentâneos”.
Quanto ao PS, também mereceu ataques, com Pinto Luz a fazer o seguinte diagnóstico: é um partido profundamente dividido e desunido entre uma visão mais radical e outra mais moderada. “Existem duas formas de estar”.
Sobre Passos Coelho, Pinto Luz reitera que vive de forma “positiva” com os seus reparos e que o PSD tem de “conviver bem com os reparos dos senadores”. “Alguém como Passos tem direito a usar o tom que quiser”, mesmo que não concorde com o conteúdo.
Sendo um político no ativo, Pinto Luz explicou que não “abre nem fecha” a possibilidade de voltar a candidatar-se à liderança do PSD, recusando excluir essa hipótese no futuro. “Neste momento estou convictamente com esta liderança”. “Montenegro tem sido uma surpresa na capacidade de liderança, em termos de conhecimento profundo dos dossiês e na convocatória dos melhores”, elogia.
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