Era quase a crónica de um título esperado. Se no jogo 1 da final o equilíbrio voltou a ser a nota dominante no dérbi, à semelhança do que tinha acontecido em todos os encontros entre Benfica e Sporting esta temporada, o jogo 2, disputado no Pavilhão João Rocha, colocou os encarnados acima dos leões como ainda não se tinha visto na presente temporada, dominando por completo na primeira parte antes de marcar em fases cirúrgicas num segundo tempo de maior controlo da partida. Contas feitas, o regresso aos triunfos no Campeonato estava apenas à distância de mais uma vitória, com muitos pedidos para evitar festas antecipadas mas com a ideia de que, em condições normais, seria muito complicado perder a oportunidade – e a invencibilidade.
https://observador.pt/2026/06/17/entrar-a-matar-sair-a-controlar-benfica-vence-derbi-no-joao-rocha-e-fica-a-uma-vitoria-de-reconquistar-o-titulo/
“Mais preparados e mais concentrados será difícil, porque essa é uma característica que colocamos em todos os jogos. Temos de entrar sem olhar para ontem, olhando apenas para hoje. Podemos conquistar um título, mas o nosso foco tem de estar no adversário. Enfrentamos uma equipa que continua a ter uma enorme capacidade para aproveitar os nossos erros e que joga praticamente da mesma forma, quer atue na sua pista, quer jogue na nossa. Passámos o ano inteiro focados em fazer bem as coisas em cada jogo, não há razão para perdermos esse foco agora. Não há motivo para deixarmos de repetir aquilo que trabalhámos tanto, nem para deixarmos de estar conscientes daquilo que somos capazes de fazer ainda melhor”, destacara Edu Castro, técnico dos encarnados que podia conquistar o primeiro título oficial pelo Benfica no segundo ano.
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“Não estamos na situação que queríamos e somos responsáveis por isso, mas também somos responsáveis por sair da mesma. Enquanto for possível, vamos acreditar até ao fim. Vamos para o encontro para ganhar e para não acabar já a eliminatória. O Benfica foi superior nestes dois jogos e, por isso, precisamos de dar um passo em frente a nível defensivo, não permitindo tantas ocasiões. Apesar de termos o melhor guarda-redes do Campeonato, temos de o ajudar mais. Já estamos a analisar e a focar em alguns pontos positivos com atitude e esforço para darmos a volta”, realçara Diogo Barata, avançado dos leões, que estava apostado em poder ainda levar a eliminatória num jogo 4 para o Pavilhão João Rocha durante a semana.
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A imagem que ficara desse jogo 2 mostrava que até os próprios adeptos estavam reticentes em relação a essa possibilidade, apesar dos três triunfos que o Sporting alcançou esta temporada entre Mundial de Clubes, Supertaça de Portugal e Taça de Portugal. Foi também por isso que, na parte final da partida, levantaram uma tarja de agradecimento a Zé Diogo, guarda-redes habitualmente suplente que esteve no projeto desde o início do regresso dos verde e brancos e que está de saída do clube. Depois, havia também uma questão “histórica”: em sete duelos entre rivais, contando também com a decisão da Elite Cup, o Benfica levava cinco vitórias e dois empates. Agora, não foi diferente. E, num encontro com dedicatória especial nas bancadas para Diogo Rafael, que vai deixar os encarnados após 22 anos de ligação ao clube, o conjunto da Luz voltou a ser superior, venceu de novo o dérbi, conquistou o 25.º Campeonato e quebrou o jejum de títulos.
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Ao contrário do que tinha acontecido nos dois jogos iniciais, o início da partida foi “morno”, com poucas oportunidades junto das duas balizas e com o Sporting a assumir uma postura mais cautelosa, não subindo as linhas de pressão e mantendo a coesão defensiva. Assim, entre as paragens técnicas para retificar erros e períodos com mais quedas e protestos, o nulo foi-se mantendo com o passar dos minutos apesar das chances que ambas as equipas foram conseguindo criar, todas travadas por Conti Acevedo e Xano Edo. No entanto, a história da primeira parte iria ser escrita no derradeiro minuto antes do intervalo e em dose dupla: João Rodrigues inaugurou o marcador com um remate de meia distância quando os leões estavam em under play por um azul a Diogo Barata e, 40 segundos depois, já com 4×4 em jogadores de campo, Viti aumentou para 2-0 num tiro descaído sobre a direita. Faltavam 2,5 segundos para o descanso e a Luz estava ao rubro.
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O Sporting tinha de ir à procura do “impossível”, com Nolito Romero a ter uma bola no ferro logo a abrir que podia ter mexido com o encontro (26′). Os leões não marcaram, os leões voltaram a sofrer: na sequência de uma grande penalidade que deixou Henrique Magalhães de fora com um azul, João Rodrigues aproveitou a recarga para marcar numa picadinha o 3-0 que praticamente sentenciava a partida (31′), antes de novo azul a Diogo Barata e vermelho direto ao técnico leonino Edo Bosch por protestos (34′). O Benfica não conseguiu aumentar a vantagem nesse período de power play mas nem por isso perdeu o comando da partida, contando também com um Conti Acevedo a grande nível na baliza. Nem mesmo numa situação de power play após azul a Viti o Sporting conseguiu reduzir, o que deixou o Benfica ainda mais confortável num ambiente de pré-festa até à buzina final da partida que confirmou o regresso aos títulos dos encarnados.
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Na sequência de um livre direto, após falta sobre Rampulla num grande lance individual, Nolito Romero fez o 3-1 mostrando a grande eficácia que demonstrou ao longo da época nas bolas paradas mas não havia muito mais para fazer, com o Benfica a fazer a melhor gestão possível da vantagem e a não precisar de correr riscos entre algumas saídas rápidas em transição que ainda ameaçaram a baliza de Xano Edo. 34 jogos depois, entre 30 vitórias e quatro empates, os encarnados chegavam ao título sem qualquer derrota somada no Campeonato, algo que em termos nacionais apenas aconteceu uma vez e nas meias da Taça de Portugal.
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