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Costa quer canal direto com Moscovo para UE ter "lugar à mesa" de futuras negociações de paz na Ucrânia

O presidente do Conselho Europeu diz que a UE não quer ser mediadora, mas tem de transmitir as suas mensagens à Rússia sem depender de intermediários.

Agência Lusa
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O presidente do Conselho Europeu, António Costa, esclareceu esta sexta-feira que quer abrir um canal diplomático com Moscovo para não depender de intermediários para “interpretar as mensagens russas”, no âmbito de eventuais negociações de paz com Kiev.

“A União Europeia (UE) não é, nem tencionamos ser, mediadores” entre a Rússia e a Ucrânia, afirmou Costa, acrescentando, porém, que o bloco comunitário tem de ser capaz de transmitir as suas próprias mensagens a Moscovo.

Na conferência de imprensa no final da reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, o antigo primeiro-ministro português lembrou ainda que “a UE está do lado da Ucrânia”.

“Temos estado ao lado da Ucrânia ao longo da guerra e estaremos com a Ucrânia depois da guerra“, reiterou, acrescentando que os diferentes intervenientes e esforços, como é o caso da coligação de países dispostos a dar garantias de segurança a Kiev no caso de um acordo de paz com a Rússia, “não são concorrentes, mas sim complementares”.

O líder do Conselho Europeu referiu ainda que “apenas a Ucrânia pode negociar em nome da Ucrânia (…) mas, no que respeita às garantias de segurança, aos interesses da União Europeia, estes terão de ser defendidos pelas instituições europeias em conformidade com os tratados”.

“Infelizmente, o momento de negociar ainda não chegou, mas precisamos de estabelecer imediatamente este contacto direto, porque precisamos de os ouvir e de lhes transmitir que a UE precisa de estar sentada na futura mesa de negociações”, declarou.

Na quarta-feira, fontes europeias avançaram à Lusa que António Costa já iniciou “breves contactos a nível diplomático para abrir canais de comunicação” com a Rússia, face a futuras negociações de paz com a Ucrânia.

“Nas últimas semanas, foram realizados breves contactos ao nível diplomático para abrir canais de comunicação, mas não foi discutida qualquer questão de fundo”, referiu na ocasião um alto funcionário europeu à agência Lusa.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em fevereiro de 2022.

Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.