Com mais de metade dos 96 departamentos continentais sob alerta laranja (o segundo mais grave numa escala de quatro níveis) devido ao calor extremo, França está a adotar medidas excecionais para acautelar o impacto das altas temperaturas na população, com as previsões meteorológicas a apontarem para máximas superiores a 40 graus em vários pontos do território francês.
De acordo com os serviços meteorológicos franceses, segunda-feira poderá mesmo vir a ser o dia mais quente de sempre no país e Emmanuel Macron apelou “à precaução” e pediu aos franceses para “cuidarem dos mais idosos e dos mais vulneráveis, como as crianças, e seguirem rigorosamente todas as recomendações do Governo”. “Estamos a atravessar dias difíceis”, reconheceu o Presidente francês.
Esta é já a segunda vaga de calor extremo em França este ano, depois de o país ter registado ‘picos’ de temperatura durante vários dias no final de maio. O verão começa oficialmente em França no domingo e é precisamente nesse dia que vários departamentos poderão subir para o nível máximo de alerta — vermelho —, além da passagem de mais departamentos para a categoria de alerta laranja.
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“As últimas previsões apontam para um agravamento dos níveis de alerta a partir de domingo, com mais departamentos abrangidos pelo nível laranja e outros que poderão passar para o nível vermelho”, referiu Sophie Voirin, responsável do serviço de meteorologia francês (Météo-France), continuando: “As noites serão muito quentes, com temperaturas mínimas superiores a 20 °C mais frequentes, nomeadamente na metade norte”.
Sublinhando que o país enfrenta uma onda de calor “generalizada, prolongada e intensa”, o serviço meteorológico gaulês apontou para uma temperatura média de 36 graus no noroeste e de 38 graus no centro e sul para esta sexta-feira. As temperaturas poderão descer muito ligeiramente no sábado, para voltar a subir de forma acentuada no domingo e segunda-feira, equiparando-se às canículas de 2003 e 2019 em solo francês.
De acordo com o jornal Le Monde, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, vai ativar o centro interministerial de crise no Ministério do Interior, uma estrutura que envolve os titulares dos ministérios da Administração Interna, da Educação Nacional, do Ensino Superior, dos Transportes, da Saúde, do Ordenamento do Território e da Descentralização, das Forças Armadas e dos Antigos Combatentes, da Agricultura, do Desporto, do Trabalho e da Cultura.
Já o ministro da Educação Nacional, Edouard Geffray, referiu que cerca de 150 estabelecimentos de ensino encerraram por completo já esta sexta-feira e que cerca de outros 600 “decidiram ajustar os horários para que os alunos saiam mais cedo esta tarde”. Algumas localidades, como Nantes, confirmaram também o encerramento das escolas na segunda-feira.
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Há também pelo menos 67 departamentos a adotarem restrições na utilização de água e alguns municípios — como, por exemplo, Poitiers ou Brive-la-Gaillarde — cancelaram a realização da Festa da Música, enquanto o Ministério da Saúde divulgou uma lista de medidas de precaução que as pessoas devem seguir neste período.
A vaga de calor reflete-se também a nível energético, uma vez que a empresa EDF (Électricité de France) anunciou que quatro centrais nucleares devem baixar a sua produção na próxima semana por causa das temperaturas altas na água de refrigeração.
Entretanto, um homem de 30 anos morreu na quinta-feira, na sequência de uma paragem cardíaca numa pista de atletismo perto de Paris, quando a temperatura rondava os 37 graus. Devido a esse contexto, a empresa ferroviária SNCF avançou com o cancelamento de 71 comboios interurbanos.